DOM 25 DE OCTUBRE DE 2020 - 02:48hs.
Pedro Lucas, business owner da Apostaonline.com

“A liberação dos outros jogos é fundamental para o Brasil na crise financeira em que estamos”

Pedro Lucas está no ramo das apostas esportivas há mais de 16 anos. Em uma conversa exclusiva com o GMB, o Business owner da Apostaonline.com e diretor executivo da WEJOY Brasil afirma que a regulamentação da atividade deve ser inspirada no modelo do Reino Unido e acredita que “limitar a 30 empresas propiciará uma boa arrecadação”. Além disso, ele opinou sobre o boom dos eSports no início da pandemia e muito mais.

GMB - Você trabalha há mais de 16 anos na área de apostas esportivas no Brasil e disse ter sido o primeiro a promover esses tipos de sites por aqui. Qual evolução você vê no marketing dessa indústria no país?  
Pedro Lucas -
Quando comecei com as apostas 16 anos atrás, era um mundo totalmente diferente, tanto na questão de uso dos sites quanto na questão do marketing mesmo. A internet ainda estava engatinhando no Brasil e a questão do marketing de apostas esportivas não existia na época, não havia nenhuma informação para o público brasileiro. Quem tinha necessidade de conhecer mais sobre essa segmentação tinha que buscar conteúdos em sites em língua inglesa e poucas informações já estavam disponíveis em alguns sites portugueses.

Hoje, a indústria e o jogo online evoluiu e realmente se profissionalizou, facilitando pros usuários de todas as formas. Evoluímos em informações, conhecimento, facilidade de depósitos e saques. Quando criei meu primeiro site de promoção do jogo online, tinha que ensinar aos usuários como depositar, como sacar, como fazer cadastro. tudo isso evoluiu demais e se tornou muito mais fácil do que era quando comecei.

A regulamentação das apostas esportivas está em pauta faz tempo. Acredita que assim que sair essa regulação, ela trará benefícios para todos os envolvidos (Estado, operadores e público-alvo)?
Essa questão é bastante polêmica, e já falei sobre isso em alguns painéis que participei nos eventos da indústria. Eu sempre digo que a regulamentação tem que ser feita atendendo os três pilares do negócio, Estado, Operadores e Público. Não podemos fazer uma legislação que seja boa somente para uma ou duas das partes envolvidas, pois podemos incorrer no erro de alguns países que pensaram somente no Estado e esqueceram das outras partes, como é o caso de Portugal, que perdeu seus apostadores porque a legislação de lá é altamente danosa para apostadores e também ruim para os operadores.

Infelizmente pelos primeiros modelos que foram aventados pelos responsáveis pela regulamentação, o modelo português tinha sido usado de inspiração. Houve muita reclamação por parte do público e até mesmo de operadores porque inviabiliza o negócio para ambos. Esperamos que seja feita uma regulamentação mais inspirada no modelo do Reino Unido e menos no modelo português que é alvo de críticas por todos os lados. Mas, de toda forma, a regulamentação trará benefícios para o país, renda, empregos e oportunidades em um mercado que está crescendo de forma que surpreende até mesmo para os envolvidos na indústria por aqui.

Foi colocada pela SECAP a intenção de limitar a 30 licenças para operadores de apostas esportivas no país. Qual seu ponto de vista em relação a isso?
A limitação em 30 operadores não é um problema, na minha opinião, pois abre possibilidade de concorrência e 30 empresas já seria um número bem grande para o nosso mercado. O importante é que sejam firmas sérias, até pra eliminar a imagem ruim que o mercado das apostas esportivas tem no Brasil, uma visão retrógrada que existe na nossa sociedade. O número de 30 companhias vai propiciar uma boa arrecadação pro governo e permite uma concorrência interessante no mercado.

Ao criar a Apostaonline.com, você fez um estudo de campo para saber como oferecer seus produtos num mercado ainda em fase de crescimento no Brasil? Qual conclusão chegou sobre o perfil do apostador brasileiro?
Ao criar o Apostaonline.com, nós estudamos os modelos que nos inspiram no mercado internacional e buscamos adaptar para o mercado brasileiro. O apostador brasileiro é bem peculiar. Empresas de fora que não se adaptam ao mercado daqui estão fadadas ao insucesso. Tudo tem que ser adaptado: linguagem do site, modelos de Bônus, regras e até mesmo os mercados de apostas. 

Temos também no Brasil dois tipos diferentes de apostadores. Temos os apostadores que fazem acumuladas, que são febre, principalmente, no nordeste do país, e os jogadores que fazem apostas de valores maiores e com um estudo maior em cada uma das apostas. Por isso que é importante uma regulamentação que atenda também estes dois públicos que o Brasil possui.

Além de ser proprietário da Apostaonline.com, você também é diretor executivo da WEJOY Brasil, que foi criada para facilitar a conexão entre operadores de apostas e a mídia brasileira, clubes de futebol e o público em geral. Quais empresas dessa área você já ajudou a negociar patrocínios nos últimos tempos? Elas têm tido uma boa visibilidade na mídia nacional?
A WEJOY é uma empresa nova, que criamos no início do ano para fazer essa ligação entre os operadores e alguns contratos que possuímos com companhias de mídia e times de futebol. Estávamos em negociações muito boas com alguns operadores e clubes quando tivemos o advento da pandemia. Mas a firma tem como objetivo inovar nos modelos de contratos entre estes setores, tentando sair do modelo tradicional de patrocínio e buscando resultados mais objetivos, como trabalhar o Branding das empresas e também buscar resultados diretos.

Como você vê o boom das apostas esportivas que vive o Brasil hoje? Dá a sensação de que os clubes estão obtendo benefícios importantes a nível de patrocínios?
Tivemos um crescimento muito grande das apostas no Brasil nos últimos dois anos. Os clubes estão recebendo patrocínios de diversos operadores. Eu acredito que estamos no caminho certo e que o potencial do mercado brasileiro é muito maior do que imaginam. Os times estão tendo benefícios, mas ainda é pouco perto do potencial que os clubes têm de gerar receita.

Com a volta dos eventos esportivos ao vivo, principalmente do futebol, as casas de apostas têm se reerguido após o baque sofrido na quarentena. Os eSports foram um grande destaque durante esse período de paralisação. Acredita que é uma segmentação que vai continuar em alta dentro dos sites de apostas? 
Eu venho acompanhando o crescimento dos eSports no Brasil e no mundo há alguns anos, vejo como o futuro das apostas esportivas. O mercado dos eSports é gigante e o Brasil é um dos maiores mercados do mundo. Durante o período de pandemia tivemos uma atenção maior para os eSports porque este mercado continuou com as competições intactas e foi o que movimentou o mercado de apostas por todo o mundo. 

Além de atender ao público tradicional das apostas esportivas, os eSports possuem um público próprio que está vindo para as apostas esportivas em virtude de patrocínios e campanhas específicas. Certamente veio pra ficar e inclusive já temos muitos sites de apostas específicos para os eSports, com visual e linguagem mais adaptados a este target e que estão com muito sucesso mundo afora.

Acredita que a liberação e regulamentação de vários tipos de jogos (como cassinos, bingos, etc) podem injetar mais investimento nos clubes brasileiros, assim como as casas de apostas têm feito de forma massiva?
A liberação dos outros jogos é fundamental para o Brasil, principalmente no momento que nos encontramos, é uma indústria que gera empregos, que tem um potencial arrecadatório enorme para o país. Com a pandemia e a difícil situação fiscal do país e dos clubes de futebol, esta liberação iria gerar muita receita para todos os envolvidos e ajudar muito na recuperação econômica. 

Sempre gosto de lembrar que não existe o "não jogo", existe o jogo legal e o jogo ilegal. Por isso o Estado deve escolher a opção do jogo legalizado para evitar a ilegalidade e poder arrecadar com isso.

A indústria do jogo de um modo geral está aberta para investir no Brasil, o que é uma oportunidade muito grande para a recuperação econômica neste período pós-pandemia. O trabalho realizado pelo GMB é fundamental para que possamos mudar a imagem do Jogo no Brasil, com informação de qualidade e buscando atrair cada dia mais investimentos para o país.

Fonte: Exclusivo GMB