JUE 16 DE SEPTIEMBRE DE 2021 - 18:08hs.
Novo webinar da Secap/ME sobre jogos

Resorts integrados são gestores de turismo, capazes de gerar forte impacto na economia brasileira

A Secretaria de Avaliação, Planejamento, Energia e Loteria (Secap) do Ministério da Economia, realizou o webinar “Resorts Integrados – Experiências Internacionais”, mediado pelo Secretário Gustavo Guimarães e com a participação de Alex Pariente, VP Sênior de Cassinos e Hotéis do Hard Rock, Karen Marcela Sierra Hughes, VP para a América Latina e Caribe da Gaming Laboratories International – GLI, e Waldir Marques, da Secap. Com dados e apresentações, todos foram unânimes em dizer que a atividade bem regulamentada traz desenvolvimento, investimentos e turistas.

 

 

Guimarães apontou como objetivo do webinar estimular o debate e difusão de conhecimento em assuntos de nossa área de atuação: “É importante conhecer as experiências de quem avançou e soube tratar as externalidades para compartilhar conosco isso”.

Antes de passar a palavra aos painelistas, o Secretário afirmou que os resorts integrados são forte agregadores de mão de obra e alta capacidade de atração turística: “Pela nossa visão é de que existem investimentos vultosos, não só dos próprios players, mas também do Estado e da regulação rigorosa. Venho do setor financeiro, pois sou funcionário de carreira do Banco Central do Brasil e sempre olho para a questão dos cassinos com a mesma visão. É um setor muito importante e que precisa ser bem regulado”.

Guimarães revelou que acompanha no Congresso Nacional o trâmite das discussões sobre cassinos já que “é uma demanda não só da indústria, mas também da sociedade”. “Entendemos também que o turismo irá se beneficiar bastante do avanço dessa discussão no Brasil. Há um potencial imenso de arrecadação e tem muito a contribuir para o país em termos de emprego, renda e desenvolvimento e arrecadação”, afirmou.

Depois de apresentar a GLI, Karen Sierra Hughes mostrou aos assistentes um estudo da American Gaming Association – AGA, sobre a indústria de cassinos nos Estados Unidos e como ela impacta positivamente a outros setores e sua importância econômica e social da atividade: “É uma indústria rica e muito importante para o desenvolvimento em vários segmentos industriais em todas as jurisdições onde existe uma regulamentação séria. Por isso é fundamental que exista um equilíbrio perfeito entre a receita de jogos e a regulamentação”.

 

 

É preciso que se dê aos operadores condições para que sejam bem-sucedidos nessa indústria e que, com isso, o setor seja um importante gerador de recursos para um país, ao mesmo tempo apresentar regulações que sejam suficientemente robustas para que o crescimento seja controlado e supervisionado”, analisou a executiva.

Karen citou formas que podem ser adotadas para a regulamentação, lembrando que o ideal é analisar jurisdições com similaridades, tanto do ponto de vista cultural e social quando de marcos jurídicos parecidos. “De toda maneira, qualquer marco regulatório deve ser personalizado para um país, aproveitando os bons exemplos e evitando os erros cometidos em jurisdições já regulamentadas”, comentou Sierra Hughes, destacando ainda que devem ser estabelecidos os objetivos de uma política pública do jogo para aí sim buscar a regulamentação.

Quanto aos resorts integrados em si, a VP da GLI destacou sua importância no contexto do aumento do emprego e da promoção do turismo local, além de ser uma atividade de forte impacto nas comunidades do entorno por promover a melhoria da infraestrutura e a reurbanização de áreas. Temas como proteção ao consumidor e jogo responsável, bem como processos para prevenção de lavagem de dinheiro, certificação e homologação de máquinas e softwares também foram abordados por ela.

 

 

A executiva resumiu que “o objetivo final da lei é ter um sistema altamente versátil, bem direcionado, confiável, com uma gestão de risco eficaz que corrobora a integridade da indústria de jogos e otimiza seu impacto econômico e social sobre o povo brasileiro”.

Em seguida falou Alex Pariente, VP de Cassinos e Hotéis do Hard Rock. Ele apresentou uma introdução rápida sobre o grupo, que nasceu em Londres em 1971 e hoje temos mais de 253 unidades da marca e atualmente 36 hotéis, sendo 11 deles em desenvolvimento no Brasil, e 13 cassinos.

 

 

Ao focar em resorts integrados, Pariente comentou sobre as premiações no segmento, a importância que o grupo dá ao aprimoramento de sua equipe de colaboradores e a dedicação ao jogo responsável. “Defendemos os resorts integrados como um gestor de turismo, capaz de gerar forte impacto na economia”, disse.

Quando falamos em resorts integrados, destacamos um nível diferente de escala econômica, tanto do ponto de vista do empreendimento em si quanto da influência que ele tem nos locais onde são estabelecidos e na economia”, atestou o executivo do Grupo Hard Rock.

De acordo com ele, entre os benefícios da implantação de um cassino em resort integrado destacam-se os altos investimentos, que pode chegar a US$ 1,1 milhão por quarto, a grande geração de empregos e forte impacto econômico e de desenvolvimento local.

Para Alex Pariente, é importante a existência de um Master Plan para a implantação de um IRC, bem como segurança jurídica para promover o investimento e a viabilidade econômica. “Limitando esse tipo de empreendimento onde é necessário desenvolvimento em infraestrutura, é fundamental para o sucesso”, salientou.

 

 

Ao retomar a palavra, Guimarães avaliou como ricas as apresentações de Sierra Hughes e Pariente, destacando que “foi muito esclarecedoras por mostrar a força da atividade em locais onde a regulamentação já se consolidou. A regulação tem de acompanhar o desenvolvimento do setor e o regulador tem de ser tão competente ou mais do que o regulado senão o resultado não será bom”.

Segundo ele, do lado do regulador “é importante privilegiar a capacitação de todos que estejam envolvidos com a atividade. Estamos preocupados com isso e nosso desenho é de também privilegiar esse lado. Pensamos em crescer com esse mercado, de uma maneira que seja sustentável. Não queremos errar e por isso não podemos caminhar rápido demais”, justificou.

Para Guimarães “não se podem perder oportunidades de médio e longo prazo, por isso nossa proposta é de que a regulação possa acompanhar o crescimento desse mercado que vislumbramos pela frente”.

Diversas perguntas foram apresentadas por aqueles que se inscreveram, sendo claramente respondidas pelos painelistas, tanto quanto a importância de se colocar operadores consolidados na indústria bem como organismos independentes, como a GLI. Os dois executivos foram na mesma linha de reconhecimento quanto ao conhecimento e o respeito que a Secap, à frente do processo de discussão da implementação de cassinos em resorts.

Entre as perguntas, destaque para a preocupação quanto à lavagem de dinheiro, que não pode ser tolerada na avaliação dos painelistas, que destacaram a importância de controles eficientes do sistema financeiro, assim como entes reguladores para criarem políticas de combate à prática. O jogo responsável também se fez presente e os apresentadores reforçaram o papel dos próprios operadores de investirem nisso e no esclarecimento aos jogadores.

 

 

A informação e a capacitação dos profissionais, bem como sistemas de acompanhamento, foram apontados como ferramentas para garantir o incentivo ao jogo responsável e o atendimento à pequena parcela de jogadores que podem ser afetados pelo transtorno.

Os painelistas exemplificaram a importância dos resorts integrados lembrando que Las Vegas, até os anos 90, era um centro de jogo e que a mudança de conceito chegou com a entrada em operação de resorts integrados, que oferecem inúmeras atividades além do jogo em si, que representa atualmente apenas parte da receita dos empreendimentos, assim como somente uma das muitas opções de entretenimento procurada por aqueles que viajam para a cidade que já foi chamada de “Capital Mundial do Jogo”.

Ao finalizar o webinar, Gustavo Guimarães reforçou que “o tema é importante e instigante para nós enquanto reguladores e a troca de experiências sempre reforça a importância da regulamentação. Sabemos o valor da iniciativa privada em todo o processo e na operação, cabendo ao Estado apenas a função de um juiz na partida”.

Fonte: GMB