MIÉ 15 DE JULIO DE 2020 - 02:38hs.
De acordo com federações estaduais

Rio de Janeiro planeja o retorno do futebol, enquanto em São Paulo há maior cautela

Enquanto no Rio de Janeiro o prefeito Marcelo Crivella e clubes como o Vasco e o Flamengo defendem a volta de treinos e jogos - inclusive, conversam sobre retornar a competição em junho -, em São Paulo, a situação é diferente. Lá, os líderes estão mais alinhados e pretendem esperar para retomar o campeonato paulista. O decreto de quarentena do Governo Estadual de São Paulo é válido até o próximo domingo (31) e há a possibilidade deste prazo ser prorrogado.

Rio de Janeiro planeja o retorno do futebol, enquanto em São Paulo há maior cautela

Foto: GloboEsporte.com

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Uma reunião entre a prefeitura do Rio, a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) e clubes que disputam o Campeonato Carioca, realizada no último domingo (24), debateu um plano para a volta do futebol carioca. Dirigentes presentes ao encontro - Fluminense e Botafogo não enviaram representantes - informaram que os treinos devem ser liberados a partir de terça-feira, e os jogos sem público, a partir de 14 de junho.

A mudança no panorama do Carioca começou com os testes dos clubes pequenos, realizados nos últimos dias, e passou por viagens a Brasília tanto do prefeito Marcelo Crivella quanto dos presidentes de Flamengo e Vasco. Eles se reuniram com o presidente da República, Jair Bolsonaro, que defende a volta dos jogos.

No domingo (24), o prefeito avisou aos clubes que o estado está no pico da curva e inicialmente sugeriu a volta dos treinos no dia 8 de junho e dos jogos no dia 10 de julho, dando tempo para amenizar a crise sanitária causada pelo novo coronavírus. Mas a pressão pela liberação imediata - liderada por Flamengo e Vasco, com apoio da Ferj e dos clubes pequenos - fez efeito, e o prefeito cedeu.

O Flamengo já voltou a treinar no gramado do Ninho do Urubu na última terça-feira, mesmo sem autorização. Para esta semana, o clube anunciou que os treinos estão mantidos, incluindo o desta segunda.

"Houve pressão do Flamengo e do Vasco, mas todos pequenos também querem a volta. Em julho não podia voltar porque o Brasileiro já vai entrar por janeiro. Precisamos voltar em junho”, disse o presidente do Madureira, Elias Duba.

O presidente do Vasco, Alexandre Campello, não confirmou as datas exatas de retorno dos treinos e dos jogos, mas referendou a ideia de meados de junho para a volta das partidas do Carioca.

"Na realidade, a gente está tratando muito de como voltar, da forma como o futebol vai voltar. Mas com uma tendência de o futebol voltar a ser jogado no meio de junho. Isso ainda está sendo discutido, nesse momento está liberado para volta da fisioterapia e de alguns exercícios ligados à fisioterapia. Ainda está sendo discutida a volta efetivamente aos treinos, mas com um pensamento de o futebol voltar a partir do meio de junho”, revelou Campello.

Apesar da liberação do prefeito Marcelo Crivella para o retorno das atividades e do arbitral da Ferj para a retomada do Campeonato Carioca, o Fluminense não mudou a sua programação e manteve os treinos de casa dos jogadores até o próximo domingo, último dia do mês, como estava previsto. Foram realizados testes físicos nesta terça, que são habituais em todo início de pré-temporada ou após longo período de inatividade e, por ora, o elenco tricolor segue sem previsão de voltar ao CT Carlos Castilho.

Até o fim da semana, haverá uma reunião com atletas, comissão técnica e diretoria para definir as diretrizes para a primeira quinzena de junho – que servirá como intertemporada se for confirmada a data da volta do Carioca para o dia 14. Crítico do movimento dos demais clubes para o recomeço do Carioca, o presidente Mário Bittencourt defende que ainda não é o momento de voltar às atividades presenciais no Rio por questões humanitárias e jurídicas. Se um jogador for testado negativo para o coronavírus e infectado após o retorno aos treinos, a responsabilidade será do próprio clube.

Em nota divulgada após a reunião, a Ferj comunicou que "o prefeito revelou que o Comitê Científico (da prefeitura) classificou como irrepreensível o Protocolo Jogo Seguro de retorno aos treinamentos, produzido pela Ferj e os médicos. Houve entendimento de que, sob a orientação e acompanhamento dos clubes, os jogadores estão mais bem cuidados e em maior segurança.”

Ainda no texto, a nota da Ferj diz que existe a "previsão de volta do futebol possivelmente para meados de junho, mas sem público, os clubes devem progredir, passo a passo, com fase de avaliação clínica, testes físicos, exercícios de reabilitação dos efeitos da inatividade muscular e atividades de recuperação da capacidade laborativa”.

Em SP

Diferente do Rio de Janeiro, os grandes clubes de São Paulo mostraram sinal de união em encontro, realizado por videoconferência na tarde desta terça (26), organizado pela Federação Paulista de Futebol (FPF).

No encontro, os presidentes de São Paulo (Carlos Augusto de Barros), Corinthians (Andrés Sanchez), Santos (José Carlos Peres) e Palmeiras (Maurício Galiotte) apresentaram discurso afinado. O tom da reunião foi de agir com cautela e respeito às orientações das autoridades de saúde, priorizando a manutenção da saúde e recomeçando o Campeonato Estadual quando for possível. Nenhuma data foi apontada para o reinício da competição.

A ideia é fazer testes conjuntos para o novo coronavírus nos jogadores e elaborar uma agenda de treinamentos, sempre seguindo as orientações dos órgãos de saúde. O futebol em São Paulo e em todo território brasileiro está parado desde meados de março.

O decreto de quarentena do Governo Estadual de São Paulo é válido até o próximo domingo (31) e há a possibilidade deste prazo ser prorrogado, dependendo da curva da pandemia de cada município.

Fonte: GMB/ GloboEsporte.com/ Hojees.com.br