LUN 2 DE MARZO DE 2026 - 23:12hs.
Passo relevante na estratégia de comunicação do setor

Mercado de bets ganha caderno especial no O Globo e reforça agenda de regulação e Jogo Responsável

O mercado brasileiro de apostas esportivas e iGaming deu um passo relevante em sua estratégia de comunicação institucional ao publicar, na edição de domingo do O Globo, um caderno especial de 14 páginas dedicado ao primeiro ano da regulamentação no país. Produzido pelo estúdio de branded contente, G.Lab, o material reúne dados inéditos, análises regulatórias, entrevistas com autoridades e representantes do setor, além de campanhas educativas voltadas à proteção do apostador.

O especial traça um panorama detalhado do novo cenário regulado, que entrou em vigor em janeiro de 2025, destacando o papel da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda na autorização, fiscalização e combate ao mercado ilegal. Segundo o caderno, o Brasil já figura como o quinto maior mercado de apostas do mundo em receita, com 184 bets autorizadas e mais de 21 milhões de apostadores.

Entre os principais conteúdos estão números de arrecadação — com estimativa de R$ 9 bilhões em impostos federais e R$ 2,5 bilhões em outorgas —, geração de empregos, impacto econômico e destinação social dos recursos do Gross Gaming Revenue (GGR). O material também detalha ações de enfrentamento à ilegalidade, como o bloqueio de sites clandestinos, encerramento de contas bancárias e parcerias com plataformas digitais e órgãos reguladores.

O caderno traz entrevistas com nomes centrais do setor, como Plínio Lemos Jorge, presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), e André Gelfi, presidente do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), que defendem uma regulação equilibrada como caminho para proteger o consumidor e reduzir a atuação de operadores ilegais.

Também há espaço para a visão do governo, com declarações do secretário Regis Dudena e ministros da Fazenda e da Saúde sobre políticas de Jogo Responsável e a plataforma nacional de autoexclusão.

Além do conteúdo editorial, o especial conta com o patrocínio e apoio institucional de marcas e entidades do setor regulado, como Flutter Brazil (Betnacional e Betfair), IBJR, ANJL e eventos internacionais da indústria, reforçando o compromisso com compliance, integridade, publicidade responsável e proteção de menores.

Campanhas educativas como “Chega de bode na sala” e ferramentas como o BetAlert ganham destaque como iniciativas para orientar o público a identificar plataformas legais.

Ao reunir informação, dados econômicos e mensagens de responsabilidade social em um dos maiores jornais do país, o caderno especial sinaliza um movimento coordenado dos operadores legais para consolidar a credibilidade do setor, dialogar com a sociedade e influenciar o debate público em um momento decisivo para o futuro das apostas no Brasil.
 


Mercado de apostas online: adaptação e desafios do novo cenário

Com 184 bets em operação e 70 empresas autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), o Brasil tornou-se o 5º maior mercado mundial, alcançando mais de R$ 22 bilhões em receita e um total de R$ 2,5 bilhões apenas em outorgas. O estudo publicado no O Globo aponta que já são 21,5 milhões de apostadores, quase um quarto da população.

Medidas de combate ao mercado ilegal foram intensificadas, com bloqueio de 25 mil sites e encerramento de centenas de contas. As empresas devem ter subsidiária nacional e sede no país, e o setor deve compartilhar resultados com a sociedade, focando em entretenimento e mitigação de riscos.

Desde agosto de 2024, já foram bloqueados 25 mil sites ilegais no país. No período, a SPA abriu 78 processos de fiscalização contra 101 bets até setembro deste ano e 801 comunicações à SPA sobre transferências a empresas ilegais e 483 contas bancárias encerradas.

Desde o início de 2024, a partir da sanção da Lei 14.790, foram publicadas inúmeras portarias e instruções normativas para regular o mercado. Além disso, duas agendas regulatórias foram publicadas para definir os eixos temáticos de atuação da Secretaria de Prêmios e Apostas, garantindo um mercado sadio, combate ao jogo ilegal, promoção ao Jogo Responsável e promoção de um ambiente regulatório equilibrado.

Desde 1º de dezembro, por exemplo, foi criada uma plataforma única de autoexclusão, para que apostadores com riscos de ludopatia possam ser impedidos de apostar. A medida, criada pela SPA, teve amplo das empresas autorizadas a explorar apostas esportivas e jogos online no Brasil.

Mercado seguro e para diversão

A publicação traz uma entrevista de Plínio Lemos Jorge, presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias. Nela, ele aponta o enfrentamento das bets ilegais como o maior desafio do setor. Segundo ele, o aumento dos impostos sobre a atividade e a recente criação da CIDE-Bets, promove o mercado ilegal, que não paga impostos e segue oferecendo apostas sem a contrapartida dos impostos, que chegam a 40% no caso das empresas autorizadas no Brasil.

Ele destaca que nenhum país do mundo obteve sucesso ao tributar depósitos de apostas e aponta a razão: “ao perceber taxação sobre o valor depositado, o usuário migra para operadores clandestinos. E tem mais: o operador de apostas atua como fiel depositário dos recursos do cliente — que continuam sendo do apostador mesmo após o depósito na plataforma. Tributar essa etapa seria o equivalente a cobrar imposto para que alguém deposite dinheiro em uma conta bancária ou carregue um cartão pré-pago”.

Para o dirigente, o que o Brasil precisa é tornar o mercado mais transparente, seguro e com regras duras de responsabilidade. Além disso, o combate às casas ilegais deve ser intensificado pelo governo, sendo uma das maneiras mais efetivas por meio de estrangulamento financeiro dos sites não autorizados e fechamento de empresas de meios de pagamento que operam com as ilegais.

Apostador como foco

O caderno especial do O Globo destacou a importância do acordo assinado entre os ministérios da Fazenda e da Saúde para a execução de ações integradas e estratégicas voltadas à prevenção, redução de danos e cuidado com a saúde de pessoas que apresentam problemas mentais relacionados às apostas.

A iniciativa tem apoio do setor privado, que já era obrigado a oferecer aos apostadores mecanismos de autoexclusão em suas próprias plataformas e que agora foi ampliado para que o apostador se bloqueie em todas as plataformas.

O documento traz ainda um dado que deve servir de alerta às autoridades. Segundo uma pesquisa do Instituto Locomotiva sobre as apostas ilegais no Brasil, 78% dos apostadores reconhecem que é difícil saber ao certo quais plataformas são regulamentadas. O estudo indica ainda que 87% dos apostadores consideram que o poder público deve combater plataformas irregulares.

Combate à ilegalidade

Andre Gelfi, presidente do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) aponta que em países como Reino Unido, Dinamarca, Itália, Espanha e Suécia "são os países mais bem sucedidos quanto à canalização dos apostadores para o mercado legal. Isso em razão de uma regulamentação equilibrada e tributação justa, que não leve os apostadores para o mercado clandestino".

Para ele, além de aplicar uma tributação que não comprometa a operação de sites regulados, é fundamental que o governo combata operadores que seguem atuando no mercado negro, que ainda domina mais de 50% das apostas realizadas no Brasil.

O IBJR realizou uma ampla campanha na TV e em mídias sociais para reforçar a importância de o apostador conferir se a empresa onde aposta tem autorização do governo para operar. A campanha “bode na sala” simboliza as bets clandestinas para que os apostadores tomem consciência dos riscos em apostas em sites ilegais. Em conjunto com a campanha, foi lançado o hotsite BetAlert, que oferece aos apostadores a possibilidade de checar se a plataforma em que ele pretende jogar é licenciada ou não.

Anúncios devem seguir regras e promover o Jogo Responsável

O caderno explicita a importância de os operadores seguirem regras quanto aos anúncios e a promoção do Jogo Responsável, com ações alinhadas com as determinações estabelecidas pela Secretaria de Prêmios e Apostas e pelo Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar).

O presidente da ANJL, Plínio Lemos Jorge defende o papel da publicidade no combate ao jogo ilegal. “Se eu tirar a publicidade do mercado regulado, acabo com ele e transformo esse país em uma terra de bets ilegais. A propaganda das operadoras legalizadas é a única forma que as bets legais têm de acessar o jogador”, destaca.

O documento aponta ainda os eventos internacionais – ICE Barcelona, iGB Affiliate, SBC Summit e SiGMA Europa – como fundamentais para a consolidação do mercado de jogos globalmente e destaca ainda o SBC Summit Rio e o BiS SiGMA South América, como referências no Brasil para operadores, filiados, reguladores e fornecedores de tecnologias para o setor.

R$ 2,14 bi para áreas sociais no primeiro semestre

No primeiro semestre de 2025, as destinações dos impostos pagos pelo setor de apostas chegaram a R$ 2,14 bilhões, indica um relatório do Ministério da Fazenda que traz os principais indicadores do segmento referentes ao período de 1º de janeiro a 30 de junho.

A quantia arrecadada segue o previsto na Lei nº 14.790, de 29 de dezembro de 2023, que destina 12% da receita bruta a áreas com iniciativas sociais. A arrecadação total do GGR do período — 1º de janeiro a 30 de junho de 2025 — ficou em R$ 17,4 bilhões.

As principais áreas destinadas por lei a receberem os valores arrecadados são esporte (36%), turismo (28%), segurança pública (13,6%), seguridade social (10%) e educação (10%). Cada um desses setores recebeu, respectivamente, R$ 767 milhões, R$ 601 milhões, R$ 290 milhões e R$ 216 milhões para as duas últimas esferas.

As empresas de apostas são contribuintes de outros tributos, como Imposto de Renda, PIS/Cofins, CSLL e ISS. Na avaliação da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), a carga tributária não pode ser alta a ponto de inviabilizar economicamente as empresas legais, nem baixa a ponto de prejudicar a economia.

No total, a carga tributária efetiva paga por empresas de apostas licenciadas ultrapassa 40% e o aumento dos impostos sobre a atividade tende a levar os jogadores para sites não licenciados, que não recolhem nenhum tipo de tributo e podem oferecer odds mais vantajosas.

Dez mil empregos diretos

Em 2025, foram criados dez mil empregos diretos, entre próprios e terceiros, e os indiretos chegaram a 5,5 mil. Esse é o resultado de pesquisa realizada pela LCA Consultores e Cruz Consulting, em parceria com a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR). O número de empregados formais no setor triplicou e 67 novas ocupações foram institucionalizadas.

O salário médio dos empregados contratados chega a R$ 7 mil, e o dos terceirizados é de R$ 4 mil. Enquanto isso, o salário médio nacional é de R$ 3,2 mil. Esses números resultam em uma massa salarial de R$ 460 milhões e R$ 87 milhões por ano em encargos sociais, como INSS e FGTS.

Com todas essas informações, o setor dá demonstrações claras de importância da atividade na economia, servindo de alerta para a sociedade e para o governo que o mercado brasileiro tem alto impacto no Brasil e deve ser protegido para não dar margem ao crescimento de operações ilegais, que não contribuem para o país.

Fonte: GMB