SEX 18 DE OUTUBRO DE 2019 - 23:06hs.
Filipe Rodrigues, advogado especialista na atividade

“A proteção da competição no eSports e a certeza do aumento de investimentos no setor”

A Sportradar, líder em análise e uso de dados esportivos, e a desenvolvedora de games e organizadora de competição de eSports, Riot Games, anunciaram no último dia 30 uma parceria de serviços de integridade. O advogado Filipe Rodrigues escreveu para o GMB um artigo sobre a importância dessa novidade para o setor afirmando que agora a modalidade ganha mais segurança econômica e jurídica e dá uma lição ao esporte tradicional.

De acordo com o anúncio no site da própria empresa prestadora dos serviços, o Sportradar Integrity Services irá monitorar a atividade de apostas global em relação às competições de eSports nacionais e internacionais da League of Legends organizadas pela Riot Games e relatar quaisquer possíveis problemas de integridade para a empresa. O Sportradar Integrity Services também está fornecendo à Riot Games acesso, conforme necessário, à sua unidade especializada Intelligence and Investigation Services. As empresas também trabalharão juntas para revisar as políticas internas de integridade, procedimentos e programas educacionais futuros do organizador eSports para competidores profissionais de eSports.

Há registro de manipulação de resultados no eSports desde 2010, na Coréia do Sul, em campeonatos de Starcraft. E os números só aumentam.

Deste modo, essa notícia só fortalece o mercado de eSports e incentiva os investidores. Por quê? Com o aumento das apostas legais esportivas é preciso combater de forma séria e efetiva a manipulação de resultados. Não se trata de política para inglês ver. É preciso garantir que os resultados das disputas no campo digital sejam as mais íntegras e que os proplayers não tenham qualquer conflito de interesse.

A medida nos ajuda a entender porque a Riot é líder no mercado de eSports. Este é o tipo de pró- atividade que garante liderança de mercado. Assim, a essência do esporte é protegida: a competição, a paridade de armas. Todos os stakeholders se beneficiam na luta contra a corrupção financeira que persegue a obtenção de um resultado manipulado.

Com a revisão do programa de integridade da Riot, espera-se que haja um grande refino sistêmico. Que novas medidas e regras sejam implementadas para garantir a lisura do resultado e o FairPlay da competição. Especialmente porque no League of legends os jogadores são muito jovens o que facilita o aliciamento.

Tudo isso contribuirá que haja uma inovação na luta contra o racismo, o doping, a toxicidade (atitudes proibidas nos jogos, inclusive contra mulheres), prevenir o assédio, garantir maior profundidade em investigações, especialmente quando envolve ocultação e lavagem de dinheiro, due diligence de profissionais, conformidade na transferência internacional de proplayers e claro, combate ao match-fixing.

Ao meu ver, isso agrega ao ecossistema de eSports mais segurança econômica e jurídica. O que tranquiliza investidores e apostadores. Uma lição que o esporte tradicional ainda não aprendeu por completo mesmo com décadas a mais de experiência. Essa é mais uma lição que o eSports deu.

Filipe Alves Rodrigues, advogado, Diretor do IGIE, consultor de projetos esportivos, atuou como Diretor-Geral da Dreamhack Brasil, atuou como advogado no Comitê Olímpico do Brasil e consultor de diversas Confederações Olímpicas em recursos públicos e palestrante do BgC.

Fonte: Exclusivo Games Magazine Brasil