SEG 25 DE MARÇO DE 2019 - 13:34hs.
Em entrevista ao Jornal Brasil

Luiz Carlos Prestes Filho fala de jogos e carnaval: "Vivemos numa sociedade hipócrita"

Em razão de seu livro 'O Maior Espetáculo da Terra - 30 anos de Sambódromo', o especilialista em economia da cultura, Luiz Carlos Prestes Filho, foi entrevistado pela jornalista do Jornal do Brasil, Hildegard Angel, em sua coluna especial de fim de carnaval. Ele falou sobre a participação de operadores de jogo do bicho no evento, as dificuldades para legalização dos jogos no país e expôs a hipocrisia que cerca o assunto.

No inicio da entrevista, publicada nesta terça-feira (12) no Jornal do Brasil, Luiz Carlos Prestes Filho é questionado sobre porque defende o reconhecimento dos operadores de jogo do bicho no Carnaval do Rio de Janeiro. Ele afirmou que a festa só chegou ao que é hoje graças a ajuda desses personagens que fizeram com que ela ganhasse o reconhecimento da mídia e do poder público.

“Foi através de nomes como Natal da Portela, Anísio Abraão, Capitão Guimarães, Luizinho Drummond e Carlinhos Maracanã, que o Carnaval se transformou e cresceu. Naquele tempo (década de 30), as agremiações não tinham espaço na mídia, e tampouco aportes do governo. O Jogo, que é proibido há de mais de 130 anos, atravessou duas ditaduras, a crise de Getúlio Vargas, o Golpe Militar de 1964... Apesar de qualquer força política, o Jogo prevaleceu. E como diria o economista Carlos Lessa, não se pode negar a engenharia social do carnaval, a partir da liderança dos bicheiros”, disse Prestes.

Já para explicar porque não tem receio de falar e defender o jogo do bicho, e todas as modalidades de jogos, que hoje são considerados contravenção penal, ele afirmou que não pois a Lei de Contravenções é de um período autoritário do país e que o jogo é uma realidade, emprega pessoas, está presente até em frente o congresso nacional e defendeu que a legalização trará muitos benefícios.

Questionado do porque o jogo encontra tantas de dificuldades para ser legalizado já que é uma realidade e traria muitos benefícios para o país, Luiz Carlos Prestes Filho foi enfático e apontou a hipocrisia como principal inimigo dos jogos.

“Hipocrisia. Essa é a maior dificuldade. Vivemos numa sociedade hipócrita. Isso, só não vê quem não quer. Sobre o Jogo, só não enxerga a sua importância quem fecha os olhos para ele. É uma grande hipocrisia. É um elemento agregador e positivo para o Carnaval. O problema é que nos apegamos aos dogmas do passado”.

Sobre se é possível fazer carnaval sem os operadores de jogo do bicho, Luiz Carlos Prestes Filho, disse: “Eu penso que os próprios bicheiros, ao buscar a regulamentação, querem que o Carnaval tenha a sua sustentabilidade. Eu defendo que, se for regulamentado, o dinheiro pode, e deve, ser investido nas Escolas de Samba. O Bicho foi fundamental para construção do conceito de ‘Maior Espetáculo da Terra’”.

A conversa termina com Prestes apontando que o Carnaval precisa de investimento público porque as Escolas de Samba além da festa também promovem serviços às comunidades, o dinheiro investido será triplicado e que o Carnaval é estudado mundialmente e “permite que o Brasil seja visualizado pelo mundo”.

Segundo o especialista, o maior problema do Carnaval é o mesmo de industrias como a gráfica e a automotiva que sofre com a falta de formação profissional. Ele defendeu a criação de uma Universidade do Carnaval para formar e explicar o que são as funções de uma escola de samba como Diretor de Quadra, Diretor de Barracão e Carnavalesco.

Fonte: GMB/ Jornal do Brasil