MAR 25 DE ENERO DE 2022 - 01:39hs.
CHAVES, TENDÊNCIAS, PREVISÕES E METAS 2022

Thomas Carvalhaes: “Acredito em muitas fusões de empresas de apostas esportivas durante este ano”

O GMB continua com seu ciclo de entrevistas com os empresários líderes da indústria e neste caso, Thomas Carvalhaes, diretor Brasil e Latam da AmuletoBet, oferece suas Chaves, Tendências, Previsões e Metas para 2022. Para ele, o país está no caminho certo de regulamentar todos os jogos de azar este ano e se tornando um mercado cada vez mais visado e competitivo. “Muitas startups operam no Brasil há algum tempo e é bem provável que algumas delas sejam adquiridas ou fundidas por empresas que estão no mercado há mais tempo”, vislumbra Carvalhaes.

Games Magazine Brasil - Quais tendências de avanços tecnológicos você acha que veremos neste ano em seu setor?
Thomas Carvalhaes -
Acredito que especialmente no Brasil estamos um pouco atrás dos avanços tecnológicos que já existem em outros mercados, a começar pela regulamentação. Alguns grandes mercados com uma legislação estruturada apresentam apostas em eSports, apostas em fantasy sports, através de criptomoedas, jogos de NTF. Só quem está envolvido neste segmento se dá conta do tamanho desse mercado no exterior, muito mais avançado tecnologicamente e bastante forte.

Até onde você vislumbra os costumes e as exigências do jogador para satisfazer em 2022?
Nós operadores, provedores de jogos, afiliados e influenciadores, devemos ser muito cuidadosos e seletivos ao tentar atender às exigências. Nem todas são ‘educadas’. Cabe à nossa indústria trazer uma educação para o jogador. A regionalização e a tropicalização são muito importantes, assim como levar em consideração a relevância do contexto cultural de cada mercado, mas tudo tem um limite. É quase impossível atender às exigências de todo o mercado, especialmente no Brasil, com mais de 210 milhões de pessoas. Temos de ser comercialmente astutos e ao mesmo tempo flexíveis para atender os costumes e exigências de cada jogador. Para mim, é uma questão de equilíbrio mais do que ceder e levar tudo em consideração.

Como você acha que a pandemia afetará os resultados dos negócios em 2022?
Vejo com preocupação sob a perspectiva de saúde pública, porém para nós, operadores no meio online, vejo como vimos em 2020, quando tivemos altas históricas no setor de apostas esportivas e de jogos. A tendência permanece a mesma, especialmente porque teremos a Copa da Mundo e, como já vimos, a Libertadores da América, além de outros eventos esportivos. A performance do setor de apostas esportivas será boa, tanto no Brasil como nos outros países, o que poderá não acontecer com as instalações físicas.

 

 

Quais mercados e/ou países você vê como as maiores chances de progresso e oportunidade de crescimento?
São vários. Começo pelo Brasil, pois o país é meu foco. E vislumbro também os Estados Unidos, que está crescendo exponencialmente, onde cada Estado é responsável pela regulamentação e monitoramento das atividades das casas de apostas. O país tem estrutura política e logística para fazer tudo funcionar muito bem e isso tem sido bom para eles. Vejo também como potenciais mercados o México, Chile, Colômbia, Peru e a Argentina. Vejo grandes chances de progresso nesses países e o Peru deve ser o próximo a ter uma regulamentação consistente, que deverá ocorrer muito próximo da regulamentação no Brasil.

Você acha que as restrições de publicidade ao jogo serão aprofundadas globalmente?
É uma questão em que tenho uma opinião muito pessoal. O órgão regulamentador e o Estado devem deixar de lado o papel paternalista, de dizer para o cidadão o que ele deve e o que não deve fazer. Acredito que o Estado não deve se envolver em questões de costumes, religião e hobbies. O papel do Estado não é esse. A restrição da publicidade das atividades de jogos, como vemos na Espanha e em outros países europeus, não muda a postura daquele que quer jogar. Tudo é uma questão de escolha pessoal. Por mais que o Estado tente restringir a publicidade, na Espanha, Reino Unido e Portugal, os números e o crescimento das casas de apostas está aí para comprovar que a escolha do cidadão é soberana.

 

 

O que você imagina para o mercado brasileiro em termos de legislação e regulamentação de jogos de azar?
Acredito que o tema já está bem avançado e o Grupo de Trabalho criado pelo Presidente da Câmara, Arthur Lira, está no caminho certo de regulamentar tudo, inclusive o jogo do bicho. Esse é o melhor caminho e acho importante a retirada das apostas esportivas do projeto, pois é uma dinâmica comercial completamente diferente do jogo de azar. As apostas esportivas não podem ser consideradas como jogo de azar, assim como o poker e até mesmo o blackjack. Em termos de legalização, acredito que isso acontecerá neste ano, mas temos de ficar de olho nas movimentações dos parlamentares e de outras autoridades de Brasília.

Na sua visão de mercado global, você considera que 2022 pretende ser um ano com maior número de fusões ou compras de empresas do que o anterior?
Com certeza, até porque o Brasil está se tornando um mercado cada vez mais visado e competitivo. Os gigantes estrangeiros estão de olho nisso. Existem muitas start ups operando no país há algum tempo e é bem provável que algumas delas sejam adquiridas ou fundidas por empresas que estão no mercado há mais tempo. Então acredito em muitas fusões durante este ano na área de empresas de apostas esportivas.

Você poderia citar três eventos dentro do seu setor que serão fundamentais em 2022? Por que você os escolheu?
Tenho três eventos que considero importantíssimos para o setor de jogos. Um deles é a ICE, que seria em fevereiro e que acaba de ser transferido para abril. Outro é a SBC, que acontece na Europa, além da EGR. Não podemos nos esquecer do BiS, que em sua primeira edição foi fantástico, e que está programado para o meio do ano. Todos eles são fundamentais tanto para expansão quanto para networking.

Fonte: Exclusivo GMB