DOM 16 DE DEZEMBRO DE 2018 - 16:52hs.
OPINIÃO - GILDO MAZZA, JORNALISTA ESPECIALIZADO NO SETOR DE JOGOS

2018 será o ano da vitória para o setor de jogos

(Exclusivo GMB) - Um novo ano está começando e a principal pergunta que o setor enfrenta é: “Quando a atividade será regulamentada para reforçar o caixa do governo, gerar empregos e sair da clandestinidade”? Essa é também a pergunta que Games Magazine Brasil faz pois uma coisa é clara: o jogo existe por todos os cantos do Brasil e o que falta é a sociedade se beneficiar, como acontece em todos os países onde o jogo é encarado como uma atividade econômica séria.

O que ainda falta ao Brasil é a coragem de enfrentar os tabus e trazer para a legalidade um rol de atividades que pode gerar mais de R$ 30 bilhões aos cofres públicos, investimentos em segurança e, para dar garantias de bom funcionamento ao setor, investimentos também em infraestrutura e transporte, para garantir acesso a todos os que se dirigirem para as localidades onde serão implantados resorts integrados com cassinos. Virão também mais investimentos em tecnologia, para dar mais transparência ao setor, e muitas empresas serão abertas para atender à demanda por produtos e serviços para as diversas modalidades de apostas.

Ao longo de 2017 vimos as discussões se aprofundarem, tanto no Parlamento quanto nos diversos eventos que aconteceram em todo o mundo e que colocaram o Brasil no centro das atenções, assim como no Brazilian Gaming Congress, que debateu à exaustão a atividade, e as visitas de grandes empresários do setor de jogos ao país para mostrar às autoridades os benefícios do setor regulamentado e a disposição que têm de investir pesado com a aprovação de uma lei.

O mais importante é que os dois projetos em discussão no Congresso Nacional amadureceram a opinião dos parlamentares a respeito da seriedade do setor e visão que eles passaram a ter de que a atividade bem regulada poderá trazer riqueza ao país.

Está muito claro que o Brasil precisa rediscutir uma série de questões para que a economia entre nos trilhos, como a reforma da Previdência. Deputados e senadores olham para as pautas do Congresso Nacional sempre com um olho nas eleições que acontecerão neste ano, o que pode deixar alguns deles com um pé atrás para defender abertamente a aprovação de uma lei para o setor de jogos. Por esta razão, é importante que o setor esteja unido para reforçar perante a sociedade os benefícios da atividade para que os parlamentares se sintam mais à vontade para dizer sim no momento de votação em Plenário. 

O tema já está na pauta, tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado. O PL 442/91 foi aprovado pela comissão de jogos da Câmara e aguarda apenas ser pautado para votação em Plenário, já que existe um requerimento de urgência para o projeto. Nas últimas sessões da Casa, esperava-se que o presidente, deputado Rodrigo Maia, incluísse o pedido na pauta, mas isso acabou não acontecendo em função do aperto na agenda e também pela movimentação de Maia no sentido de buscar mais apoios para a aprovação da reforma da Previdência.

No Senado, o PLS 186/14, do senador Ciro Nogueira, já foi relatado pelo senador Benedito de Lira na Comissão de Constituição e Justiça, tendo sido dada vista coletiva e espera-se que no início de fevereiro seja votado na CCJ e em seguida enviado para Plenário. Assim, em março o Senado Federal poderá aprovar o projeto do senador Ciro Nogueira e se isso ocorrer antes da votação do projeto da Câmara, ele será encaminhado à Câmara Federal, onde o PL 442/91 terá de ser apensado como emenda. Caso o projeto da Câmara seja votado primeiro, a ordem se inverte e o PLS 186/14 é que será apensado como emenda.

O jogo está na mesa. Resta saber quem terá a melhor mão para conseguir a aprovação primeiro para que o projeto final tenha a decisão final do Congresso Nacional e siga para sanção presidencial. Espera-se que até abril a cartada final tenha sido dada, o que poderia garantir a abertura de diversos bingos no Brasil ainda no primeiro semestre deste ano e resorts integrados de cassinos dentro de cerca de dois anos, já que envolvem investimentos bilionários e outras demandas.
 

GILDO MAZZA

Gildo Mazza, jornalista especializado no setor de jogos, editor da revista Games Magazine desde sua fundação, em 1997, tendo sido também colaborador de edições da publicação na Itália, Venezuela, Colômbia, México e Argentina.