MAR 27 DE OCTUBRE DE 2020 - 07:05hs.
Especialistas debateram no painel do SiGMA LatAm

Clubes brasileiros precisam saber o que oferecer às casas de apostas patrocinadoras

No segundo dia do SiGMA Americas Digital, as casas de sports betting estiveram no centro do evento, no painel “Efeitos das marcas de apostas esportivas no futebol brasileiro”. Angelo Alberoni (Betmotion), Arthur Silva (Sportsbet.io) e Hugo Baungartner (RCT Gaming) trataram do tema, que teve mediação de Matheus Antunes (Volta Pra Marcar). A opinião de todos é de que o Brasil tem muito a crescer no segmento e os clubes precisam aprender a oferecer o que têm de melhor aos patrocinadores.

Arthur Silva falou sobre o patrocínio da Sportsbet.io ao Flamengo e o quanto a experiência tem sido interessante para a empresa e para o clube. “É o primeiro e único patrocínio na América Latina e gostaria que todos fossem assim. Acredito que o Flamengo está fazendo um ótimo trabalho não só no campo, mas também na área de marketing e parcerias”, atestou.

Segundo ele, a companhia tem feito um mix muito bom, equilibrando com ações na TV digital e TV aberta. “Diria que essa é a liderança da nossa campanha. Estamos muito ligados à marca do time e percebemos que o Flamengo impacta mais fora do Rio de Janeiro do que em seu estado”, disse.

Na sua avaliação, “menos da metade da nossa base de clientes na Sportsbet.io que chegaram por causa do Flamengo é carioca, ou seja, o clube está espalhado por todo o país e foi uma surpresa aprender isso com nosso patrocínio”. De acordo com ele, a firma alcançou sucesso no patrocínio pela abordagem proativa do Flamengo, “que é nosso parceiro e contribui na promoção da nossa marca”.

Arthur Silva disse que os times ainda veem as empresas de apostas como um jackpot, em função de alguns acordos milionários. “Não é isso. O mercado vem se aprimorando a cada ano. No caso do Flamengo, antes mesmo da camisa, tínhamos uma parceria digital, que também foi baseada em desempenho, desenvolvendo uma relação com o parceiro e crescendo com ele”, comentou.

O executivo deu um exemplo sobre a questão do tipo de entrega que um clube pode oferecer. “Tínhamos um contrato com um clube que previa todo tipo de entrega, bem como digital, mídia social e conversão. Então, resolvemos começar uma campanha de email para comunicar aos fãs a parceria. O clube disse que não tinha uma lista de e-mails. Ou seja, não tinham um departamento de marketing adequado. Só queriam que mostrássemos os resultados e ponto final", disse, destacando que o Brasil está mudando, com uma presença digital cada vez maior. “Para apostas esportivas, é preciso envolver o seu público e estar engajado em todas as redes sociais e via campanhas por email ou aplicativo”, explicou.

De acordo com ele, “não basta adquirir o maior clube, mas aquele com melhor engajamento. O patrocínio de camisa tem papel importante, mas a ativação online é fundamental”.

Angelo Alberoni disse que o patrocínio no Brasil com apostas esportivas é um negócio recente e o Flamengo é um caso único. “É importante conseguir sinergia com os fãs. Os clubes estão se preparando para receber um novo tipo de patrocínio. Esse é o problema mais importante no Brasil na atualidade. Após a regulamentação, os níveis de patrocínio chegarão a um nível adequado, mas os clubes precisam saber o que oferecer aos seus parceiros”.

Hugo Baungartner falou sobre a antiga lei que determinava aos bingos que patrocinassem associações esportivas. “Como fornecedores na ocasião, não éramos obrigados a efetuar esse tipo de patrocínio. Ajudamos um time de futebol que chegou à primeira divisão do campeonato paulista. Infelizmente o jogo foi proibido no Brasil, mas deixamos esse ensinamento”, comentou, destacando que os pequenos times precisam muito de patrocínios. “E será muito importante que esses apoios cheguem.  Acho que é possível as empresas de apostas se tornarem não só patrocinadores, mas também investidores em times, quando a atividade estiver regulamentada”.

Matheus comentou ser importante a questão venda dos direitos de TV do Brasileirão, que poderá colocar o campeonato globalmente. “Isso permitirá levar as marcas nacionais a uma presença maior no exterior. Temos de ver, então, como os clubes poderão se preparar para entregar mais às marcas”, atestou.

Alberoni disse que nos últimos 20 ou 30 anos o Brasil teve um modelo único de transmissão do futebol. “Isso foi mudando e neste ano estamos vendo algo importante.  Mas acho que nem todos os clubes no Brasil estão preparados para esse novo momento. Estamos na fase inicial e é incomparável com exemplos da Europa. A ativação do patrocínio não é nada. É importante colocar a marca na camisa, mas é fundamental o envolvimento com a base de fãs e os clubes brasileiros ainda não estão preparados para conseguir essa base”, disse.

Matheus finalizou dizendo que “temos muito a aprender com a Europa. As marcas estão chegando e precisamos ajudá-las, assim como as empresas”.

 Fonte: GMB