SÁB 21 DE SETEMBRO DE 2019 - 16:51hs.
Hugo de Paiva Veiga, secretário estadual adjunto de turismo

"Ter um cassino no Maranhão faria girar melhor nossa cadeia produtiva"

Hugo de Paiva Veiga, secretário adjunto de turismo do Maranhão e atual presidente do Fórum Nacional dos Secretários e Dirigentes Estaduais do Turismo (Fornatur), acredita que os cassinos não precisam estar, necessariamente, ligados a resorts e que o mais importante é que sejam liberados 'em um número limitado e com uma legislação específica'. Para ele, “São Luís, Chapada das Mesas, Lençóis Maranhenses, Barreirinha poderiam ser valorizados com a instalação de cassinos” no seu estado.

GMB - Qual é sua posição frente à legalização dos cassinos no Brasil? E sobre o resto dos jogos de azar?
Hugo Veiga - Sou a favor que haja essa liberação e legalização dos cassinos, mas com restrições e uma legislação específica para combater problemas, como uma possível lavagem de dinheiro.  Também creio que devem haver um número limitado desses empreendimentos por estado ou região do País. 

Sou favorável também da legalização dos demais jogos de azar, como poker e bacará, mas com mais cuidado ainda e legislação própria. Até porque nós sabemos que essas atividades, como o jogo do bicho, já acontecem livremente em várias cidades do Brasil. Por isso eu acho que é até uma hipocrisia proibir cassinos no Brasil.

Paraguai, Uruguiai e outros países vizinhos têm cassinos, nunca deixaram de ter e estão em atividade até hoje. E esse é um dos motivos que fazem o Brasil assistir “de camarote” países como Peru e Argentina terem desempenho mais expressivo no turismo.

Na sua opinião, apenas cassinos em resorts devem ser liberados ou crê que podem existir cassinos físicos independentes dos grandes hotéis?
Não acredito que devam ser autorizados somente em resorts. O mais importante é que existam em um número limitado e com uma legislação específica para amparar essa atividade.
 


Onde poderiam ser instalados os cassinos no seu estado? Acredita que seria positivo para o Maranhão?
Aqui no Maranhão nós temos três polos indutores de turismo: São Luís, Chapada das Mesas e Lençóis Maranhenses, que poderiam ser valorizados com a instalação de cassinos. Eu acredito também que Barreirinha poderia ter cassino, bem como alguma cidade do sul do estado. 
 
Ter um cassino em uma das nossas áreas de interesse turístico iria agregar uma oferta complementar e um fluxo interessante de um seguimento de turistas que tem um alto ticket médio e, obviamente, faria girar melhor a nossa cadeia produtiva. 
 
Qual é a posição da maioria de seus colegas secretários de turismo de outros estados sobre o tema cassinos no Brasil? 
Nós tivemos uma reunião do Conotel (Congresso Nacional de Hotéis), que foi realizado em maio deste ano em Goiânia e contou com a presença do ministro do turismo Marcelo Álvaro, o então presidente da Embratur, Leonidas de Oliveira, e grande parte do secretariado do Brasil. Nesse evento, nós entregamos uma carta às autoridades apresentando os entraves da atividade turística e, dentre eles, está a proibição de cassinos. No documento nós pedimos a legalização desses empreendimentos, desde que existam em número limitado por região ou estado e uma legislação especifica que dê apoio à atividade.

O senhor tem acompanhado o que ocorre na Câmaras de Deputados e Senadores com as leis de legalização do jogo? Acredita que este ano haverá novidades?
Eu tenho acompanhado sim, mas acredito que haja muito tabu ainda sobre a discussão desse tema. Concordo que não é um tema fácil, é um assunto complexo e que envolve uma série de cuidados para o seu andamento. Talvez existam questões mais emergenciais para serem discutidas no Congresso no momento, mas eu tenho esperança que esse projeto amadureça, possa ser votado e que nós tenhamos uma liberação responsável desse tipo de atividade turística no Brasil. 

 

 

Tem pensado em viajar a Las Vegas ou alguma outra cidade para analisar os benefícios econômicos dos cassinos para o Estado?
Nós temos interesse em fazer benchmarking, mas não adianta viajar para outras cidades, de outros países, para acompanhar essas atividades in loco enquanto a liberação estiver travada aqui. Então, quando a gente perceber que estamos mais próximos de uma votação e de ter uma legislação específica, nós iremos programar essas visitas.

Fonte: exclusivo Games Magazine Brasil