SÁB 7 DE DEZEMBRO DE 2019 - 10:29hs.
Após regulamentação do ramo

Para especialistas, mercado de apostas esportivas deve movimentar R$ 8 bi no país

O mercado brasileiro de apostas esportivas deve girar em torno de US$ 2 bilhões (R$ 8 bilhões) no momento em que tiver a sua regulamentação definida pelo Governo Federal. A projeção é de especialistas que participaram do Sigma, um dos principais congressos da indústria de iGaming, apostas esportivas e eSports, realizado em Malta semana passada, de 27 a 29 de novembro.

As casas especializadas foram autorizadas no país em dezembro de 2018 com a Lei 13.756/2018. Ainda está pendente a regulamentação do setor, ou seja, o Ministério da Economia precisa determinar as regras para que as apostas sejam definitivamente liberadas. O prazo para a regulamentação é de dois anos, prorrogáveis por mais dois.

À espera da regulamentação definitiva, empresas estrangeiras de apostas se tornaram patrocinadoras importantes no futebol brasileiro. Hoje, 11 times da Série A do Campeonato Brasileiro já fecharam algum acordo com o setor de apostas. São eles: São Paulo, Flamengo, Fluminense, Atlético-MG, Bahia, Botafogo, Corinthians, Cruzeiro, Fortaleza, Santos e Vasco.

O Brasil é conhecido como o país do futebol há muitos anos, mas pode se tornar também uma das grandes forças no mercado de apostas esportivas. Durante o Sigma - um dos principais congressos da indústria de iGaming, apostas esportivas e eSports, realizado em Malta semana passada, de 27 a 29 de novembro - o advogado brasileiro de direito desportivo Eduardo Carlezzo foi um dos palestrantes do evento e afirma que o Brasil tem potencial para ser o “país das apostas esportivas”.

Carlezzo avalia que todos os clubes terão algum tipo de patrocínio de casas de apostas com a regulamentação. “Se não for na camisa, será em algum outro ativo”, avaliou. Malta é a principal jurisdição no mundo para registro de empresas de apostas esportivas online. Carlezzo esteve na feira e ressaltou: “O SIGMA é em evento que abre espaço para uma abordagem internacional de vários mercados mundo afora a respeito da regulação das apostas esportivas. Claramente neste ano o Brasil é o mercado que atrai a maior intenção dos investidores”.

“Há uma grande expectativa sobre quando iniciará finalmente o processo de licenciamento das empresas para operação no país. Infelizmente um entrave importante para tanto é uma mudança que deverá ser feita na lei que legalizou as apostas esportivas. O assunto voltou às mãos do Congresso Nacional, e isto pode trazer mais atrasos”, pontua Carlezzo. O Governo Federal pretende tributar as empresas do setor que atuarem no país em 1% do faturamento.

James Scicluna, advogado e sócio do WH Partners, principal escritório de advocacia especializado em apostas esportivas na Europa, afirma que 2020 será um ano importante. “Vemos um enorme interesse de nossos clientes em operar no Brasil. Há esperança de que o país regule o jogo on-line de uma maneira que estimule a concorrência e exija as melhores práticas de medidas de jogo responsável, ajudando a gerar um novo setor econômico para o Brasil. O ano de 2020 será chave, com muitos operadores avaliando de perto a possibilidade de investir no Brasil nesse setor”, disse.

Para Bruno Maia, especialista em sportstech, fantasy games e mercado de games e ex-vice-presidente de marketing do Vasco, a tendência é que o futebol brasileiro siga o modelo da Premier League, onde metade dos times da Inglaterra já é patrocinada por sites de apostas. A Sportsbet.io, por exemplo patrocina o Flamengo, campeão da Copa Libertadores, e o Watford. Na segunda divisão inglesa, 70% das equipes têm parcerias com empresas do segmento.

“Acredito que seja um caminho sem volta, com cada vez mais empresas deste segmento entrando no Brasil. Os investimentos tendem a continuar crescendo muito e, em breve, já teremos algum clube anunciando como patrocinador master alguma marca de apostas”, afirmou o especialista.

Durante os três dias, o Congresso, que é considerado um dos principais pontos de networking entre profissionais deste segmento, reunirá mais de 12 mil participantes de 80 países.

Fonte: GMB