DOM 22 DE MAYO DE 2022 - 20:05hs.
Cada vez mais jogadores terem destaque

E-sports: lugar de mulher é nos games!

Mesmo com o crescimento dos e-sports no Brasil, as mulheres ainda têm de superar obstáculos e preconceitos que os homens impõem para as jogadoras. O mercado dos E-sports vem crescendo de forma astronômica no Brasil, com mais times surgindo a cada dia, mais jogos e esportes, além de cada vez mais jogadores terem destaque neste ramo.

Mas com toda essa evolução, um comportamento neste meio é muito ultrapassado: o preconceito com as jogadoras mulheres de e-sports.

Esse preconceito não vêm diretamente do público, mas sim das empresas e times que não investem mais em jogadoras do sexo feminino.

O cenário para as mulheres no e-sports

No cenário competitivo dos esports, a predominância masculina ainda é grande e a defasagem é ainda mais gritante nos campeonatos profissionais.

Muitos tentam argumentar que existem menos mulheres que jogam do que homens e os números mostram que essa afirmação é totalmente equivocada. Em 2018 a revista Game Brasil mostrou que mais da metade da população gamer brasileira é mulher.

De acordo com um portal de notícias de esporte brasileiro, no último ano a presença feminina foi o cenário que mais cresceu no eSports. Muitos campeonatos foram reestruturados, bem como ocorreu um aumento nas oportunidades.

Entre os nomes de destaque no cenário de esportes eletrônicos, estão as jogadoras profissionais Olga (OL6A), Amanda (AMD) e Juliana (showliana). Essas e outras jogadoras estão contribuindo cada vez mais para o sucesso das casas de apostas em esports, atraindo mais apostadores para a modalidade.

Jogadoras ainda sofrem ataques de cunho machista

Um torneio internacional do jogo Leagues of Legend (conhecido como LoL), criado em 2015, só teve sua primeira jogadora mulher em 2021 e ainda em caráter reserva. Mesmo inscrita, ela nem conseguiu jogar.

Logo, vemos que o machismo intrínseco em diversas áreas da sociedade também atrapalha as mulheres jogadoras. Muitas começaram a jogar com usuários de nome masculino ou que não fosse possível identificar o gênero feminino para poder jogar em paz, sem sofrer ataques e abusos verbais.

As jogadoras sofrem ataques de cunhos sexistas e até assédio sexual. A única mulher do campeonato Overwatch League recebia acusações de usar códigos e softwares para facilitar o jogo, acusação totalmente falsa.

Mesmo sem jogar, outras mulheres sofrem o preconceito nesse mundo, desde comentaristas a jornalistas e streamers já foram vítimas de ataques sexistas e críticas. Mas as profissionais sabem o quanto a representatividade é importante para incentivar cada vez mais mulheres a entrarem no mundo dos esports.

A luta por inclusão

Mulheres unidas são mais fortes. Esse pensamento levou as jogadoras e outras mulheres envolvidas no mundo dos games a criarem coletivos para auxiliarem umas às outras neste universo tão machista.

Um dos coletivos, Valkirias E-sports, oferece treinamento e preparação gratuita para as meninas e mulheres que querem entrar neste mundo, a fim de fortalecer o cenário feminino. Outros coletivos também oferecem apoio psicológico, terapêutico e jurídico de maneira gratuita para as mulheres, tanto no cenário casual dos games quanto no cenário de competições.

Existem também entidades como a AFGB, Associação Feminina Gaming Brazil, que oferece respaldo jurídico para as mulheres que sofrem formas de abuso e machismo dentro do cenário gamer, além de promover a visibilidade para a comunidade.

Aos poucos, as empresas vão trazendo cada vez mais oportunidades para as mulheres gamers, com campeonatos femininos ou categorias femininas dentro dos campeonatos. Isso faz com que elas se fortaleçam e ganhem respeito para chegar às categorias mistas.

A Riot Games e a Gamelanders, duas empresas grandes do ramo de jogos, não abrem mão de seus times femininos e investem nas jogadoras sempre que podem. A Riot Games está investindo em campeonatos femininos do jogo Valorant, por não ter nenhuma mulher nos times principais.

Um dos maiores campeonatos, o Circuito Feminino de Rainbow Six Siege, teve prêmio recorde para as meninas em 2021, oferecendo R$ 300 mil reais para a ganhadora, além de R$ 50 mil para todo o time campeão. Por mais que esse prêmio seja recorde, falta investimento para as premiações, o que poderia atrair mais jogadoras.

Enquanto algumas empresas investem em times femininos, outras retrocedem

Algumas empresas de games ainda estão retrocedendo e pensando somente em investimento, cancelando times femininos e permanecendo calados em casos de machismo e ataques a jogadoras.

O trabalho dos coletivos e associações é cada dia mais importante para atrair mais mulheres ao cenário, além de conquistarem respeito e lugar entre os pódios. Afinal, lugar de mulher é onde ela quiser. E as mulheres gamers querem cada vez mais estar entre as melhores!