SÁB 21 DE SETEMBRO DE 2019 - 16:55hs.
BgC 2019 - Painel "Jogo responsável no Brasil"

Preocupação com o cliente deve ser uma política do negócio jogo

Georges Didier, responsável pela área de relações governamentais e desenvolvimento de negócios da GLI, convidou os painelistas Joseph Levy (CEO, PMU Brasil), Alex Pariente (VP de operações de cassino do Hard Rock) e Cynthia Fragoso (Associação Mexicana da Indústria de Jogos com Apostas) a abordarem a questão do jogo responsável, já que o momento é bastante propício tendo em vista que o Brasil está regulamentando as apostas esportivas e outras modalidades de jogos também deverão ser aprovadas em breve.

Joseph Levy, da PMU, apresentou a empresa, cuja sede está na França e opera com muito sucesso apostas em corridas de cavalos. O executivo fez questão de mostrar a preocupação de sua organização com o jogo responsável. “Temos campanhas na França para identificar e tratar o jogador compulsivo. O jogo é uma atividade lúdica e procuramos mostrar nas campanhas se há algum comportamento de risco a partir de formas com as quais a pessoa lida com determinada aposta”, explicou. Segundo ele, a empresa vem operando em parceria com o Jockey Club Brasileiro e “tem sido uma boa surpresa ver o quanto temos crescido no Brasil nos últimos três anos”.

No Hard Rock, o programa de jogo responsável é tratado com muita dedicação na corporação. “Procuramos treinar todo nosso staff para que identifiquem comportamentos de risco. O uso de inteligência artificial e outras redes de análise nos permite conhecer melhor nossos clientes, o que nos dá a sensibilidade de perceber se um cliente está com problemas com o jogo ou até mesmo se corre o risco de entrar nesse estágio”, explicou Alex Pariente.

De acordo com o executivo, existem alguns sinais que acabam por identificar jogadores com problemas. Especialmente aqueles clientes frequentes poderiam dar a entender que um jogador está com problemas apenas porque joga sempre. Isso não é, necessariamente, um comportamento de risco. O problema é quando o jogador apresenta atitudes que demonstram falta de controle”, disse.
 


Cynthia Fragoso disse que a prevenção é fundamental e isso passa pelo conhecimento. “Quando o jogador é educado sobre a questão do jogo e da compulsão, ele próprio acaba se dando conta de que existem limites. Mostramos a eles que há auto-exclusão, bem como atendimento personalizado para reabilitação”, afirmou.

No caso da PMU, por ter milhares de pontos de venda, a identificação é direta, pois os clientes são conhecidos pelos afiliados, mas também acompanhamento, no caso de grandes jogadores, com gerentes de contas, para análise de comportamento.

Para Pariente, a prevenção é fundamental. “Temos uma responsabilidade moral de proteger nosso negócio a partir da proteção dos nossos clientes. Precisamos identificar qualquer comportamento que possa comprometer a saúde de nossos clientes. E isso vale tanto para os cassinos físicos quanto para os jogadores online”, disse.
 


Cynthia disse que a OMS já mencionou novos vícios relacionados à tecnologia e um deles é a pessoa não viver sem o celular. “Como se vê, as próprias patologias vão mudando. O jogo compulsivo antes era comparado ao vício da bebida, mas hoje já se trata a questão de forma diferente, pois envolve mais o comportamento em si do que uma adição química”.

No caso das corridas de cavalos, é uma atividade praticada por pessoas de mais idade, o faz com que a PMU esteja muito atenta ao comportamento ao vivo. “A jogo on-line em nosso setor já existe e é uma realidade palpável, mas adotamos as mesmas práticas de análise de comportamento”, disse Levy.

De maneira geral, os painelistas concordaram que embora apenas 3% dos jogadores possam ter problemas com o jogo, a indústria deve seguir políticas sérias e as melhores práticas ligadas ao jogo responsável, tendo em vista que isso irá elevar o nível de confiança da sociedade para a atividade.

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