SEX 13 DE DEZEMBRO DE 2019 - 09:29hs.
Hotéis já planejam investimentos

Projeto de legalização avança e poderiam ser abertos pelo menos 9 cassinos em Minas Gerais

A legalização de todas as modalidades de jogos no Brasil entrou na lista de prioridades no Congresso. O presidente da Comissão de Turismo da Câmara dos Deputados, Newton Cardoso Júnior (MDB), entregou um pedido formal ao presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM), para que essa proposta seja votada até setembro deste ano. Pelo menos nove cidades mineiras poderiam abrir, ou reabrir, casas. O Palace Hotel de Caxambu prevê aplicar R$ 50 milhões e o Grande Hotel de Araxá já busca possíveis parceiros.

Projeto de legalização avança e poderiam ser abertos pelo menos 9 cassinos em Minas Gerais

Gestor do Grande Hotel de Araxá já busca parceiros para reabrir o cassino; Palace Hotel de Caxambu pode investir R$ 50 milhões

Gestor do Grande Hotel de Araxá já busca parceiros para reabrir o cassino; Palace Hotel de Caxambu pode investir R$ 50 milhões

O Projeto de Lei 442/1991 une cerca de 20 propostas de regulamentação de jogos já existentes no Congresso e vai permitir a implantação de cassinos em várias cidades do Brasil, sendo pelo menos nove em Minas Gerais. Antes mesmo da aprovação dele, empresários da rede hoteleira já começam a planejar investimentos milionários para reativar casas de jogos no Estado e gerar empregos.

"Fizemos um acordo com o Rodrigo Maia de concentrar o foco nesse tema, que consideramos ser fundamental para o desenvolvimento do turismo no Brasil, já que vai aumentar o número de visitantes, a geração de empregos e, consequentemente, a economia do país”, conta o deputado. A atual proposta em debate beneficia Minas Gerais porque garante que as cidades com estâncias hidrominerais e que tenham sediado cassinos no passado possam ter casas de jogos. “Minas vai ser o Estado mais beneficiado porque é aquele com maior número de municípios que se encaixam nessa regra”, afirma o presidente do Instituto Brasileiro Jogo Legal (IBJL), Magno José Santos de Souza. 

Criado em 1942, o Palace Hotel de Caxambu, no Sul de Minas, sediou um cassino até 1946, quando a atividade foi proibida no país. O proprietário do local, José Perez Gonzalez, aguarda ansiosamente pela legalização dos jogos para reativar as roletas. Ele pretende investir R$ 50 milhões para fazer as obras de adequação da estrutura e contratar mais 190 funcionários, para subir dos 60 atuais para 250. O retorno, segundo ele, virá no médio prazo. “Temos uma taxa de ocupação de 25% atualmente. Acho que dá para chegar aos 80% com o cassino”, afirma. 

Atual administrador do Hotel Brasil, em São Lourenço, no Sul de Minas, Marco Aurélio Lage vê na legalização dos jogos uma oportunidade de viver as histórias como as que cresceu ouvindo. E, de quebra, aumentar a taxa de ocupação dos atuais 40% para 90%. “Meu avô, João Lage, inaugurou o hotel em 1917. Os cassinos foram oficialmente abertos no Brasil em 1920. Na época, todos os hotéis ficavam lotados, vinham muitos turistas de fora. Com a proibição, perdemos espaço para outros países da América Latina”, afirma. Para “tirar ideias” para o investimento, ele vai a cassinos em outros países duas vezes ao ano. 

O Tauá Grande Hotel e Termas de Araxá, que foi uma das casas de jogos mais luxuosas do país, também vai voltar a receber jogadores, segundo o presidente do grupo, Daniel Chequer Ribeiro. Nesse caso, a ideia é fechar parcerias. “Temos muito interesse em reabrir um cassino lá, e acho que em no máximo dois anos conseguimos aprovar o projeto. Pensamos em fazer parceria com algum grupo de fora para viabilizar o investimento”, explica. 
 
Arrecadação do Estado teria incremento de R$ 2 bi

A volta da jogatina em cidades mineiras representaria uma arrecadação tributária de R$ 2 bilhões ao ano e a geração de, aproximadamente, 18 mil empregos diretos, segundo o presidente do Instituto Brasileiro Jogo Legal (IBJL), Magno José Santos de Souza.

“Os jogos ainda podem levar muito desenvolvimento para as cidades onde estarão localizados. Só para se ter uma ideia, estimo que os municípios vão repartir um bolo de R$ 100 milhões ao ano em tributos. Em tempos de crise, isso faz muita diferença”, afirma. 

Ainda segundo Souza, apenas o Brasil, o Equador e Cuba proíbem cassinos em toda a América. “Não há um argumento plausível para essa proibição. Jogo tem a tributação muito alta para ser usado como lavagem de dinheiro. É muito melhor usar outras atividades. Além disso, jogadores patológicos já jogam, porque os jogos nunca deixaram de existir com a proibição. O país que deixou de arrecadar com a atividade”, afirma.

Segundo dados do IBJL, o Brasil tem mais de 600 casas de jogos, sendo centenas delas em Minas Gerais. Além disso, o país tem, pelo menos, 150 cassinos ilegais, dos quais dezenas são sediados em cidades mineiras.
 
SAIBA MAIS SOBRE O PROJETO 
 
O que pode ser aprovado: Todos os jogos de fortuna: cassino, jogo de bingo, jogos lotéricos federais e estaduais, jogo do bicho, apostas de quotas fixas e apostas eletrônicas.

Onde pode ter cassino: Estados com população de até 15 milhões de habitantes terão um cassino. Aqueles que têm população entre 15 milhões e 25 milhões, como Minas Gerais e Rio de Janeiro, poderão ter dois. Já os com mais de 25 milhões de habitantes poderão ter três. Apenas São Paulo tem essa população.

Estâncias Hidrominerais: O que permitirá que Minas tenha mais cassinos é a emenda que dá direito às cidades com estâncias hidrominerais que já tiveram cassinos reativarem antigas casas de jogos. 

ONDE ESTAVAM OS CASSINO EM MINAS GERAIS NO PASSADO:

Araxá: Tinha os cassinos do Grande Hotel e o Cassino de Araxá
Belo Horizonte: Teve o Cassino da Pampulha, onde atualmente funciona o Museu de Arte da Pampulha 
Cambuquira: Cassino Elite 
Caxambu: Grande Hotel e Cassino João Carlos 
Conceição do Rio Verde: Teve um cassino
Lambari: Cassino do Lago
Poços de Caldas: Era considerada a Vegas Brasileira com mais de 20 cassinos. Cassino Ao Ponto, Cassino Antigo, Cassino Gibimba, Cassino Imperial, dentre outros. 
São Lourenço: Chegou a ter oito estabelecimentos do tipo, como o Hotel Brasil (existente até hoje).

Fonte: Tatiana Lagôa - O Tempo