DOM 17 DE NOVEMBRO DE 2019 - 06:21hs.
Introdução do VAR

Por que a adoção da tecnologia no futebol é tão polêmica?

O VAR pode ser confuso, mas, se a FIFA e a CBF seguirem o exemplo da Premier League, não será um problema. Tirar a pressão dos árbitros e usar tecnologia mais precisa deve ser aplicada em todos os aspectos do esporte, não apenas para decisões de impedimento e cobrança de pênaltis discutíveis. O futebol precisa acompanhar a evolução e a CBF deve estar disposta a trabalhar em estreita colaboração com os clubes brasileiros para impor essa mudança na dinâmica, mesmo que leve um tempo para os torcedores aceitarem.

Para a maioria dos fãs de futebol, a introdução do VAR (Video Assistant Referee, ou Árbitro Assistente de Vídeo) é um sinal dos tempos modernos. Apoiadores e federações de futebol pedem alguma forma de tecnologia desde que as autoridades não conseguiram premiar o gol de Frank Lampard na Copa do Mundo de 2010. 

A Inglaterra, perdendo por 2 a 1 para a Alemanha na época, foi impedida de voltar à competição após um claro erro de julgamento do árbitro e de seus assistentes em campo. Se o sistema VAR tivesse sido implementado antes da competição, o resultado poderia ter sido diferente. Não podemos nos deter muito no passado, mas certamente situações como essa devem apoiar uma inclusão mundial da tecnologia de vídeo no futebol, certo?

A conturbada adoção do VAR no Brasil

Não é bem que os torcedores brasileiros pensam. O belo jogo de futebol, paixão do brasileiro, está mudando — a tecnologia está se tornando central nas discussões pós-jogo, em vez de admiração pela pura habilidade e talento no futebol. No início da temporada de 2018, os clubes brasileiros optaram por votar contra a introdução do VAR na primeira divisão, um resultado um tanto surpreendente.

O dinheiro foi uma das principais razões para o voto negativo. A maioria dos clubes ficou irritada porque eles, em vez da CBF, teriam que pagar a conta. E, a um custo estimado de R$ 49 mil por partida, você pode entender por que alguns clubes gostariam de se opor à introdução do VAR. Contudo, em 2019, após um acordo de divisão dos custos entre CBF e clubes, a utilização do VAR foi aprovada e o Brasileirão segue com o uso do assistente de vídeo.

Porém, mesmo com a tecnologia, não há garantia de que o as decisões serão 100% justas. Ainda há muito espaço para debate, como visto no último dia 13, quando o juiz mudou de pensamento em um pênalti marcado a favor do Flamengo no jogo contra o Athletico Paranaense que, na visão de muitos, devia sim ter sido marcado. Esse é apenas um exemplo dos muitos "erros" que temos visto ser cometidos com auxílio do VAR ao longo da temporada. Mas, afinal, a tecnologia é boa ou ruim para o jogo?

A adoção do VAR pelo mundo

O Brasileirão vem seguido um movimento que se alastra pelo mundo. A Real Federação Espanhola de Futebol adotou o VAR na campanha 2018-19 e a tecnologia já está sendo usada na Bundesliga da Alemanha e na Série A da Itália. A Premier League, no Reino Unido, um dos principais campeonatos mundiais, demorou dois anos para adotar o VAR, buscando garantir que o sistema não prejudicasse o jogo.

Os torcedores ingleses ainda têm reservas sobre a introdução do VAR, mas a introdução na Premier League certamente trouxe melhoras se comparadas com o uso da tecnologia no Brasil. O grande diferencial é a velocidade da decisão. Os equipamentos utilizados na Inglaterra são mais modernos. A orientação é que o lance seja reavaliado e a decisão seja tomada antes do fim da comemoração dos jogadores. Os lances vistos são apenas os imprescindíveis. No Brasil, não existem restrições e o árbitro pode levar o tempo que quiser.

Mas será que, ainda assim, vai arruinar o ritmo do jogo? No tênis, uma tecnologia parecida, conhecida como Hawk-Eye, é utilizada desde 2008, mas com muitas diferenças nas regras de uso. Um jogador recebe três desafios no início de uma partida e pode encaminhar o árbitro ao Hawk-Eye se ele acredita que uma decisão incorreta foi tomada. Caso o jogador esteja certo, continua com três desafios em mãos; caso contrário, perde um desafio e mantém só dois para o restante do jogo. Mas o tênis é um esporte muito mais simples que o futebol; a bola está dentro ou fora. No futebol, administrar certas decisões pode ser muito difícil para o árbitro. E, com isso em mente, há uma base sólida para argumentar sobre o VAR.

A tecnologia já está no coração do futebol, gostemos ou não. A tecnologia de linha de gol, por exemplo, tem sido um enorme sucesso que agora está amplamente disponível na maioria das grandes competições, e assim deve ser. Além disso, o impacto e a influência de dispositivos móveis e tablets na transmissão de futebol ao vivo ajudou a melhorar a imagem do esporte, principalmente nas empresas de apostas — muitas das quais anunciam seus produtos na Beachsoccerbrasil.com, durante e após os grandes eventos. 

O VAR pode ser confuso, mas, se a FIFA e a CBF seguirem o exemplo da Premier League, não será um problema. Tirar a pressão dos árbitros e usar tecnologia mais precisa deve ser aplicada em todos os aspectos do esporte, não apenas para decisões de impedimento e cobrança de pênaltis discutíveis. O futebol precisa acompanhar a evolução e a CBF deve estar disposta a trabalhar em estreita colaboração com os clubes brasileiros para impor essa mudança na dinâmica, mesmo que leve um tempo para os torcedores aceitarem.