QUI 27 DE JUNHO DE 2019 - 07:19hs.
Durante a CONAFUT, em São Paulo

Operadores, clubes e especialistas debateram as apostas esportivas no futebol brasileiro

A CONAFUT 2019 (Conferência Nacional de Futebol) abriu espaço para um painel sobre “Os Impactos da Legalização das Apostas Esportivas no Brasil”. Com a presença de Ricardo Magri (Sportradar), María Noel Pais (NetBet), Witoldo Hendrich Júnior (Online IPS)  Victor Simpson (Fortaleza E.C), o debate trouxe luz sobre temas como o novo momento de patrocínios de sites de apostas, futuros entraves legislativos, pressão política e integridade no esporte. Veja os vídeos.

O debate começou com María Noel Pais, Gerente de Aquisições no Brasil da NetBet, apresentando o trabalho que já é realizado pela empresa internacional de apostas esportivas, as licenças que possui e a vontade de investir no Brasil e ajudar a movimentar a economia do país. Ela também falou sobre a importância de legisladores e operadores estejam próximos nesse período de elaboração dos regulamentos vivido no país. “Nós temos bons exemplos e ruins exemplos em legislações que mostram que é muito importante quem faz a legislação esteja em contato com os operadores para entender qual o modelo que seja bom para todos os envolvidos no gambling”, afirmou.

Ricardo Magri, Diretor de Desenvolvimento de Negócios da América Latina da Sportradar, começou enfatizando que a lei aprovada em dezembro de 2018 legalizando as apostas esportivas clareou a paleta de opções para os operadores, que ainda são cautelosos, mas, isso pode fazer com o que Brasil receba uma inundação de patrocínios de casas de apostas esportivas para clubes e tenha modelo parecido com grandes ligas europeias.
 



Magri também comentou a parte legislativa afirmando que o Brasil pode aproveitar a experiência dos prestadores de serviço de jogos para saber o que deu e não deu certo em outros lugares e também proteger o público do jogo ilegal.

“O maior objetivo de uma regulamentação é absorver o mercado ilegal. É fazer com que tudo o que está armado, arquitetado na legislação consiga de fato absorver o jogo clandestino para que as marcas que vão operar e os jogadores se sintam atraídos. Os preços não podem conter um ágio que repasse um imposto excessivo porque ai vai ser invertida a competitividade da empresa de apostas e vai se continuar jogando no mercado ilegal. Esses são os elementos que precisam estar presentes para fazer uma legislação de sucesso e o sucesso é absorver o jogo ilegal”, explicou.

Primeiro clube a ser patrocinado por uma empresa de apostas no Brasil, em uma parceria com a própria NetBet, o Fortaleza E.C foi representado pelo seu Gerente Comercial, Victor Simpson, que passou a posição dos clubes de futebol nesse novo cenário. Segundo ele, a saída da Caixa Econômica Federal como patrocinadora gerou muita dificuldade para os times brasileiros e abriu espaço para empresas do mercado financeiro digital e outras atividades que estão sendo testadas como parceiras. Com relação às empresas de apostas, Simpson a experiência vivida em outras ligas, como a Premier League, deu respaldo para a escolha do clube.
 



Ele contou que logo após o final do Campeonato Brasileiro da Serie B, no qual o Fortaleza foi campeão, o clube començou planejar, procurou operadores desse mercado que tinha sido recém-liberado e em menos de um mês conseguiu o acordo com a NetBet, que não poderia ter sido uma escolha melhor.

“Hoje nós poderíamos colocar a NetBet como nosso maior patrocinador, e isso eu não estou falando nem sobre aporte financeiro. Mas, a NetBet está acostumada com ativações de patrocínio e isso é algo que o Fortaleza tem feito muito bem nos últimos anos. A gente gosta muito de empresa que querem trabalhar com a ativação porque o conteúdo online gera emoção e emoção gera vendas. Quando a gente consegue ativar junto com o patrocinador estou gerando conteúdo que se replica pelo Brasil inteiro e ao mesmo tempo múltiplas empresas estão vendo e querem trazer o Fortaleza também”, assegurou Simpson.

Voltando ao tema da regulamentação, Witoldo Hendrich Júnior, Chief Legal Officer da Online IPS, destacou a preocupação dos operadores em defender seu público do vício em jogo, que a falta de regulamentação ainda impede os operadores de chegarem em peso e alertou para o perigo da legalização apenas das apostas esportivas no Brasil. De acordo com o advogado, a concorrência com os sites que oferecem outros modais de jogos fora do país pode tornar o negócio das apostas esportivas inviável.

“A lei de apostas esportivas vai tratar exclusivamente das empresas sediadas no Brasil em um futuro próximo. O problema é o seguinte: NetBet se instala no Brasil e começa a operar. Muito bem, o site que decidiu não vir operar no Brasil, está operando lá fora com o domínio .com; e esse cara esta oferecendo para o mercado brasileiro, através de um contrato de apostas celebrado no exterior; bingo, roleta, poker, Black jack, tudo dentro do site dele. Mas, a NetBet não pode oferecer nada disso porque a nossa legislação esta condicionada a apostas esportivas. O que o cara de fora faz? Ele canaliza daquele lucro que ele tem com outras atividades para subsidiar melhores odds que os da NetBet que está no Brasil; e o apostador não tem tamanha fidelidade. Então, quando ele ver que o Brasil está pagando R$ 2 para o Flamengo e o estrangeiro está pagando 2,70, ele vai para o 2,70 e em pouco tempo essa operação estruturada no Brasil está fadada ao insucesso”, afirmou.
 



Witoldo concluiu dizendo que a pressão política do mercado do futebol a favor da legalização total dos jogos é importante para evitar esse cenário e convidou os participantes a procurar os deputados de sua região para mostrar a importância da atividade e de sua legalização. “O que a gente precisa que os senhores façam é que batam no gabinete do vereador, do prefeito, do deputado estadual, federal; porque o futebol tem uma força política brutal, e explicar para eles: ‘Está errado’. Vai ter uma audiência pública no dia 22, na comissão de Esporte, para tratar sobre o que eu expliquei e a gente precisa que todo mundo esteja lá. Porque se a gente não pressionar aqueles congressistas vai sair uma regulamentação torta”.

A questão da integridade no futebol também foi tema do painel. Ricardo Magri explicou o trabalho que foi feito pela empresa junto a federações como a FIFA, Comembol, e no Brasil, com a CBF e a Federação Paulista de Futebol, onde a tecnologia consegue identificar combinando apostas incomuns em jogos realizadas em algum lugar do mundo com ações de atletas, árbitros, entre outros, nos mesmos jogos em que essas apostas incomuns foram notadas e assim avisar as federações e impedir a manipulação dos resultados.

Segundo ele, esse trabalho ajudou a limpar a imagem da atividade no país, demonstrar a preocupação dos próprios operadores com o problema, a aproximar os operadores das federações resultando nos primeiros patrocínios de casas apostas a competições. “Aqueles primeiros eventos que tiveram o verdadeiro pioneirismo de patrocínio, foi a marca Bumbet na Copa Sulamericana da Comembol, a Bodog na Copa do Brasil, e a Federação Paulista com a Bet90 há dois anos; foram todas intermediações que as federações nos pediram a partir de que elas entenderam que o mercado era saudável, positivo e que estavam maduros para abraçar as empresas para participar do negócio futebol contribuindo com algo mais legitimo que é o patrocínio”.
 



Magri também salientou a importância da consciência dos clubes para o monitoramento da manipulação dos resultados. Ele relatou casos em que o próprio presidente do clube usa a instituição para “cassinar” e fraudar resultados prejudicando assim a competição que disputa.

Concluindo o debate Maria Noel Pais falou sobre os próximos passos da NetBet no Brasil, relatando algumas dificuldades de operação no país, mas, confiando em uma boa regulamentação que trará ainda mais empresas para atuar no país.

“A gente tem pensado em continuar fazendo parceria com outros clubes, de fato, eu falo parcerias porque a gente esta fazendo em conjunto com os clubes que estamos patrocinando ações para dar valor agregado aos fãs o que no final acaba sendo mais importante que o patrocínio na camisa. A NetBet quer continuar investindo, mas, investir no Brasil nesse momento complicado é mais um ato de confiança de que existem pessoas que querem que o mercado seja regulamentado. Existem muitas barreiras, métodos de pagamentos, confiança no site, e, além disso, que os sites de gambling são mal vistos. Apesar de todos esses contras, o Brasil tem um mercado muito grande, nós queremos estar aqui e com a regulamentação mais empresas vão querer estar”, concluiu María.

Fonte: Exclusivo GMB