DOM 24 DE MARÇO DE 2019 - 10:39hs.
Jorge Avancini, consultor da Marketing & Serviços

"As casas e sites de apostas são a aposta da vez no futebol brasileiro"

Com mais de 35 anos de experiência no mercado, o Diretor da empresa de consultoria Jorge Avancini Marketing & Serviços, escreve hoje uma coluna de opinião do site MKT Esportivo onde aponta como o profissionalismo dos clubes deverá ditar o ritmo de acordos envolvendo empresas do setor de apostas. 'O segmento pode ser uma larga tábua de salvação para os cofres combalidos das agremiações brasileiras', disse Avancini.

No início de fevereiro, o futebol brasileiro foi surpreendido com a notícia do patrocínio master da casa de apostas esportivas NetBet ao Fortaleza. Embora consagrado na Europa, esse segmento nunca esteve explicitamente presente por aqui.

O mais perto que passamos dele foi a relação com a marca “Loterias Caixa”, da Caixa Econômica Federal – até outro dia, o principal patrocinador de duas dezenas de clubes.

Os leitores e leitoras com mais ou menos 40 anos talvez até se lembrem da simpática zebra que aparecia no noticiário televisivo das noites de domingo, anunciando o resultado dos jogos – e, por consequência, da famosa loteria esportiva.

Depois disso veio a marca “Timemania” – outro produto da Caixa -, cujo objetivo, ao menos em tese, era ajudar os clubes a amortizarem suas dívidas com o Governo Federal a partir da arrecadação de apostas esportivas.

Houve, ainda, em ações mais regionais, algumas tentativas de parceria comercial com as apostas do tipo “raspadinha”. Em contrapartida, o poder público ou empresas privadas exploravam as marcas institucionais dos clubes.

E se nunca fomos além quando relacionamos futebol e apostas esportivas, é porque até o final de 2018 não havia regulamentação no País para que essa relação fosse estabelecida. A lei que autoriza o patrocínio de clubes brasileiros por sites de aposta só foi aprovada em 14 de dezembro último.

Com o advento das redes sociais e a consolidação da internet como recurso praticamente indispensável à sobrevivência humana, era inevitável que as apostas eletrônicas fossem liberadas por aqui também – ainda mais se considerarmos o crônico problema de caixa dos clubes.

Mas se antes da regulamentação o dinheiro dos torcedores que já apostavam ia para fora do País, os clubes não recebiam por essas apostas e o Governo não recolhia impostos sobre essas operações, agora o cenário é outro.

Assim como fez o Fortaleza, os clubes poderão procurar os players do segmento, oferecendo-se como plataforma de comunicação para esse tipo de negócio, numa evidente sinergia que poucos outros mercados patrocinadores pode proporcionar.

Entendo, porém, que primeiramente será preciso quebrar a barreira da desconfiança que o mercado de apostas ainda representa por aqui – na minha opinião, herança do velho jogo do bicho, enquadrado na Lei das Contravenções Penais (embora até hoje explorado pelos apostadores).

Se o patrocínio esportivo de sites de aposta agora é uma prática comercial reconhecida por lei, num primeiro momento não vejo razão para os clubes abdicarem da oportunidade de prospectá-los como parceiros em potencial.

Por outro lado, a gestão dessas empresas precisa ser tão profissional quanto a de qualquer outra, de qualquer segmento, de modo que a relação estabelecida entre as partes seja transparente, em primeiro lugar, e de ganha-ganha, por consequência (vou cometer a inconfidência de relevar que já ouvi profissionais reclamarem de métodos pouco ortodoxos de negociação de algumas dessas empresas).

Isto posto, sim, as casas e sites de apostas são a aposta da vez no futebol brasileiro. Só entendo que não devemos voltar a cometer o erro de colocar todos os ovos na mesma cesta, a exemplo do que aconteceu com muitos clubes em relação à Caixa Econômica Federal.

Se trabalhado com profissionalismo por ambos os lados do negócio, o segmento pode ser uma larga tábua de salvação para os cofres combalidos das agremiações brasileiras

Jorge Avancini

Com mais de 35 anos de experiência no mercado, Avancini é Diretor da empresa de consultoria Jorge Avancini Marketing & Serviços. Trabalhou em diferentes áreas em cargos de Diretoria e Gestão, atuando em áreas como: Vendas, Distribuição, Gerência de Produto, Merchandising, Ativação de Patrocínios, Comunicação, Assessoria de Imprensa, Prestação de Serviços, Gestão de Plano de Sócios e na Gestão de Marketing Esportivo.

Fonte: GMB / MKT Esportivo