JUE 15 DE ABRIL DE 2021 - 22:54hs.
Entrou nos eSports em 2017

O que levou Ronaldo a dobrar a aposta em data gaming?

O ano era 2017 e o ex-jogador Ronaldo Nazário fazia sua estreia no mundo dos eSports, juntamente com os empresários André Akkari e Igor Trafane Federal, o Fenômeno se tornava sócio do time CNB e chamava a atenção para um segmento que, até então, ainda se mantinha longe do radar de muitas marcas e do mundo dos negócios. De lá para cá, muita coisa mudou. Os eSports saltaram de uma receita de US$ 800 milhões para mais de US$ 1 bilhão ao ano, segundo a consultoria NewZoo.

“Os jogos eletrônicos são tendência no mundo inteiro e, no Brasil, são uma febre. Na final do Campeonato Brasileiro de League of Legends 2016, mais de 15 mil pessoas compareceram ao Ginásio do Ibirapuera”, disse Ronaldo. Em 2021, quase cinco anos depois, Ronaldo não só garante que sua aposta estava certa, como ampliou sua participação neste mercado. Desta vez, olhando não somente para os eSports, mas para os games em geral.

Ronaldo, que é sócio majoritário da agência de marketing esportivo Octagon, criou a holding Oddz Networking, em parceria com os sócios Eduardo Baraldi, Otávio Pereira e Gabriel Lima. A nova empresa passa a agrupar as operações da Octagon e da desenvolvedora de games Nomad, criada em setembro do ano passado, fruto da parceria com a Kinship. “Sempre fui muito ligado em tecnologia e seu impacto nas nossas vidas. A velocidade com que as coisas acontecem no mundo de hoje ao mesmo tempo que assusta, me fascina. Na Oddz, nós vemos com muita clareza um território vasto a ser explorado nesse segmento e queremos encontrar soluções criativas para aproveitar ao máximo as oportunidades que existem no mercado”, diz Ronaldo.

Ainda de acordo com o empresário, o objetivo com esse movimento é se aprofundar em dados e tecnologia, mas com um foco ainda maior na observação do comportamento das pessoas. “Acredito que a diferença que queremos trazer ao mercado, passa naturalmente por essa visão integrada e mais ampla das novas ferramentas disponíveis hoje para evoluir a holding e seus negócios. As indústrias do esporte, entretenimento, marketing e comunicação ainda têm muito a crescer nessas disciplinas e nós vamos mergulhar fundo nesses universos”, explica.

“Quanto mais você se aprofunda nesse universo, mais tem algo a aprender. Os games e eSports são um reflexo de nossa sociedade, que se movimenta e se transforma em ritmo acelerado. Não há como traçar estratégias padrão, pois cada vertente do mercado tem um desafio e por consequência soluções distintas. Acredito que o maior desafio ainda é a falta de conhecimento”, afirma Ronaldo, destacando que o mercado precisa de mais informação e os players existentes precisam trabalhar em parceria em torno do desenvolvimento dessa indústria. “Ao longo das minhas experiências com esse universo, acertei e errei. E acredito que temos uma visão mais assertiva de futuro. Nossa ideia é conseguir fomentar o desenvolvimento, profissionalização e oportunidades para todos que fazem parte desse ecossistema.”

OS DESAFIOS DO CENÁRIO

Um dos grandes desafios do ecossistema de eSports, quando o tema são negócios e relação com as marcas, é que os dois universos falem a mesma língua. Eduardo Baraldi, co-CEO da Oddz, entende que, além disso, existe uma mudança de contexto no mercado publicitário que torna o jogo mais dinâmico. “Hoje em dia, com cada vez mais dados e informações, a comunicação é muito mais precisa e eficaz ao mesmo tempo que é ainda mais pulverizada e multiplataformas. Com isso, o investimento das marcas passa a ser ainda mais otimizado e o resultado fica mais tangível. Ao mesmo tempo, as relações marcas-pessoas estão se tornando mais humanizadas e exigem uma visão sistêmica da nossa sociedade”, afirma.

Já Otávio Pereira, Co-CEO da Oddz, explica que os aprendizados com a Nomad deixaram claro que, além dos jogos em si, existem inúmeras janelas a serem ocupadas.

“Existem certas carências para a comunidade, assim como oportunidades subaproveitadas para o mercado. Então o momento agora é de garantir o sucesso dos planos iniciais mas também mantendo o radar ligado para evoluir nosso modelo de negócio ao longo dos próximos meses e anos. De alguma forma, seja através da Nomad ou de outros negócios da holding, iremos  somar esforços como toda comunidade e mercado para que os games e eSports possam continuar crescendo e gerando oportunidade, mas de uma forma cada vez mais estrutura e sustentável.

Além dos mais de US$ 1 bilhão anuais movimentados pelos eSports, a indústria de games, globalmente, deve faturar US$ 200 bilhões até 2023. No Brasil, existe uma efervescência em termos do surgimento e destaque de estúdios. No ano passado, a Wildlife se tornou o primeiro unicórnio brasileiro de games.

Fonte: Fast Company Brasil