SEG 16 DE SETEMBRO DE 2019 - 21:49hs.
No Esporte S/A

Rádio Globo debate a entrada de empresas de apostas no futebol brasileiro

O programa apresentado pelos jornalista Carlos Eduardo Evoli e Francisco Aelo, debateu no último sábado a chegada das casas de apostas esportivas como patrocinadoras de clubes e competições no futebol brasileiro. Com duas entrevistas a especialistas no assunto a atração falou sobre a legalização da atividade, integridade nas competições, arrecadação de impostos e movimentação financeira; e o futuro da relação entre o futebol e as empresas de jogos.

No primeiro bloco o entrevistado foi Marcel Belfiore, advogado especialista em direito esportivo e sócio do escritório Ambiel, Mansur, Belfiori e Malta Advogados. Ele começou explicando que o movimento de patrocínio das casas de apostas no futebol brasileiro teve inicio com a promulgação da lei 13.756, que legalizou certos jogos de apostas, especialmente a aposta em eventos esportivos reais em que o apostador sabe no momento que faz a aposta suas possibilidades de ganho financeiro e derrubou uma regulamentação do CONHAR, órgão que regulamenta a atividade publicitária no Brasil, e que não permitia qualquer patrocínio ou  publicidade que pudesse induzir a atividades ilegais e trouxe segurança para as empresas investirem no país.

“Agora as empresas tem muito mais segurança de realizar o patrocínio inclusive na camisa de clubes, em placas de publicidade estática, ela tem muito mais segurança por eu não se trata de um atividade ilegal. Agora, ainda que não plenamente porque a gente não sabe quais vão ser os requisitos, inclusive no ponto de vista de publicidade, quando a regulamentação da lei sair, mas, por enquanto o esporte brasileiro está de portas abertas para receber esse patrocínio das casas de apostas”, afirmou Belfiori.

O advogado também falou sobre a importância da lei para distribuição de recursos oriundo da atividade que agora beneficia os apostadores, os clubes e o próprio governo. “Na questão de movimentação financeira já vai haver um aumento natural. Além disso, o governo passa a ter um benefício com isso, que é justamente na questão tributária. Aquilo que hoje não é tributado, que são justamente as empresas que estão no exterior e não pagam nenhum importo aqui e tão pouco pagam os apostadores, a maioria deles não declara uma atividade ilegal e portanto não declara esses ganhos. Além disso, abre o espaço para o licenciamento para clubes e federações que hoje tem seus escudos e imagem usados por esses sites”.

Bolfiori também falou sobre a questão da integridade no esporte que agora também passa a ser responsabilidade do Estado. “A lei que legaliza essa atividade também é benéfica nesse sentido porque agora dá muito mais possibilidade e legitimidade para o governo de fiscalizar as apostas, controlar isso melhor, do que quando essa atividade era considerada ilegal e não existiam seque órgãos que tivessem capacidade para realizar esse tipo de fiscalização. Então, nesse aspecto melhora muito”.

Ele também falou sobre o futuro desses patrocínios e afirmou que o Brasil caminha para um cenário parecido com o da Europa, onde grandes ligas já tem a maioria dos clubes patrocinados por essas empresas. “Agora nós somos um potencial alvo dessas empresas e acho que elas vão vir fortes. Do ponto de vista de patrocínios, se não houver muitas restrições, acho que é um marco na questão dos patrocínios de clubes que vai crescer e nós vamos ver um cenário muito parecido com o que se tem na Europa”, concluiu.

O segundo bloco do programa Esporte S/A foi dedicado a explicar o caso de manipulação de resultados que foi descoberto na primeira divisão do futebol espanhol envolvendo grandes clubes como Valência, Huesca e Valladolid. O jornalista do diário AZ de Madri, Fernando Calaz, foi o convidado e explicou a participação das empresas de apostas para identificação das possíveis manipulações que deram inicio a investigação que resultou o no caso.

Ele também falou sobre o envolvimento de jogadores sendo garotos propagandas de casas de apostas esportivas na Europa. Segundo o jornalista, esse cenário é muito comum na Europa e que depende da índole de cada individuo para ser bem sucedido e não prejudicar o esporte. Calaz também relatou que, nos Estados Unidos, em competições como a NFL esse tipo de acordo não é permitido e destacou a importância de uma fiscalização forte.

“Acho que havendo fiscalização, como foi no caso aqui da Espanha, quando alguém tenta burlar ou se aproveitar desse sistema, deve ficar preso, como realmente esses jogadores espanhóis foram presos aqui nessa semana”, afirmou o jornalista.

O programa Esporte S/A é um bate-papo sobre o que acontece fora das quatro linhas, no campo dos negócios esportivos, com os convidados mais reconhecidos do mundo do marketing esportivo e das finanças corporativas. Ele é transmitido pela Radio Globo todo sábado e também pode ser ouvido na integra através dos podcasts no site da emissora.

Fonte: GMB/ Rádio Globo