QUI 15 DE NOVEMBRO DE 2018 - 18:06hs.
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Futebol e apostas esportivas no Brasil: uma relação para o futuro?

A atividade dos jogos de azar encontra-se devidamente regulada na maioria dos países, e em especial naqueles onde a tradição futebolística é maior, como é o caso da Europa e das Américas. No Brasil, os jogos online vieram trazer um movimento de mudança social. Hoje, todo o mundo sabe que pode jogar através da internet e isso ajudou a criar uma ideia de mudança. O país está precisando muito de receita...não seria uma boa hora para seguir esse exemplo?

As grandes empresas internacionais de jogos de azar (tanto cassinos online como apostas esportivas, mas especialmente estas últimas) estão, elas próprias, apostando forte no patrocínio do fenômeno esportivo. Logicamente, seus potenciais clientes e usuários estão, em grande parte, assistindo a futebol.

A atividade dos jogos de azar encontra-se devidamente regulada na maioria dos países do mundo, e em especial naqueles onde a tradição futebolística é maior, como é o caso da Europa e das Américas (tirando os Estados Unidos, onde de qualquer forma vem crescendo nos últimos anos). Isso não impede que a mídia se questione sobre o futuro da relação entre esses dois mundos, tão próximos e cada vez mais dependentes um do outro.

A situação na Inglaterra

Um artigo recente da BBC, com a data de 28 de agosto, vem chamar a atenção para o fenômeno crescente dos patrocínios de cassinos e casas de apostas aos times dos dois escalões principais do futebol inglês. O artigo calcula em 60% o número de times que, na época do futebol europeu que começou agora (e vai até maio), tem um patrocínio desse gênero na Premier League (a primeira categoria) e no Championship (a segunda categoria). Mais precisamente, são 9 times da Premier League e 17 no Championship.

A mídia começa se questionando se a porcentagem de patrocínios desse tipo de empresas não estará ficando demasiado alta. Afinal, crianças e jovens assistem com paixão a futebol (na Inglaterra como no Brasil e nos demais países do mundo) e há o risco de que o ato de apostar dinheiro para tirar prazer do futebol – aquela pequena euforia de adrenalina que o jogador sempre sente – seja interiorizada pelos mais jovens como algo indispensável para que o futebol seja algo prazenteiro.

Os jogos de azar no Brasil

Como todo o mundo sabe, os jogos de azar são proibidos por lei no nosso país. No caso dos cassinos, sua atividade foi proibida na década de 1940, mas nos últimos anos se vem debatendo a possibilidade de liberar a prática. As apostas esportivas estão em uma situação semelhante, e aqui não só é proibido operar uma empresa de apostas como até é proibido apostar – isto é, o próprio apostador pode ter problemas com as autoridades se for pego apostando dinheiro em algo desse gênero.

Mas tudo isso só é válido se o cassino ou o receptador de apostas estiverem baseados em território nacional. A internet veio criar um elemento novo para o qual as sociedades ainda não se adaptaram totalmente. Apostas esportivas online e cassinos online são acessados livremente pelos brasileiros, uma vez que se encontram baseados em países estrangeiros onde a atividade é permitida, fiscalizada e regulada (como Malta, Gibraltar ou Belize).

Como as fichas da roleta virtual ou as apostas virtuais são registradas em servidores eletrônicos localizados em outro país, pertencentes a empresas cujos escritórios estão também em outro país, a lei brasileira não proíbe. Basta fazer uma busca por “casino online brasil” para encontrar diversas opções para jogar a dinheiro, com possibilidade de receber eventuais ganhos através de vários meios. O mesmo vale para as apostas esportivas.

No caso do Brasil, os jogos online vieram trazer um movimento de mudança social. Hoje, todo o mundo sabe que pode jogar através da internet e isso ajudou a criar uma ideia de mudança, refletida em uma enquete recente do Paraná Pesquisas. O resultado mostrou que cerca de metade da população brasileira já será favorável à liberação dos jogos de azar; isso torna a questão difícil de resolver (a outra metade é contra) mas prova que o antigo consenso social sobre a proibição do jogo está desaparecendo.

Que medidas de responsabilidade estão sendo tomadas pelas casas de apostas? 

As casas de apostas, conscientes de seu impacto na sociedade, estão promovendo campanhas de responsabilidade social. Uma delas tem o lema “when the fun stops, stop”, ou seja, “quando a diversão parar, pare” (você também, de jogar). O artigo da BBC refere também que está sendo preparada uma campanha, direcionada aos jovens e com a duração de cinco anos, que terá como objetivo explícito alertar para os riscos dos excessos e apelar ao jogo responsável.

Qual é o futuro para o Brasil?

Junto com os jogos de cassino, as apostas esportivas poderão vir a ser reguladas, pela razão simples que o mercado nacional está perdendo oportunidades de receita fiscal. Trata-se de um mercado gigante que vem sendo ‘trabalhado’ pelas grandes marcas internacionais de apostas, que sequer têm concorrentes nacionais porque… sua atividade seria proibida por lei.

De Portugal vem uma notícia interessante. O jogo online foi regulado recentemente, sendo sua receita direcionada para a Segurança Social. Acontece (segundo notícia do jornal online Eco) que as contas do primeiro semestre mostraram que a receita recolhida só em seis meses já ultrapassou o que era previsto para todo o ano, e até ultrapassou em 18%.

Nosso país está precisando muito de receita, como descobrimos da forma mais triste no início desse mês de setembro. Não seria uma boa seguir esse exemplo?

Fonte: GMB / www.futebolinterior.com.br