MAR 7 DE JULIO DE 2020 - 06:16hs.
Renato Almeida faz 25 anos na FBM

“Para os jogos, não existe um mercado com tanto potencial a ser explorado como o do Brasil”

Em 1995, um jovem paulista começou a trabalhar na FBM (na época, ainda FABAMA -Fábrica Brasileira de Máquinas Automáticas-). A partir desse momento, a empresa se expandiu e cresceu para se tornar uma gigante no mercado. Hoje, Renato Almeida faz 25 anos dentro da companhia e, durante esse período, tomou todas as medidas necessárias para alcançar o cargo de diretor. Nesta entrevista exclusiva ao GMB, ele revisa seu início na indústria, analisa o mercado brasileiro, os efeitos da pandemia no setor e os planos futuros da FBM.

Renato Almeida é um profissional com amplo conhecimento da indústria de jogos e, em 2020, completa 25 anos dentro da empresa. Sua capacidade analítica, gestão e visão de negócios contribuíram para a expansão da FBM, uma referência no segmento de video bingos a nível mundial.

Com enorme esforço e dedicação, Renato trabalhou na FBM nos cargos de Supervisor Técnico, Gerente de Produção e Gerente de Fábrica. Quando a FBM foi fundada, ele assumiu como Diretor Técnico e, alguns anos depois, a função de Vice-Presidente. Renato atualmente é Diretor e um dos presidentes do Conselho da FBM.

GMB - Como você se lembra do mercado brasileiro de jogo no seu começo dentro da FBM?
Renato Almeida -
O mercado que eu conheci no início de carreira era marcado pela simplicidade com os bingos pequenos. A indústria foi evoluindo e teve uma verdadeira explosão de crescimento até o seu primeiro intervalo.

Quando retoma a atividade, com a reabertura do mercado, é notória uma evolução dos bingos a vários níveis. Os padrões de qualidade dos produtos subiram consideravelmente e as salas de jogo assumiram proporções gigantescas, quase como os cassinos, contemplando na sua oferta serviços complementares como os restaurantes e shows.

Isto fez com que existisse uma diversificação dos públicos que visitavam os bingos. Os mais jovens e mais velhos viam neste espaço também um programa social, além da atividade do jogo em si. É justo dizer-se que nesta evolução até à interrupção que vivemos atualmente, o mercado brasileiro soube reinventar-se com sucesso e assegurar a renovação contínua do perfil do seu jogador.

Ao longo desta jornada, qual você achou que foi o melhor que você trouxe para a empresa e o melhor que a empresa lhe deu?
A empresa me trouxe uma visão global de mercado e um crescimento muito grande a nível administrativo. Na época que entrei para a FBM, minha visão era mais concentrada na parte técnica. A empresa abriu-me as portas e me permitiu crescer em outras áreas muito importantes neste setor. Hoje, eu trabalho exclusivamente na parte administrativa com conhecimentos que eu aprendi quase a 100% já dentro da empresa.

Por outro lado, eu trouxe para a FBM um conhecimento muito detalhado que tinha da implementação da ISO 9000 em experiências anteriores. Então eu acredito que trouxe muito conhecimento especializado e melhorias para a FBM, com consequências na otimização dos procedimentos e na elevação dos padrões de qualidade do produto final entregue aos clientes.

Quais diferenciais levaram a FBM a ter um lugar de liderança dentro da indústria?
Há dois fatores muito importantes que nos têm permitido trilhar este caminho de sucesso e expansão com quase 20 anos na FBM. O primeiro fator a destacar é, sem dúvida, a qualidade e a inovação que transportamos para os produtos. Esse mérito tem que ser dado em primeiro lugar ao Rui Francisco, que teve a capacidade para dar os primeiros passos e sempre teve visão para nos guiar no mercado com um grande crescimento ao longo de todos estes anos. Também devemos realçar aqui o contributo de todos os profissionais que nos têm acompanhado nesta jornada de desenvolvimento de software e hardware de grande qualidade.

A título de exemplo fomos pioneiros na introdução de features como a bola extra ou o multicartão nos video bingos e esses passos a frente que demos na altura certa valeram-nos a liderança que soubemos manter até hoje neste segmento. É isso que fizemos até hoje e nos permitiu ascender a este estatuto de líder e continuaremos certamente a fazer no futuro. Tudo isto, olhando para a maior diversidade de oferta que temos agora, mas sempre procurando estar na vanguarda dos mercados com produtos de elevada qualidade.

O segundo fator é a confiança, a personalização e a proximidade que orientam as relações com os nossos clientes. Ao mesmo tempo que procuramos a novidade e o valor agregado para entregar nos produtos, ouvimos atenta e permanentemente o feedback dos nossos clientes. Isso permite-nos, muitas vezes, antecipar necessidades que vão aparecer mais tarde no mercado e criar soluções para os desafios que os nossos clientes vão enfrentar. O nosso processo de desenvolvimento do produto procura ser mais proativo do que reativo, mas é sempre centrado no cliente, para que ele sinta conforto, confiança e prazer em trabalhar conosco.

Esta combinação da procura constante pela excelência técnica com uma relação única e dedicada com cada cliente têm sido a fórmula do nosso sucesso.

 

Participação pela FBM em evento de gaming na Espanha, em 2011
Participação pela FBM em evento de gaming na Espanha, em 2011

 

Como a pandemia afetou o negócio e os projetos da FBM?
A pandemia afetou o negócio diretamente, tal como aconteceu em várias outras indústrias. Os cassinos físicos dos mercados em que operamos fecharam suas portas temporariamente seguindo as orientações da quarentena geral decretada pelos Governos e reabrirão também de acordo com as suas instruções.

Isso traz naturalmente uma quebra no fluxo do negócio da FBM neste período. Terá agora necessariamente que existir uma preparação para uma rotina necessariamente diferente dentro dos cassinos e das salas de bingo, de forma a garantir que todas as medidas de saúde e prevenção sejam respeitadas. É possível que estas mudanças impliquem impactos negativos no fluxo de pessoas que visitam os cassinos e as salas de jogo, afetando assim diretamente o negócio.

Da parte dos clientes land-based verificamos reações diferentes a este contexto. Alguns viram neste contexto a oportunidade ideal para preparar o lançamento dos seus cassinos online. Outros concentraram atenções exclusivamente na definição de uma estratégia que permita obter o melhor desempenho possível no período de reabertura, sendo que parte dessa estratégia passa pela procura de novos produtos que reforcem a sua oferta.

No universo online, o confinamento trouxe um espetacular aumento da procura. Isto traduziu-se num volume crescente de contatos de agentes da indústria. Já tínhamos algumas integrações em curso e outras previstas no período pré-pandemia, mas fomos contactados por outros players no sentido de avançarmos para novas operações.

Os projetos mantém por isso o seu curso com as necessárias adaptações. De resto, todos os planos que estavam em andamento com relação a expansão para novos mercados continuam vivos e as negociações certamente conhecerão novidades no período de retoma à normalidade.

Desde a sua experiência, qual visão tem do mercado pós-COVID? Quanto tempo acredita que levará para voltar a normalidade?
O mercado depois da pandemia será necessariamente diferente. Todas as empresas terão que estudar uma nova realidade nos espaços de jogo e todos teremos que perceber também o que mudou no mindset e no comportamento dos jogadores depois desta experiência.

O caminho da retomada vai ser duro para todos. Acredito que vai ser um arranque lento até porque há um trabalho que os Governos e as entidades reguladoras de cada mercado vão certamente liderar na necessária adaptação da legislação da atividade. As próprias regras de circulação e permanência nos espaços de jogo vão ditar também o tempo que vamos demorar a voltar ao fluxo de negócio habitual.

Em termos temporais, apresentar uma data exata para o fim desta situação não é possível. Ao longo dos últimos meses temos percebido como as circunstâncias mudam de semana para semana e até, por vezes, de dia para dia. O que sabemos, com certeza, é que estamos dependentes da descoberta de uma vacina ou de um remédio que permita atenuar os efeitos da Covid-19 e assim poderemos voltar realmente à normalidade.

Os planos de 2020 incluíam uma forte expansão internacional da marca. Conseguiram alcançar parte dessas metas antes da pandemia?
Os planos da FBM contemplavam e continuam contemplando a expansão para este ano. Apesar da pandemia, o período até ao final de março já nos tinha trazido expansão, principalmente no segmento online com novas integrações realizadas antes e durante o surto.

No segmento dos cassinos físicos existirá, como é natural, um reajuste dos timings de execução dos nossos planos nos mercados em que já temos operação. Porém mantemos a ambição, os objetivos e o compromisso no lançamento de novos produtos para que possamos aproveitar a reabertura do mercado da melhor forma possível.

Todos os planos de expansão para novos mercados continuam vivos e as negociações certamente conhecerão novidades no período de retoma à normalidade.

 

Apresentação da FBM na G2E Asia 2014
Apresentação da FBM na G2E Asia 2014

 

A área online da FBM, agora, está mais do que nunca desempenhando um papel fundamental na empresa? O que está chegando nesse setor para oferecer ao mercado?
Os acontecimentos ditaram que o online apresentasse agora maior preponderância neste cenário de confinamento geral que vivemos na sociedade, mas os nossos planos e ambições são os mesmos. Queremos aumentar o número de integrações com cassinos online, queremos expandir o portfólio de jogos dentro das categorias que temos e apostar em novas tipologias de jogo no futuro próximo.

Por que acredita que os jogos de video-slots Easy$Link e Mythic Link tiveram tanto sucesso na última edição da ICE?
Os novos jogos de video-slots que desenvolvemos na FBM vieram trazer um upgrade considerável à oferta que tínhamos. Sentimos que, além das novas possibilidades conferidas pelos modos de jogo e as features incluídas nos jogos do Easy$Link e do Mythic Link, houve uma melhoria grande nos gráficos, sons e nas animações. O feedback positivo e o interesse que notamos na ICE London veio, de certa forma, confirmar esses dados que já sentíamos quando acabamos de desenvolver o produto.

Acredita que este é o momento certo para o Brasil legalizar o jogo e gerar novos recursos econômicos depois da crise? O que acha que falta para que isso aconteça?
No Brasil, a situação política é bastante complexa e conturbada. Mesmo neste momento de combate à pandemia não existe uma unidade ou consenso de ideias. A parte disso, economicamente este período de pausa terá também um efeito negativo muito acentuado no país. Com essas duas crises em simultâneo parece-me difícil avançar com a legalização da atividade no imediato ou no curto prazo.

A legalização da atividade seria, sem dúvida, uma forma de o Governo conseguir acelerar a retomada da economia. Digo isto porque se conseguiria gerar emprego e, ao mesmo tempo, arrecadar receitas importantes para o Estado através dos impostos. Porém eu acredito que a legalização do jogo só poderá acontecer quando a nação estiver num cenário político mais estável.

Como brasileiro, sonha com o momento de regressar a trabalhar neste mercado que pode ser um gigante quando abrir?
Sim, sem dúvida. Foi no Brasil que dei os primeiros passos nesta indústria e acredito que este é um mercado com um potencial tremendo. Acredita-se que no mundo não exista um mercado com tanto potencial a ser explorado como o Brasil e como prova disso temos a evolução conhecida no passado, durante os períodos em que a atividade esteve liberada no país.

Fonte: Exclusivo Games Magazine Brasil