LUN 6 DE JULIO DE 2020 - 18:11hs.
Bernardo Chena, gerente regional Latam

“Com ambiente regulamentado, a Codere planeja retornar ao Brasil e operar em formatos omnichannel”

Codere é um dos mais importantes operadores de jogo integral do mundo, com mais de 35 anos de experiência e presença em 8 países da Europa e América Latina. No Brasil, foram 15 anos da companhia no segmento do turfe. Em entrevista exclusiva ao Games Magazine Brasil, Bernardo Chena, gerente regional da América Latina, confirmou a reunião no Ministério da Economia e detalha como a empresa espanhola retornará ao país se a regulamentação for adequada.

GMB - Qual visão tem do mercado brasileiro de Jogo? Quais áreas são as que mais interessam à Codere para focar o negócio?
Bernardo Chena - Como é de público conhecimento, o desenvolvimento de negócio da Codere está exclusivamente associado aos mercados regulados. Sempre estamos pendentes da evolução das distintas normativas de jogo com o objeto de seguir crescendo em um marco legal, que seja atrativo e sustentável.

Para Codere surgiu um alto interesse no mercado brasileiro há muitos anos. Operamos aqui por quase 15 anos em um segmento de mercado relativamente pequeno esperando, ansioso, a aprovação de um marco normativo que permita o desenvolvimento de negócio do tamanho e potência que deveria corresponder a um país da magnitude do Brasil.

O mercado do Brasil possui, sem dúvidas, um alto potencial de desenvolvimento. Uma adequada regulação e uma correta implementação permitirão avançar criando valor de maneira significativa, gerando crescimento econômico em todas as regiões do país, permitindo aos distintos níveis do Estado “proteger” a sua população e gerar recursos para serem utilizados nas suas políticas públicas.

A Codere é uma operadora de jogo completo, com mais de 35 anos de experiência e presença em 8 países da Europa e América Latina, que gerencia:

  • 56.764 Máquinas Caça-níqueis
  • 2.760 Pontos de Mesas
  • 8.446 Terminais de Apostas Esportivas
  • 29.612 Pontos de Bingo
  • 4 Hipódromos

Procuramos operar em formatos omnichannel. Acreditamos que dessa maneira é fornecida a melhor experiência para o cliente. É o formato que consideramos mais atraente e que gostaríamos de desenvolver no mercado brasileiro, caso a regulamentação autorizada o permita.

Reuniram-se com o Ministério da Economia em Brasília. Que impressão tiraram? Ouviram o que esperavam para confiar em um investimento no país?
Na semana de 9 de dezembro, estivemos em Brasília com os funcionários do Ministério da Economia/ SECAP. Encontramos uma equipe profissional muito preparada e bem informada sobre o problema do jogo, que nos informou sobre sua decisão de avançar nos próximos meses com o regulamento detalhado da Lei nº 13.756, com o objetivo de conceder as primeiras licenças de operação antes do final do ano de 2020.

Os funcionários nos disseram para estarmos cientes das fraquezas e problemas que isso implica em termos de sustentabilidade dos negócios e interesse por parte dos operadores que desejam entrar no mercado regulamentado. No entanto, dadas as dificuldades que poderiam estar envolvidas na obtenção das modificações necessárias no poder legislativo, eles preferiram avançar dessa maneira.

A lei do Brasil recebeu muitas críticas por seus altos impostos e até o próprio Ministério deseja modificá-la mais tarde. Qual a opinião da Codere sobre isso? O negócio ainda é viável?
De fato, a lei tem certos aspectos que não são favoráveis ao desenvolvimento de um mercado jurídico sustentável. Acreditamos que os impostos levantados são altos (provavelmente acima de 45% no GGR em alguns cenários). Além disso, os impostos e taxas regionais existentes (ISS, PIS, CONFIS, etc.) devem ser adicionados.

Da mesma forma, o fato do imposto, conforme regulado, ter como base tributável o volume de apostas e não o resultado bruto das apostas, não é uma questão menor. Essa definição, além de significar uma dissociação entre a carga tributária, os resultados e os fluxos de caixa dos operadores, pode levar a um nível tributário muito difícil de sustentar.

Mesmo para os jogadores, o contexto que seria criado desencoraja o jogo através dos formatos autorizados. O imposto sobre o prêmio também acaba sendo alto. Os clientes podem se sentir motivados a encontrar fontes mais baratas de entretenimento.

A penetração do negócio de apostas esportivas no Brasil por operadores não autorizados por vários anos não pode ser ignorada. Essa atividade é muito naturalizada e presente no cotidiano do povo brasileiro, é claro que a grande maioria do público não considera ilegal a atividade. Conseguir uma mudança de percepção exigirá muitos esforços.

Em um momento, Codere trabalhou duro no Brasil com os hipódromos. O que aconteceu para se retirarem desse negócio e praticamente saírem do mercado local? Hoje, como vocês veem essa modalidade?
A operação da Codere no Brasil estava vinculada aos principais Jockey Clubs para sua operação de Simulcasting Internacional, permitindo apostas em corridas feitas fora do país. A Companhia, graças à sua experiência no setor (opera diretamente o Hipódromo das Américas (México), o Hipódromo Presidente Remón (Panamá), o Hipódromo Nacional de Maroñas e o Hipódromo Las Piedras (os dois últimos no Uruguai) e seus excelentes procedimentos de gerenciamento forneceram fórmulas bem-sucedidas para a revitalização desse ramo, que no final dos anos 90 estava em profunda crise.

A Codere entrou no mercado brasileiro em 2005 em uma das poucas linhas de negócios habilitadas pelo marco regulatório em vigor na época. Nesse contexto, assinou convênios com o Jockey Club Brasileiro no Rio de Janeiro e o Jockey Club do Rio Grande do Sul. Esse modelo de negócios não gerou os resultados esperados e, por isso, a Sociedade decidiu transferi-lo, mantendo certos acordos com alguns dos Jockey Clubs.

O Brasil é um mercado muito particular em questão de idioma, dimensões, costumes… Você acha que alguns dos negócios da Codere na América Latina são replicáveis no Brasil?
Sem dúvida, nossa experiência anterior no país desde 2005, nosso know-how e nosso posicionamento nas diferentes geografias da América Latina nos dão uma visão ampla do mercado como uma das principais empresas de jogos privados.

Da mesma forma, nossa experiência no canal de varejo, onde a Codere é líder em vários mercados com salas de jogos e apostas esportivas, contribui para o esforço realizado na última vez em que a Empresa aumentou sua competitividade na atividade online, reforçando uma equipe internacional que definitivamente empurrará a Codere nessa direção.

Em todas as nossas operações, essa vasta experiência é fortemente reforçada com a incorporação de talentos locais, entendendo as realidades de cada uma das regiões.

Antes de irem para Brasília, passaram pelo OGS de São Paulo. Qual impressão o evento causou e como sentiu o resto das empresas em relação à expectativa pela abertura no Brasil?
A participação no fórum foi muito interessante, nos permitiu fazer contato com várias partes interessadas e trocar ideias e perspectivas. Além disso, me deixe destacar e agradecer a excelente organização.

Qual pode ser o diferencial da Codere para conquistar o jogador local?
Conhecida desde a operação no território há cerca de 15 anos, possui uma vasta experiência no setor de jogos em suas diversas atividades presenciais/ online (máquinas, apostas esportivas, salas de jogos, pistas de corrida) em diferentes países e a possibilidade de ter uma equipe profissional preparada, nos dá todas as garantias para iniciar nossa atividade nessa região.

Nossa gestão baseada fortemente no cliente como um centro, apoiada por uma plataforma robusta e amigável, com uma ampla gama de produtos, nos permite confiar que podemos ter sucesso em mercados altamente competitivos. Nosso compromisso com a operação em mercados regulamentados também nos permite oferecer ao jogador atributos de segurança e confiança.

Qual o balanço de 2019 para a Codere em geral? Foi um ano agitado, com mudanças para a empresa?
O ano de 2019 foi certamente um ano intenso. O setor, na maioria dos nossos mercados, está passando por um estágio complexo de crescente pressão fiscal e regulatória. A situação econômica na Argentina ou no México também tem sido um desafio para o grupo. Apesar desse ambiente complexo, a companhia continuou com sucesso seu plano de negócios, lucrando com a operação espanhola e também alcançando crescimento nos negócios online, Itália ou Uruguai. Simplificamos e globalizamos nossa estrutura e estamos no processo de unificar nossa marca, o que facilita a adaptação a um ambiente cada vez mais global, eficiente, desafiador e digitalizado.

2020 promete ser um ano de grandes desafios. Além de continuar nosso plano de transformação e finalizar nossa reorganização de estruturas e processos, a Companhia concentrará esforços no refinanciamento de dívidas e na adaptação às mudanças regulatórias em vários de nossos mercados, enquanto aguardamos oportunidades que um potencial possa apresentar. regulamentação de jogos online no Brasil, Argentina e outros mercados. A empresa também possui um importante roteiro para o desenvolvimento de suas atividades de responsabilidade social, com o objetivo de promover, nos diferentes países em que atua, políticas públicas que favoreçam a garantia do usuário, garantam a proteção de grupos vulneráveis ​​e asseguram a sustentabilidade da indústria.

Você acha que 2020 é o ano do retorno de Codere ao Brasil?
Seria muito interessante para a empresa valorizar nossa atividade lá. Nós realmente dependemos do desenvolvimento regulatório necessário que finalmente está ocorrendo e que ele realmente tem o apelo de mercado necessário. O Brasil é - sem dúvida - um mercado de grande potencial e interesse, e acreditamos que melhorará a atividade em um ambiente jurídico, que oferece todas as garantias e segurança jurídica para que firmas como a Codere confiem em seus investimentos e capacidade no país.

Fonte: Games Magazine Brasil