QUI 21 DE MARÇO DE 2019 - 10:30hs.
Marcelo Crivella (PRB), prefeito da cidade carioca

“Bolsonaro deve ajudar o Rio a ter um cassino com investimento de US$ 10 bi e 50 mil empregos”

“Quero que o novo presidente Jair Bolsonaro me ajude a aprovar uma superlicença para termos um cassino. Recebi a visita do Sheldon Adelson, presidente da empresa Las Vegas Sands, e ele está interessadíssimo em investir US$ 10 bilhões e gerar 50 mil empregos”, afirma o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, que deixa de lado sua fervorosa religiosidade (é bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus) em nome do pragmatismo favorável aos jogos de azar.

O Rio de Janeiro tem 11 mil quilômetros de ruas e avenidas esburacadas, túneis que estão caindo aos pedaços - segundo o próprio prefeito - mas Marcelo Crivella (PRB) se permite sonhar com grandes projetos e investimentos para a cidade, cujos interesses pretende defender com a ajuda do presidente eleito Jair Bolsonaro e, no limite, da Justiça. Quer apoio do governo federal para aprovar no Congresso lei que permite a abertura de cassinos no país - e que o Rio seja uma nova Cingapura para os negócios do magnata americano Sheldon Adelson.

"O compromisso dele é investir US$ 10 bilhões e gerar 50 mil empregos", diz o prefeito, que abre mão de sua fervorosa religiosidade - é bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus - em nome do pragmatismo favorável aos jogos de azar. "As pessoas sabem que se não tivermos emprego, vamos para o caos social. E joga quem quiser", justifica.

Nos desígnios de Crivella, Jair Bolsonaro é messias. Do presidente eleito também espera ajuda na renegociação da dívida da prefeitura com o BNDES. Mas se não receber a graça federal, avisa que irá à Justiça para reduzir os juros que afirma serem maiores do que os cobrados a Cuba pelo Porto Mariel. "Irei até a última instância se tiver tempo no meu mandato, até o Supremo", antecipa ao Valor.

Numa entrevista exclusiva concedida quase dois anos depois da posse, Crivella em vários momentos culpa a gestão anterior, de Eduardo Paes (DEM), pelas mazelas do município. É passado com olho no futuro, de quem parece ter despertado para ganhar terreno no campo da comunicação, depois dos tempos de silêncio e premido pelo ciclo eleitoral. Procurado, o ex-prefeito não enviou resposta sobre as críticas do sucessor.

A seguir, os principais temas tratados por Crivella na entrevista:

Cassino

“Lutei muito no ano passado, não consegui, mas quero que o Bolsonaro me ajude. Que é [aprovar] uma superlicença para termos um cassino. Recebi a visita do Sheldon Adelson [presidente da empresa Las Vegas Sand] e ele está interessadíssimo. A ideia dele era comprar [a área do aeroporto] Santos Dumont. Tirei isso da cabeça dele, para ele comprar o Porto Maravilha. E nós termos aqui um cassino tipo o que ele fez em Cingapura, onde 5% é o cassino, e tem centro de exposição, centro de convenções, hotel, com duas torres enormes, de 50 metros, e piscina lá em cima. Ele me disse que fatura mais em Cingapura do que todos os cassinos de Las Vegas. E o dele é o maior, o Venetian. Tá louco para investir. Compromisso dele: investir US$ 10 bilhões e gerar 50 mil empregos. Vamos ter aqui um grande empreendimento”.

Licença religiosa

Sei da sua curiosidade, mas você não é crente, não é pastor?
“O Rio de Janeiro precisa de emprego. E já perdemos 350 mil empregos na cidade. Se as pessoas não jogarem aqui, vão jogar em outro lugar, no Uruguai. E joga quem quiser. É um assunto polêmico porque o governo monopoliza o jogo no Brasil. Meu querido amigo, vamos ter aqui. E [o cassino] sofre esse controle externo, FBI, CIA, Interpol para não haver lavagem de dinheiro. E mais, essa senhora que o marido é viciado, ela pode ir lá e pedir para ele não jogar. Se você estiver no Serasa também não joga. Cingapura tinha 6 milhões de turistas e passaram para 20 milhões. O Adelson, que é o maior doador do Estado de Israel, me disse que não há hipótese de não dobrarmos o número de turistas para cá. Acho que essas superlicenças devem ser [aprovadas] em três, quatro lugares no Brasil, é o que imagino. Tenho certeza [de que a ideia será bem aceita no meio religioso] porque as pessoas sabem que se não tivermos emprego, vamos para o caos social”.
 

Fonte: GMB / Valor