SEX 19 DE ABRIL DE 2019 - 03:25hs.
Em Brasília

Las Vegas Sands se encontra com Mansueto Almeida para falar sobre cassinos em resorts

O Secretário de Acompanhamento Fiscal, Energia e Loteria, Mansueto Almeida, receberá esta tarde em Brasília Andy Abboud, vice-presidente de relações governamentais do Las Vegas Sands Corporation. O encontro foi solicitado pelo grupo internacional e a pauta será 'Legalização de jogos em complexos de resorts integrados'. Advogados do escritório Lowenthal e um economista da Fundação Getúlio Vargas acompanham Abboud.

A reunião acontece no Ministério da Fazenda e com Mansueto estarão o subsecretário de Assistência Fiscal, Energia e Loteria, Alexandre Manoel Angelo Da Silva, e o assessor técnico Itamar Pereira.

Não é a primeira vez que o LVS chega ao Brasil para convencer sobre complexos de resort integrados. No ano passado, o próprio presidente do grupo, Sheldon Adleson, visitou o país e se encontrou com autoridades. Também membros de Las Vegas Sands testemunharam o lançamento do Frente Parlamentar dos Jogos, em outubro de 2017.

Esta visita ocorre em um momento delicado, quando os políticos brasileiros não chegam a um acordo se é mais conveniente aprovar a instalação de cassinos em resorts (possibilidade que é tratada na Câmara dos Deputados) ou se é melhor abrir o jogo mais abrangente para as sete modalidades que marcam o PL 186/2014, do Senado.

O Las Vegas Sands, dono de alguns dos maiores resorts integrados do mundo, é grande e Andy Abboud, que viajou especialmente dos EUA, será acompanhado por uma forte equipe brasileira que inclui Fabio Lowenthal (sócio da Lowenthal Advogados, em São Paulo), Henry Lowenthal (sócio e diretor do GR8 Capital Consultoria Empresarial), Camila Barbosa (Government Affairs Manager do Prospectiva Consulting onde identifica riscos e oportunidades regulatórias no Brasil para multinacionais e associações) e Samuel Pessoa (economista e professor da Fundação Getúlio Vargas).

Pessoa é doutor em economia pela Universidade de São Paulo (USP). É professor assistente da Faculdade de Economia da Fundação Getúlio Vargas no Rio de Janeiro (EPGE / FGV) e chefe do Centro de Crescimento Econômico do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE / FGV).

"Nós apoiamos um ambiente limitado e rigorosamente regulado para jogos, similar aos que operamos em jurisdições reguladas. O Brasil deveria explorar e aderir aos altos padrões regulatórios de Las Vegas, Pensilvânia, Macau e Cingapura", disse Abboud.

Cingapura, por sinal, é para o LVS um exemplo de sucesso. O grupo investiu US$ 6 bilhões em um único empreendimento no país, uma cidade-Estado de 5,6 milhões de habitantes, no Sudeste Asiático. Com 2.5 mil quartos, o Marina Bay Sands está instalado em um complexo de três torres de 58 andares, juntado por um "Skypark" na cobertura que simula um gigantesco iate a céu aberto.

Segundo o LVS, o empreendimento gera US$ 1,75 bilhão por ano em impostos ao governo local e tem cerca de 10 mil funcionários. O número de turistas no país aumentou de 9 milhões em 2010 para 16,5 milhões em 2017, com o Marina Bay e um outro resort integrado já em operação.

Abboud afirma que "todos os tipos de jogos seja bingo, jogo do bicho ou qualquer outra forma de apostas, devem ser submetidos aos mesmos padrões que qualquer outro resort integrado da empresa demandaria". "Dito isso, o Las Vegas Sands não acredita na diluição do mercado. O Brasil deveria se mover devagar, usando o marco regulatório de dois locais mencionados acima e observando se é apropriado expandir o mercado com o tempo".

O LVS diz que está pronto para investir imediatamente no país um valor similar ao investido em Cingapura depois de jogo ser legalizado. O grupo não diz abertamente, mas o Rio de Janeiro é o favorito para receber um empreendimento, por sua vocação turística e por sua grande população.

"Um componente-chave desse modelo [de investimento] é a capacidade para receber eventos e feiras comerciais, Assim sendo, a região onde Las Vegas Sands investe exigiria uma população suficiente para acomodar este tipo de negócios", diz Andy Abboud.

Abboud já havia se encontrado com Rodrigo Maia em Washington

O assunto foi levantado em 16 de janeiro durante encontro do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, com membros da Câmara de Comércio Brasil-EUA. Em Washington, Maia avaliou que o Congresso poderá votar ainda no primeiro semestre o projeto que regulamenta os cassinos no Brasil. "Acho que tem maioria", declarou. O representante do Las Vegas Sands, Andy Abboud, disse ao parlamentar que a companhia e outras grandes empresas americanas estão prontas para investir "bilhões" em cassinos no Brasil.

Pronto para investir bilhões de dólares no Brasil, o grupo Las Vegas Sands defende uma legislação restritiva para os jogos no país. O LVS é dono de alguns dos maiores resorts integrados do mundo, um tipo de negócio gigantesco que integra hotéis de luxo com cassinos, centros de convenções, restaurantes, shopping centers e áreas de lazer.

Este é também o modelo preferido pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), segundos interlocutores. Mas o modelo tem esbarrado na resistência de diferentes interesses representados, sobretudo, entre os próprios deputados.

Fonte: GMB