MIÉ 15 DE JULIO DE 2020 - 03:17hs.
Gabriel Azevedo, Vereador em Belo Horizonte

“Os políticos brasileiros se opõem a legalizar, mas viajam para jogar em cassinos do exterior”

O anúncio do Ministro de Turismo sobre seu projeto para legalizar os cassinos continua somando apoio e distintas reações em todo o país. Desta vez, Gabriel Azevedo, Vereador em Belo Horizonte, fez um resumo da rica história da atividade no Brasil, especialmente em Minas Gerais, quando esses locais era legais entre 1920 e 1946. No programa da rádio Central 98, ele afirmou que tem que colocar o tema em pauta, reabrir os cassinos agora mesmo e terminar com a hipocrisia que existe no Brasil sobre os jogos de azar.

Na entrevista na Rádio 98, Azevedo recordou o Palace Cassino (Poços de Caldas), o Grande Hotel e Termas (Araxá), o Hotel Glória (Caxambu), o Cassino da Pampulha (Belo Horizonte), o Cassino do Lago (Lambari) e o Hotel Brasil (São Lourenço) que foram os principais casinos de estilo francês no estado mineiro em uma época de grande esplendor.

Os cassinos tiveram tempos áureos no Brasil até 1946, quando o então presidente Eurico Gaspar Dutra resolveu proibir a atividade no país. O fim das roletas levou vários hotéis luxuosos a falência, além de gerar uma grande onda de desemprego. Em Minas, alguns tradicionais hotéis sofreram com o fim dos cassinos e os locais, que antes atraiam celebridades e políticos, tiveram que se adaptar a uma nova realidade.

O vereador assegura que o edifício da Pampulha, que hoje é um museu, está em péssima condição. “É triste vê-lo à medida que partes deste lugar desabam, caem. A Pampulha deve voltar urgentemente a ser um cassino para atrair turismo, musicais e gastronomia, incluindo um lago limpo para esportes aquáticos. Em 1943, a cidade mostrou toda a sua capacidade de ser um ambiente global que gera emprego e é atraente para os visitantes. Éramos um exemplo de arquitetura moderna com pessoas de todo o mundo que chegavam para a conhecer”.

O comentarista do programa, Paul Leite, também opinou a favor da reabertura dos cassinos. “A questão do Grande Hotel de Araxá e que, mesmo que se revitalize para o turismo, a vocação do hotel é para o cassino. Com todos os salões e toda seu estrutura montada e que não é potencialmente utilizada porque os cassinos não podem existir. Mesmo coisa quando você fala sobre o Hotel Glória (Caxambu). Infelizmente, a gente não pode mais falar a mesma coisa de São Lourenço, porque os hotéis que eram voltados para estrutura de cassino faliram, não têm hoje a mesma estrutura que tinham antigamente”, explicou o jornalista.

Para Leite, “a legalização dos cassinos não é só a volta dos jogos. Significa entretenimento, turismo aquecimento da economia lembrando que o Brasil tem ainda uma parcela muito pequena do seu produto interno bruto destinada a vinda do Turismo. Se você pegar para Espanha, 15 a 20% do produto interno bruto desse país vem do Turismo e o Brasil não consegue nem perto dos 6% do seu PIB”.

O vereador afirmou que no Brasil se vive uma grande hipocrisia: “A Caixa já promove as loterias, não temos um jogo de azar, né? E nossos políticos se opõem à legalização cruzam a fronteira e vão jogar. O próprio prefeito de Belo Horizonte vai jogar em Foz de Iguaçu. Então há uma enorme hipocrisia. Eu tive minha despedida de solteiro em Las Vegas e viajei com amigos. Eu nunca joguei, mas aproveitei para ver shows e outras atrações que os cassinos me ofereciam. Ninguém é forçado a jogar”.

"Sou a favor da reabertura dos cassinos no Brasil como forma de criar empregos que ajudem a sair dessa crise após a pandemia. Acho que esse assunto tem que estar na pauta tendo como meu repúdio esse moralismo babaca da ministra Damares e de outros que acham que o Brasil deve ser conservador. Não é e não será”, conclui Azevedo.

Fonte: GMB