SÁB 7 DE DEZEMBRO DE 2019 - 10:41hs.
Evert Montero, Presidente da Fecoljuegos

"Temos toda a fé de que a regulamentação das apostas no Brasil sairá muito em breve"

Evert Montero Cárdenas é presidente da Fecoljuegos desde 2014, uma associação que reúne empresários, fabricantes e fornecedores dos Jogos de Sorte e Azar na Colômbia, um dos países mais avançados em regulamentação entre os latino-americanos. Em sua primeira visita à SAGSE Buenos Aires, ele reservou um tempo para uma conversa com o GMB, analisando o panorama do jogo na região e, principalmente, a situação da regulamentação no Brasil.

GMB - Como você avalia sua primeira vez na SAGSE?
Evert Montero -
Sim, foi a minha primeira vez na SAGSE e, é claro, estou muito satisfeito por ter estado em Buenos Aires. É uma cidade muito bonita, uma feira muito interessante. É possível compartilhar ideias e experiências com muitas pessoas do setor, não apenas empreendedores e operadores, mas, é claro, reguladores também.

Qual o seu panorama de como são a Argentina e a América do Sul em geral?
Pelo que pude analisar nas exposições em que participei e no que ouvi por comentários, acredito que a Argentina, depois de todo esse processo político, que de alguma forma - embora não quiséssemos - afeta todos esses processos de implementação de apostas online, acho que há um panorama interessante. Claro, ainda é um mercado muito importante. Vejo a questão na cidade de Buenos Aires muito consolidada, acho que os reguladores a tem muito clara. Haverá muitas coisas a discutir e muitas outras a serem construídas com os empreendedores, mas vejo uma grande disposição do regulador e um grande interesse, porque realmente há uma oferta muito boa, para que o tópico possa ser elaborado e explorar as apostas online.

Nesse panorama dos países da América do Sul, você acha que a Colômbia é um dos mercados mais avançados?
Sim, como todos sabem, fomos pioneiros em toda a questão da regulamentação. Isso também nos permitiu conhecer muitas das dificuldades que surgem ao longo do caminho, especialmente quando há novos produtos ou ofertas de jogos. Acredita-se que tudo está dito e tudo está feito, mas isso não é verdade. As mesmas operações ou modelos de outros países não funcionam em cada um. Chegou a hora de implementá-los, corrigindo-os e melhorando-os todos os dias, com coisas típicas de cada uma das regiões. Então acho que, embora seja verdade que era uma regulamentação muito interessante, há muito a corrigir, também há muito a melhorar. Estamos nesse processo e acho que avançamos muito. Certamente esta é uma oportunidade para os outros países da América Latina - inclusive em toda a América -, para que eles aprendam com essa experiência e melhorem a nossa e, é claro, também corrijam as dificuldades que tivemos.

O Brasil é um país que poderia aprender algo com a Colômbia a caminho de regulamentar as apostas esportivas?
Claro. Nós, de alguma forma, temos sido um laboratório na América para todo o tema da Internet. Eu acho que todo mundo tem que olhar para aqueles que foram os primeiros, aprender o novo, não cometer os mesmos erros e melhorar o que existe. Acredito que o Brasil certamente terá olhado e também estará revendo o que está sendo feito em outros países. E a Colômbia, como o primeiro país que possui regulamentação online, é obviamente uma referência para a região.

Para os que são de fora, como é o mercado brasileiro? Nós, de dentro, o vemos como um gigante adormecido tentando acordar. As apostas foram legalizadas, estamos em uma fase de regulamentação, que talvez seja um pouco lenta.
Sim, é claro que ele é um gigante adormecido. Acredito que é um mercado muito importante pelo tamanho do país e o nível de aposta que pode ser feito. Elas foram legalizadas, mas não regulamentadas, ainda está no meio do processo. E tudo isso são recursos que estão se perdendo, as expectativas estão sendo geradas e esperamos que o Brasil consiga terminar isso o mais rápido possível. Entende-se que essas mudanças políticas influenciam. A legalização aconteceu no final do governo anterior, então chegou um novo... É o que acontece conosco em todos os países: enquanto aprendem, perdem muito tempo, recursos e geram muitas expectativas. Temos toda a fé de que isso sairá muito em breve e acho que estão trabalhando muito para fazê-lo.

A equipe do Ministério da Economia consultou você em algum momento, se encontraram em alguma feira, evento, um dos painéis? Você teve a oportunidade de conversar com eles?
Sim, acredito que em todos os painéis, feiras e nesses eventos que todos os países participam. Lá, é claro, ideias são criadas, ouvidas e aprendidas. Eu acho que isso faz parte da riqueza e das possibilidades que cada um tem de conhecer a experiência do outro, precisamente para poder implementar em seu país.

O ano está terminando. E se tivesse que fazer um balanço da Fecoljuegos, os principais momentos do ano? Três ou quatro coisas que você acha que foram as melhores que aconteceram.
Tivemos um ano muito difícil e convulsivo porque em nosso país houve uma questão que foi tratada no Congresso, de modo que a cobrança dos direitos de exploração foi retificada. O chamamos de Plano Nacional de Desenvolvimento. É um plano em que foram feitas modificações em algumas leis e onde foram revisados ​​os problemas nos quais os ajustes devem ser feitos, precisamente, de natureza legislativa. Conseguimos corrigir a questão de cobrar direitos de exploração por apostas em cassinos, ou "localizadas", como as chamamos. E nós fizemos isso, para nossa satisfação. Isso nos deixou possibilidades importantes para que o jogo seja realmente energizado e que essa atividade seja sustentável ao longo do tempo.
Infelizmente, tivemos algumas diferenças legais e de opinião com o regulador, o que nos levou a não implementá-lo imediatamente, mas ao voltar a algumas partes do governo, onde eles precisam tomar algumas medidas, decretos regulamentares, tanto na Presidência da República como no Ministério das Finanças. Isso atrasou um pouco a implementação dessas conquistas com a retificação da cobrança de direitos de exploração. No momento em que isso estiver pronto - que eu espero que no final deste mês de novembro tenha boas notícias para o setor para o Natal - esse setor será revivido e energizado, porque neste momento é um setor que ficou um pouco estagnado, precisamente, devido ao excesso de carga tributária.

Como você imagina 2020 para Fecoljuegos e para o jogo na Colômbia em geral?
Levando adiante esta questão do Plano Nacional de Desenvolvimento, acho que será um ano muito produtivo para todo o setor. Acredito que haverá a possibilidade de estender as concessões, o número de máquinas nos estabelecimentos, que outras máquinas sejam substituídas e renovadas. Então, assim, os produtores ou fabricantes terão uma demanda maior por elementos do jogo. E isso vai nos fortalecer muito.
Também estamos muito felizes que a Federação tenha ajudado a alcançar, nas apostas online este ano, o tópico das apostas em eventos virtuais, que não existiam. E esperamos que, no outro ano, possamos levantar a questão das apostas ao vivo no cassino, também online, que no momento não são regulamentadas e que está sendo feito um trabalho para regulamentá-las.
Acredito que, se tudo isso acontecer, haverá melhores possibilidades econômicas para os operadores, mas eles também terão grandes dividendos e enormes recursos para a saúde, que é o destino final do que é coletado nos jogos da Colômbia.

Fonte: Exclusivo Games Magazine Brasil