QUA 26 DE FEVEREIRO DE 2020 - 15:54hs.
Frédéric Fausser, CEO da Samba Agency

"Tem clubes europeus interessados em parcerias com casas de apostas brasileiras”

Samba Agency, empresa norte-americana especializada em ativação de marca, estratégia digital e parcerias, trabalha com líderes internacionais reconhecidos, como PSG, F1, Liverpool, Manchester City e Bundesliga. A nível local, a companhia já ajudou a montar a colaboração entre Evair, Guarani e LeoVegas e ações com influenciadores no BetMotion. Em entrevista exclusiva com o GMB, Frédéric Fausser, CEO e fundador, assegura que os grandes clubes europeus têm, hoje, mais fãs no Brasil do que vários times grandes da série A. “Nosso objetivo é estabelecer esta conexão entre os dois”, explica Fausser.

GMB - A Samba Agency é uma agência reconhecida mundialmente. Conte-nos pontualmente quais serviços ela oferece no mercado brasileiro?
Frédéric Fausser -
A Samba é uma agência norte-americana com presença local no Brasil e na América Latina. Oferecemos ao cliente conteúdo e iniciativas localizadas para aumentar a visibilidade e as conversões da marca em vários mercados. Trabalhamos com grandes títulos internacionais como PSG, Fórmula 1, Liverpool, Manchester City ou Bundesliga.

Na apresentação da Agência, há uma presença de recursos para serviços digitais e de relações públicas no Brasil. Em que consiste esses serviços digitais que oferecem ao mercado local?
Acreditamos que uma estratégia digital criativa é fundamental para o sucesso de uma marca internacional em um mercado novo e competitivo como o Brasil. Não é apenas sobre o conteúdo, mas a maneira como você usa o que foi criado. Você precisa entender perfeitamente o seu público, ter um forte relacionamento com influenciadores, mídias ou marcas para ativar seu conteúdo e sempre focar no desempenho através de KPIS detalhados. A produção de vídeo, story telling e a segmentação de material informativo é o nosso grande foco na Samba.

Você poderia nos contar sobre ações e campanhas recentes que realizaram no Brasil?
Sempre usamos o poder das ativações offline para alavancar a presença digital dos nossos clientes. No ano passado, propusemos ao PSG patrocinar um bloco no Carnaval. Tivemos um ótimo retorno com mais de 40 mídias envolvidas no compartilhamento da iniciativa. Também organizamos uma experiência única em Paris para a UCL (UEFA Champions League) em parceria com o Esporte Interativo, com um resultado de 500.000 leads qualificados gerados por meio de um concurso. Também estamos ajudando a produzir conteúdo de vídeo local para a Bundesliga e Manchester City no Brasil. Na parte de apostas, montamos uma parceria entre Evair/ Guarani e LeoVegas, ações com influenciadores no BetMotion, além de produzir tutoriais em vídeo porque o mercado também precisa ser educado.

A partir da legalização das apostas esportivas, quanto cresceu o interesse desses sites no mercado brasileiro com base na experiência da Samba?
Já estamos ajudando várias casas de apostas porque conhecemos perfeitamente a audiência brasileira e como deve proceder uma marca estrangeira para atingir de forma eficiente o mercado. Por enquanto, vemos muitas iniciativas, mas pouca criatividade. Será certamente o grande desafio das maiores marcas de apostas que ainda não entraram no mercado.

Sempre temos a ideia de que são as casas de apostas que procuram clubes ou embaixadores para ações de marca, mas isso também está acontecendo ao contrário, certo? Os clubes e os personalidades estão precisando que os sites de apostas se aproximem para fechar acordos?
Vejo que os clubes, hoje, têm poucos recursos e estrutura para prospectar marcas internacionais. A maioria dos deals foram feitos por intermediários ou a casa de aposta diretamente. Para mim, os resultados são muito longe do esperado porque os times não têm ainda a preocupação de ativar de forma correta os parceiros deles. Eles estão em modo "sobrevivência". E é aí que a nossa agência entra e ajuda desde o início a definir um verdadeiro plano de ativação que envolve, por exemplo, as plataformas digitais do clube.

Os site de apostas têm clubes muito populares e poderosos como clientes em todo o mundo. Eles expressam seu interesse no Brasil procurando patrocínios locais de casas de apostas para gerar mais engajamento?
Sim, tem vários clubes europeus que estão atualmente interessados em fechar um patrocínio regional com uma casa de aposta. Grandes times europeus têm hoje mais fãs no Brasil que vários dos maiores da série A. Nosso objetivo é estabelecer esta conexão entre os dois.

Quais são as ações e serviços da marca que as casas de apostas mais procuram na sua agência?
Produção digital, consultoria e ideias de campanhas para ativar a marca.

Você acha que as maiores casas de apostas do mundo, que ainda não chegaram ao Brasil, farão isso massivamente após a regulamentação?
Penso que sim, pois o Brasil é um mercado massivo. Mas vejo também a importância dos clubes e agências evoluírem para entregar um serviço qualitativo com resultados.

Hoje, vemos um boom de patrocínios de grandes, médias e pequenas empresas de todo o mundo em campeonatos estaduais, clubes, estrelas... Isso é uma espécie de “moda” ou é um crescimento maduro e normal que continuará? Como especialista, qual a sua visão de mercado para o futuro?
A maioria dos clubes brasileiros tem problemas econômicos. Colocam um monte de marcas na camisa por 3 meses. Quando acabam os campeonatos estaduais não têm mais calendários, os jogadores ficam desempregados... Falta profissionalismo dentro dos clubes, pois o estatuto é associativo, quem manda são os políticos e os sócios. Com a nova lei de clube-empresa e a chegada de investidores internacionais, penso que a mentalidade vai mudar e as marcas vão se beneficiar. Um bom exemplo é o Red Bull Bragantino que vai jogar a Série A.

As apostas esportivas sempre existiram, mas só agora são legalizadas no Brasil. Como você vê o relacionamento dos fãs e do público com eles? Existe um trabalho forte de ações de marketing e marca para mudar a imagem negativa que eles possam ter em alguns setores da sociedade brasileira?
Por enquanto, vejo muita dificuldade. É importante interagir com os fãs brasileiros com conteúdo diferenciado, não relacionado só com a marca ou as apostas. A marca tem que trazer algo diferente, tem que pensar no lado social, em benefícios, em parcerias inteligentes. A casa tem que pensar: "qual valor agregado posso acrescentar ao público brasileiro a longo prazo"? Isso para mim é a única opção para "converter" pouco a pouco novos fãs em clientes de aposta.

Fonte: Exclusivo Games Magazine Brasil