TER 11 DE DEZEMBRO DE 2018 - 10:34hs.
No Mato Grosso do Sul

Fora da lei, mas dentro da tecnologia, jogo do bicho segue livre

As apostas na “loteria clandestina” antes eram feitas em cartelas de papel, que no fim do dia eram recolhidas para o sorteio da premiação; hoje, bicheiros usam aplicativo de celular em Campo Grande e em Dourados, e o apostador recebe um comprovante impresso de que fez a aposta. O jogo do bicho, apesar de ilegal, também teve de se render à tecnologia.

Fora da lei, mas dentro da tecnologia, jogo do bicho segue livre

(Foto: Bruna Pasche / Marina Pacheco - Campo Grande News)

(Foto: Bruna Pasche / Marina Pacheco - Campo Grande News)

Uma modalidade que não só continua se espalhando pelas ruas, como teve de se modernizar para não perder a clientela. O jogo do bicho, apesar de ilegal, também teve de se render à tecnologia e passou a ser feito por meio de aplicativo para celular.

As apostas na “loteria clandestina” antes eram feitas em cartelas de papel, que no fim do dia eram recolhidas para o sorteio da premiação. O apostador ficava apenas com um rascunho para conferir o jogo. Hoje, a aposta é feita pelo celular e o apostador recebe um comprovante de que fez a aposta impresso.

No ramo há 13 anos, um cambista – como são chamadas as pessoas que vendem os jogos – topou dar entrevista sem se identificar. Ele conta como foi a evolução da bolsa de apostas ilegais.

“Aqui no Mato Grosso do Sul, que eu sei, o aplicativo funciona só em Campo Grande e em Dourados, inclusive o programa deles (da cidade do interior) é melhor que o nosso, dá pra fazer várias apostas de uma vez só, aqui eu tenho que fazer uma de cada vez. O aplicativo chegou de lá de cima (comando do jogo do bicho), nós não tivemos opção de escolher se queríamos continuar com o talão ou não”.

O cambista revela ainda que os clientes se sentem mais seguros com as apostas eletrônicas. “A gente joga a aposta no aplicativo e imprime uma via que fica com o apostador, isso traz mais segurança para, porque antigamente o motoqueiro podia perder ou acontecer qualquer coisa com sua aposta e você não tinha como prova”, pontuou.

Fiscalização
O jogo do bicho tem artigo específico no Decreto-lei nº 3.688, de 3 de outubro de 1941, a Lei das Contravenções Penais. Quem for pego por explorar a “loteria ilegal” pode pegar pena de quatro meses a um ano de prisão, além de ter de pagar multa. 

Titular da Deops (Delegacia Especializada de Ordem Política e Social), o delegado Paulo Henrique Sá, explica que a Polícia Civil fiscaliza o jogo do bicho rotineiramente, assim como fecha caça-níqueis.

O delegado admite a dificuldade de combater o jogo de azar. “A gente até recebe denúncias, apreendemos recentemente algumas maquinetas e temos dois ou três inquéritos abertos, mas existe uma aceitação social, está no dia a dia das pessoas”, afirma sobre a dificuldade da polícia em coletar informações e tocar apurações, por exemplo.

Foi o que o Campo Grande News encontrou nas ruas. Apostadores assíduos, um casal de Ribas de Rio Pardo – a 103 km de Campo Grande –, que também preferiu não se identificar, não vê o jogo como ilegal e apostam há tanto tempo que nem se lembra mais. Eles revelam que já chegaram a ganhar mais de R$ 10 mil em um jogo. “Tem que estar com sorte, mas às vezes vale a pena”, disse um dos entrevistados.

Basta uma circulada pelos bairros da Capital para encontrar as banquinhas onde são feitas as apostas. Os locais também vendem loterias autorizadas e outros produtos, além de manter a bolsa de apostas clandestina.

História
O jogo associa 1 número para cada um dos 25 animais diferentes e surgiu há pelo menos 120 anos no Brasil. Conforme publicado pela revista Superinteressante, o banco de apostas foi criado para evitar que o zoológico do Rio de Janeiro (RJ) fechasse.

Na compra de um ingresso, um bicho era escolhido e caso sorteado no fim do dia, o comprador podia ser premiado com até 20 vezes o valor do bilhete. Em 1894, os bicheiros que se espalharam pela cidade e desde então, pelo país.

Fonte: GMB / Campo Grande News