SEX 10 DE JULHO DE 2020 - 23:08hs.
Primeiro webinar do GMB

Os cassinos resorts ajudarão a economia do Brasil mas a legalização deve ser mais ampla

Games Magazine Brasil inaugurou na tarde de quinta-feira, 28/05, sua divisão Live Series de transmissões ao vivo com o primeiro webinar do ciclo 'AGORA BRASIL'. Nele, grandes autoridades mundiais do mercado de jogos debateram sobre 'os cassinos como novo recurso para superar a crise' pós-pandemia. Eles foram unânimes de que os IR's não deveriam ser a única alternativa para legalizar no país, já que o Brasil pode receber mais investimentos e empregos com uma abertura bem regulada e fiscalizada de toda a atividade.

O webinar reuniu Newton Cardoso Júnior, deputado federal e presidente da Comissão de Turismo da Câmara Federal, Johnny Ortiz, fundador e presidente da Zitro, uma das líderes mundiais na fabricação e desenvolvimento de slots, videobingo e jogo interativo, Alex Pariente, vice-presidente sênior de Operações de Casino da Hard Rock International, dono de vasta experiência na área de cassinos, e Pedro Cortés, especialista em jogos e sênior partner na Rato, Ling, Lei e Cortés Advogados, empresa com mais de 30 anos de atuação em Macau em aspectos legais relativos ao mercado de jogos. O webinar teve moderação de Witoldo Hendrich Júnior, sócio fundador do escritório Hendrich Advogados e da Online IPS Brazil, empresa global em solução de pagamentos e especialista em regulação de jogos.

Carlos Cardama, CEO do GMB e idealizador do ciclo de debates, abriu o webinar destacando a importância da regulamentação dos jogos no Brasil e o quanto a atividade poderá incrementar receitas para o governo e empregos para o país, especialmente neste momento tão grave da economia em função da pandemia da Covid-19. “Esperamos trazer nossa contribuição com este ciclo de debates e neste encontro quero pedir ao governo “que nos dê a oportunidade de oferecer ao Brasil empregos e impostos. Com o fim da Covid-19, o setor de jogos tem grandes condições de colaborar com a economia”.

 

 

Eliane Nunes, da Clarion Events e apresentadora do encontro, deu as boas-vindas a todos e abriu a palavra aos palestrantes, lembrando a importância do tema num momento de tantas dificuldades provocadas pela Covid-19.

Newton Cardoso disse que a aprovação de cassinos no Brasil será um fator de grande importância para a economia pela geração de impostos e milhares de empregos, especialmente após o fim da quarentena determinada pela pandemia. “A Comissão de Turismo da Câmara Federal é totalmente a favor da regulamentação dos jogos no país. O Brasil está plenamente preparado e temos estrutura jurídica, econômica e de controle para a abertura de cassinos”.

 

 

Alex Pariente comentou que está na hora do Brasil ter um marco regulatório para os jogos, de maneira a gerar mais turismo, impostos e empregos. “Temos de reconhecer que há um mercado amplo a ser desenvolvido no Brasil. Quando resorts com cassino são implantados, o investimento atende a uma demanda global de turistas. A reativação da economia regional é um marco quando da implementação de cassinos”. De acordo com o executivo da Hard Rock International, “além do desenvolvimento do turismo regional, com cassinos há um alto incremento de outras atividades afins, levando riqueza para a região e a geração de altas somas em impostos e empregos”. Pariente comparou a instalação de cassinos em Macau e Singapura, onde a abertura do mercado aumentou substancialmente a entrada de turistas. Segundo ele, todas as grandes corporações buscam mercados bem regulados para fazer seus investimentos e o Brasil tem todas as condições para atrair tais investidores.

 

 

Pedro Cortés comentou que no momento Macau está fechada para a entrada de turistas e isso tem impactado a economia local, diferente de Las Vegas, onde o jogo é mais um atrativo, enquanto na região especial da China a atividade predominante é a operação de cassinos. “O Brasil é um continente e deve ser visto com essa grandiosidade. Nesse sentido, devemos avançar no tema e não nos limitarmos aos IRC’s”.

 

 

Johnny Ortiz saudou o trabalho do deputado Newton Cardoso, que desbrava um segmento ainda pouco conhecido dos brasileiros e lamentavelmente o Brasil o exportou para desenvolver suas atividades fora do Brasil. “É um absurdo eu ter de sair do meu país para ter sucesso no exterior, apesar de ter a oportunidade de fazer isso do Brasil, oferecendo empregos e impostos no país. Em todo o mundo o jogo é bem controlado, de maneira online, e no Brasil não será diferente”. Segundo ele, com compliance, qualquer operação no Brasil será muito bem controlada interna e externamente. “O problema atual no Brasil é a discussão apenas de abertura de grandes IRC’s, cujos investimentos são demorados e com geração de empregos e impostos bem menor do que a regulamentação mais ampla dos jogos no país Por esta razão defendo uma abertura mais ampla”.

 

 

Retornando ao deputado Newton Cardoso, Witoldo indagou como mostrar aos seus pares no Congresso Nacional e à sociedade que os cassinos não são o que Hollywood mostra em seus filmes, em que gângsteres enterram seus inimigos no deserto. O deputado disse que basta ser a favor do jogo legal para combater o jogo ilegal. “Os empresários sérios não querem se misturar num mercado negro e precisamos convencer os parlamentares e a sociedade de que o jogo é uma atividade econômica como outra qualquer e que, corretamente regulada, só fará bem ao país”.

 

 

Pariente disse que todos os setores da indústria precisam ter um marco regulatório muito claro e para avançar isso é fundamental, não apenas para os grandes IRC’s como também para outras atividades de jogo. “Ao falar num marco, deve-se pensar em responsabilidade, compliance e licenças justas para todas as operações. Todos devem ter em mente que leis claras podem gerar oportunidades excelentes para o Brasil”, disse, lembrando que as crises geram oportunidades e a pandemia da Covid-19 deverá abrir grandes perspectivas para o setor de jogos, como uma forma de reativar a economia. “Temos vários projetos em discussão na região nordeste do Brasil, assim como em Florianópolis, com a Arena Petry. Com parceiros locais podemos atender a diferentes possibilidades de negócios para levar nossa marca ao país e colaborar com a geração de impostos e empregos”.

Cortés explicou que em Macau existem licenças específicas para fornecedores de máquinas, de empreendimentos como um todo e até mesmo de croupiers. “No Brasil é possível termos cassinos pequenos em algumas regiões e grandes IRC’s em outras, bem como distintas possibilidades de jogos, não restringindo a atividade aos cassinos, trabalhando em licenças adequadas para cada setor. O turismo será beneficiado e as comunidades locais, também. Há espaço para todas as demandas de jogos”, afirmou, destacando que riscos e oportunidades andam juntos e que os riscos da pandemia para a economia brasileira oferecem oportunidades para a abertura dos jogos.

 

 

Ao ser indagado sobre a possibilidade de a Zitro trazer uma unidade para o Brasil, Johnny disse que não só voltará a morar no país como também implantará uma filial da empresa. “Como você bem questionou, o jogo exige fabricantes de tantos produtos, como mobília, talheres, monitores de TV e diversos outros. Hoje temos em nossa unidade europeia 300 engenheiros, o que demonstra nossa força enquanto empresa geradora de empregos. Com a abertura dos jogos, o fluxo de turistas aumentaria substancialmente. Hoje temos cerca de 6 milhões de turistas que viajam para o Brasil, enquanto a França atrai 80 milhões e Andorra, um pequeno país encravado na Europa, mais de 12 milhões. Com a abertura do setor de jogos, podemos superar todos esses países”, disse, reforçando que o marco regulatório deve ser discutido urgente para não levarmos mais quatro ou cinco anos para aprovar os jogos. Quando os bingos fecharam, existiam 80 mil máquinas legais enquanto hoje há mais de 500 mil máquinas ilegais, que não geram impostos. A Zitro quer trazer sua expertise para o Brasil e oferecer milhares de empregos e altas somas de impostos”.

Indagado por Witoldo sobre a demanda por quartos no caso de abertura de grandes IRC’s, Pariente disse que “a estratégia é que o local deve ter um master plan para organizar o setor hoteleiro e atrair parceiros para trabalhar em conjunto. O jogo é uma ferramenta de atração de turistas e ela pode ser estendida a outros hotéis no entorno”.

Johnny deixou como mensagem que “o Brasil é maravilhoso e a nossa maior riqueza é o povo. Temos uma exuberância para o turismo e o jogo tem alta capacidade de atração de investimentos, não só de operadores, mas também de fornecedores diversos. O que o governo deve analisar muito bem é a questão do imposto, muito alto. O Brasil está maduro o suficiente para entender que o jogo é bom para o país”.

Nas considerações finais, Pedro Cortés afirmou que “o Brasil tem caminhado adequadamente, mas precisa agilizar e finalizar as discussões para que todos os benefícios esperados pela implantação da atividade no país colaborem com a retomada da economia”.

Pariente disse que o setor de jogos tem dado oportunidades infinitas para empresas como a Zitro e a Hard Rock crescerem e “queremos andar juntos com o Brasil no desenvolvimento de um segmento econômico forte e preparado para oferecer empregos e impostos ao país, ajudando na retomada da economia após a pandemia”.

O próximo webinar da divisão Live Series do GMB do ciclo “AGORA BRASIL”, acontecerá no dia 25 de junho, com o tema “Apostas esportivas: construindo uma regulação para que todos ganhem” e a participação confirmada de Waldir Eustáquio Marques Júnior, Subsecretário de Prêmios e Sorteios do Ministério da Economia. Anote em sua agenda.

Fonte: Exclusivo GMB