MAR 3 DE MARZO DE 2026 - 01:53hs.
Falta de consenso

Votação do projeto que cria a CIDE-Bets fica para o próximo ano

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), decidiu em reunião com líderes partidários nesta segunda-feira (15) que a Casa deixará para o ano que vem as votações do projeto de lei Antifacção e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança. As duas iniciativas são de autoria do governo, mas viraram objeto de quedas de braço na Câmara porque são relatadas por deputados da oposição. Com isso, a criação da CIDE-Bets será analisada somente em 2026.

O PL Antifacção institui um marco legal de combate ao crime organizado, endurece penas para facções e milícias e cria uma nova contribuição sobre casas de apostas para financiar ações de segurança pública e o sistema prisional. A CIDE-Bets pretende taxar em 15% cada depósito dos apostadores nas casas de apostas esportivas e jogos online.

O texto é relatado pelo deputado Guilherme Derrite (PP-SP), ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo. Derrite foi o responsável pela versão do parecer que já havia sido aprovada pela Câmara em novembro. O Senado fez alterações, que foram bem-vistas pelo governo, como incluir a tributação sobre as bets, mas os pontos podem ser alterados na nova votação pela Câmara.

O relator incluiu a criação de um tributo sobre apostas online com alíquota de 15% sobre transferências de pessoas físicas para as plataformas. Essa contribuição terá validade até a cobrança plena do Imposto Seletivo criado na reforma tributária e os recursos serão destinados ao Fundo Nacional de Segurança Pública. A arrecadação estimada é de R$ 30 bilhões por ano.

Com a medida, o setor de apostas esportivas e jogos online afirma que o mercado ilegal está ganhando um bônus do governo, já que os sites clandestinos não irão recolher esses 15% no ato do depósito, enquanto as bets legalizadas terão a obrigação de taxar os apostadores logo na entrada. Com isso, advertem que a concorrência com o ilegal promoverá a migração de apostadores para o mercado negro.

Fonte: GMB / O Globo