JUE 25 DE FEBRERO DE 2021 - 04:21hs.
Em alta vertiginosa

Mercado de eSports deve crescer 20% até 2026, aponta estudo

O cenário competitivo de jogos eletrônicos deve continuar crescendo ainda mais nos próximos anos. De acordo com um estudo da Report Linker, a expectativa é de que o mercado de eSports registre uma Taxa de Crescimento Anual Composta (CAGR) de 20% no período entre 2021 e 2026, acompanhando uma tendência que vem sendo traçada desde que a modalidade ganhou mais visibilidade – ou seja, a partir da segunda metade da última década.

A expectativa é de que o mercado supere a marca de US$ 1 bilhão (mais de R$ 5,3 bilhões) em faturamento já neste ano. De acordo com a consultoria Newzoo, a projeção é de US$ 1,8 bilhão (mais de R$ 9,5 bilhões) para 2022, o que evidencia o crescimento meteórico pelo qual o setor vem passando nos últimos anos – e comprova que os videogames já deixaram de ser mera brincadeira há algum tempo.

Entre a principais fontes de renda do setor estão a publicidade (responsável por 69% da receita, segundo o site Business Insider), direitos de mídia, vendo de ingressos para eventos (que sofreu uma queda no último ano por conta da pandemia, mas vinha crescendo a cada ano com estádios lotados), vendas de merchandising e compras de jogos.

Audiência é o fator chave para o crescimento

Como em todo esporte, o público espectador é o principal motor do crescimento econômico. O Super Bowl, por exemplo, é considerado o evento com a publicidade mais cara do mundo justamente pela larga audiência em nível global. Ainda não dá para comparar os eSports com o futebol americano, mas é fato que o crescente público de jogos também contribui – e muito – para as receitas.

Há uma diferença também em relação às plataformas. Enquanto os esportes tradicionais ainda dependam muito dos canais de televisão, os eSports têm nas plataformas digitais de streaming – como Youtube e Twitch – seus principais canais de transmissão.

Só nos Estados Unidos, o setor faturou US$ 196 milhões com publicidade em transmissões digitais de competições de jogos como Call of Duty, Counter-Strike, League of Legends, Fortnite, FIFA, entre outras dezenas de títulos que fazem parte do universo dos eSports. Para 2021, a expectativa é de que essa receita seja de US$ 226 milhões.

 

 

A contribuição das plataformas de streaming para o crescimento do mercado como um todo não acontece apenas nos jogos, mas também no poker. O esporte da mente online virou uma febre no Twitch e ganhou ainda mais visibilidade com transmissões de grandes torneios como o WPT – o que se traduz em uma importante fonte de faturamento para o setor, que sofreu em 2020 com as paralisações de torneios presenciais em cassinos e hotéis por conta da pandemia.

Jogadores cada vez mais milionários

A alta nas receitas beneficia todos os envolvidos no negócio multimilionário dos eSports, inclusive os jogadores. Imagine ganhar milhões apenas por passar horas e horas jogando videogame? Pois essa é a realidade de dezenas de competidores profissionais – os chamados pro-players.

Segundo o site Esports Earnings, que monitora o faturamento de jogadores em diversas modalidades, 94 pro-players já superaram a marcar de US$ 1 milhão em prêmios. O recordista é o dinamarquês Johan Sundstein, conhecido como N0tail, craque do Defense of the Ancients (DOTA 2), cuja premiação de carreira é estimada em US$ 6,9 milhões.

Desses 94 jogadores, 4 são brasileiros: Marcelo David (coldzera), Epitácio de Melo (TACO), Gabriel Toledo (FalleN) e Fernando Alvarenga (fer), todos jogadores profissionais de Counter-Strike: Global Offensive (CS:GO). O Brasil ocupa o 12º lugar no ranking global de faturamento com premiações de seus competidores, com um acumulado de US$ 21,6 milhões (R$ 113 milhões).

No poker online, esse número é ainda maior, já que as premiações são mais volumosas. Só os brasileiros já faturaram mais de US$ 400 milhões em prêmios ao longo dos últimos anos, segundo o site especializado Pocket Fives.

Tanto nos jogos quanto no poker, esses números representam apenas parte da receita de jogadores – ou seja, aquela que vem dos resultados. Vale ressaltar que existem outras fontes de faturamento, como salários fixos pagos por equipes, patrocínios, subscrições e doações em plataformas de streaming.

Ásia deve impulsionar crescimento dos eSports

Embora os Estados Unidos sejam hoje o maior mercado de eSports do planeta, a tendência é que o continente asiático assuma um papel de protagonismo nos próximos anos. De acordo com o relatório Report Insider, a taxa de crescimento para os países do continente é considerada alta, assim como na Austrália. Já Europa e América do Norte possuem taxa média de crescimento.

Dentre todos os países do Oriente, a China possui maior destaque pelo apelo cada vez maior dos eSports entre os jovens e, sobretudo, pelo apoio governamental. Para se ter uma ideia, a cidade de Hangzhou planeja construir 14 instalações de eSports até o ano que vem e se tornar a capital mundial do setor, com um investimento de US$ 2,22 bilhões. A cidade será sede dos Jogos Asiáticos de 2022, que terá os eSports como modalidades.

Este é um pequeno passo para o reconhecimento global dos jogos. Com o vertiginoso crescimento, não é de espantar que os jogos eletrônicos possam, no futuro, compor o quadro de modalidades das Olimpíadas. Fato é que se ouvirá falar cada vez mais dos eSports nos próximos anos, por uma série de razões.

Fonte: Monitor Mercantil