JUE 9 DE ABRIL DE 2020 - 17:18hs.
OGS 2019 - Tecnologias em prol do jogo responsável e a proteção do apostador

“Se o governo não exige que o operador cuide do jogador, isso acaba virando contra ele”

Com o objetivo de falar sobre as tecnologias à disposição do jogo responsável e a proteção ao jogador, Karen Sierra-Hughes, diretora de Relações Governamentais e Novos Negócios para a America Latina e Caribe da GLI, e Fabio Tibéria, consultor internacional de jogos, trouxeram suas experiências sobre o tema no painel da OGS Brazil 2019. “O jogo responsável deve ser uma marca registrada do setor para que seja visto como uma atividade lúdica e de entretenimento”, explicaram.

Tibéria falou dos fatores objetivos desfavoráveis ao jogador, como o tempo de jogo em uma mesa e o pay-out, diretamente ligados a atividade em si, assim como aqueles psico-físicos, como a compulsão pelo jogo, que estão mais associados ao jogador em si.

“A adrenalina e a endorfina são fatores preponderantes nessa questão e fazem parte do risco a que o jogador se submete sem nem mesmo ter controle sobre o momento de interromper as apostas e, em última análise, o risco a que se submete. As medidas do setor devem levar em conta especialmente a questão da ludopatia, para evitar que o jogo seja um problema. Cada vez mais as autoridades exigem dos operadores tal postura e na Europa essa ação está muito bem consolidada”, avaliou, lembrando ainda que os principais objetivos são impedir que menores tenham acesso aos jogos e em especial ao online e ruínas financeiras de jogadores com características de adição.

“Os operadores do continente devem ter políticas consolidadas para atender de maneira efetiva os entes reguladores, inclusive a auto exclusão. Ao entrar em um site de apostas, não apenas o jogo deve ser ‘user friendly’, mas também e principalmente os riscos e as proteções existentes e o operador deve dar todas as informações para dar assistência ao jogador, inclusive dizendo a ele o que fazer e o que não fazer”, explicou Tibéria, salientando que até mesmo as questões de comunicação e marketing devem deixar claro que o jogo é uma atividade de entretenimento e não uma forma de resolver problemas financeiros.

 

 

“Todas as modalidades de jogos devem deixar claro que as habilidades não influenciam no resultado do jogo ou da aposta.” Resumindo, segundo ele, cabe ao operador a proteção do jogador. “Se o governo não cuidar do jogador, a partir de exigências de jogo responsável aos operadores, isso acaba virando contra ele, pois arrecadará com as apostas e gastará para cuidar do operador”, disse ele.

Por su parte, Karen Sierra-Hughes trouxe sua experiência à frente da GLI no tocante à prevenção de impacto negativo no jogo para as pessoas e para os países onde a atividade é executada: “Os operadores devem saber de todas as exigências dos reguladores e cumprir de maneira positiva a prevenção. O jogo responsável deve ser uma marca registrada do setor para que seja visto como uma atividade lúdica e de entretenimento”.

Os reguladores, segundo ela, devem entender das operações para determinar diretrizes para validar suas regulações para que gerem o efeito desejado. “Quando falamos em proteção ao consumidor, um dos aspectos mais importantes é que os jogadores recebam dos operadores aquilo que eles estão oferecendo e que nesse pacote esteja incluída a sua proteção. A regulação e a proteção devem estar implícitas em todas as operações”, atestou, lembrando que tais proteções devem ser levadas também aos jogadores de apostas esportivas.

 

 

“As considerações devem ser também sobre a integridade esportiva e existem controles muito bem definidos pelo mercado, operadores e reguladores quanto à prevenção à manipulação de resultados, que poderiam ser muito nocivas aos apostadores”. Segundo ela, o jogo responsável só será bem estabelecido se operadores e reguladores entenderem muito bem todo o processo e fazer avaliações permanentes para melhorar sempre os mecanismos de proteção ao jogador e, em última análise, ao operador.

Karen apresentou vários modelos vitoriosos de regulação focada no jogo responsável, como no Canadá, Colômbia, Argentina, Jamaica e Porto Rico, “que possuem padrões técnicos muito interessantes na proteção aos jogadores. No caso da Jamaica, por exemplo, uma entidade terceirizada foi contratada para gerenciar o programa de jogo responsável, o que demonstra a preocupação do ente regulador e dos operadores para o tema”.

Fonte: GMB