DOM 23 DE FEVEREIRO DE 2020 - 14:00hs.
Olavo Sales da Silveira, presidente da ABRABINCS

“A taxação prevista nas apostas torna quase inviável a prática e instalação da indústria no Brasil"

Durante o ICE London 2020, o Brasil se fez presente com diversos empresários e especialistas da área. O presidente da ABRABINCS (Associação Brasileira de Bingos, Cassinos e Similares), Olavo Sales da Silveira, representou o país no ciclo AMPERSAND promovido pela Clarion. O GMB realizou uma entrevista exclusiva com da Silveira, que revelou sua percepção sobre a evolução da feira, a visibilidade mundial do mercado brasileiro de jogos e o que deve ser mudado no PL que regulamenta as apostas esportivas.

GMB - Como vê a evolução da ICE durante os anos?
Olavo Sales da Silveira -
Primeiramente, temos que fazer o registro de uma mudança da exposição. Há 5 anos, os pavilhões eram dominados por equipamentos, máquinas, caça-níqueis e estrutura voltada para ambientes de cassino e correlatos. Hoje, a feira mudou radicalmente. O domínio é amplamente feito por equipamentos e softwares voltados para apostas esportivas e jogos eletrônicos.

Como devemos interpretar essas mudanças que você notou no ICE?
O novo cenário muda até a configuração dos estandes e as grandes companhias que, nos eventos anteriores, colocavam em primeiro plano máquinas e equipamentos, hoje, procuram parcerias ou desenvolver plataformas para controle e ofertas de jogos em ambiente eletrônico.

Essa mudança influencia na visibilidade mundial que o Brasil tem nessa área?
Isso faz com que o segmento do mundo volte os olhos para o país, que até agora não autorizou essa indústria na modalidade jogos de entretenimento e lazer. Só temos loterias operando. Fora que é um país-continente. Então existe um grande interesse porque está em análise e aguardando a regulamentação das apostas esportivas no Brasil.

Acredita que o conteúdo que foi mostrado até agora do projeto de lei para apostas esportivas é eficiente para abrir investimentos no mercado brasileiro?
Temos a lamentar a falta de vivência das autoridades porque a proposta de tributação incide sobre o giro de apostas e isso multiplica a taxação por inúmeras vezes, o que torna praticamente inviável a prática e instalação de uma indústria enquanto o Brasil não aprender que turnover é um dinheiro que não existe, pois gira em alta velocidade entre o apostador, a máquina ou a casa e que retorna rapidamente para o jogador. Enquanto não se corrigir essa percepção do que é receita e do que é giro, é muito difícil se consolidar uma legislação no Brasil que permita a instalação de grandes investimentos.

Fonte: Exclusivo Games Magazine Brasil