SEG 10 DE DEZEMBRO DE 2018 - 06:46hs.
Dep. Federal Evandro Roman

“A maioria da bancada religiosa sabe a importância e os benefícios que o jogo trará para o Brasil”

O Deputado Federal Evandro Roman, presidente da comissão mista da MP 846 que legalizou das apostas esportivas, foi um dos painelistas do OGS Brazil realizado essa semana em São Paulo. O parlamentar conversou com o GMB sobre o evento, o futuro do debate de jogos na nova legislatura e revelou um apoio velado de deputados fundamentalistas e religiosos a legalização da atividade. “Eles sabem da importância e dos benefícios, mas tem dificuldade de chegar à missa ou ao culto e explicar isso para o seu público”, afirmou o deputado.

GMB - Qual a sua avaliação do Online Gaming Summit e a importância dele nesse momento em que a legalização das apostas esportivas foi aprovada no Brasil?
Dep. Evandro Roman - Primeiramente, acho que o Brasil deu o primeiro passo no avanço para regularização dos jogos. Um debate como esse é importante porque todos os atores que aqui estão são pessoas que ficam sabendo quais são as reais situações que são discutidas hoje dentro do parlamento e o que tem que se fazer para avançar. Procurei deixar bem claro que existe uma questão cultural e o jogo do bicho mesmo na clandestinidade mostra isso, no entanto não é possível mexer em todos os jogos de uma vez, é preciso ir devagar para mexer na estrutura. Então, um evento como esse com certeza dá uma segurança maior para nós no parlamento podermos trabalhar sabendo da organização que os jogos tem no Brasil e como trabalhar isso.

Uma de suas declarações mais fortes durante o OGS, foi que o jogo foi “satanizado de forma irresponsável”. Porque acredita que o setor ainda carrega essa marca e o que pode ser feito para derrubá-la?
É sempre mais fácil transferir para um seguimento ou alguma ação o defeito que é do próprio homem. O limite quem tem de ter é o homem; desde portar um arma de fogo, se alimentar e não se transformar em um adulto obeso mórbido, a compulsão pelo álcool e pelo cigarro. O jogo é mais uma situação dessas que se coloca e não está. No jogo você pode muito bem com equilíbrio, jogar e ter o entretenimento. Eu falo que o tolo é o que vê unicamente o jogo porque todo o entretenimento que se oferece em um resort, o torna um ambiente familiar. Mas, foi vendido por alguns seguimentos fundamentalistas de algumas religiões que o jogo era algo satanizado, que não era “legal”, e isso não é verdadeiro. Então, o Brasil precisa romper um pouco essas mazelas dessa cultura antiga, desmistificar e mostrar realmente o quanto isso pode trazer de benefícios para o povo brasileiro, principalmente com a questão dos impostos.

Durante seu painel no OGS, você também chegou a declarar que o jogo tem um apoio velado de deputados fundamentalistas com víeis religioso que não conseguem explicar esse apoio ao seu publico. Pode nos falar um pouco mais sobre essa situação?
A grande maioria da bancada que tem um fundamentalismo religioso, principalmente pautado no cristianismo, os católicos; como eu; e os evangélicos, eles sabem da importância e o quanto isso vai trazer de benefícios com recursos aplicados na saúde, educação, esportes, cultura; mas, eles tem uma dificuldade de chegar ao momento da missa ou do culto e explicar para a sociedade que a atividade não é mais aquele jogo satanizado como foi vendido durante muito tempo. Então, a maioria que está ali sabe da importância, sabe o quanto isso fará bem para o povo brasileiro, mas, tem essa dificuldade. Eu acho que a partir do momento em que se construir algo que gere um discurso favorável, principalmente na questão de levar parte desses recursos para trabalhar junto a essas entidades para atender a saúde de pessoas com distúrbios mentais provocados por algum tipo de vício como a droga, o álcool ou o cigarro, então, pode ter certeza que isso mudará muito as opiniões.

Houve uma grande renovação do quadro de deputados e senadores no Congresso Nacional após as eleições de 2018. Qual a sua perspectiva em relação ao debate do jogo durante legislatura que começa em 2019?
Eu diria que no atual momento dificilmente passaria a regularização dos cassinos urbanos ou dos cassinos em resorts porque há um bloqueio em relação a isso. O que vem agora nós não sabemos. A Câmara foi renovada em 61%, o Senado, dentro desses dois terços em disputa na eleição, foi renovado em 85%. Sabemos que aumentou significativamente, em torno de 3,5%, a bancada evangélica, aumentou em praticamente 100% a bancada da bala, muitos médicos e youtubers. Então, qual o perfil de cada um e a essência para ter o entendimento é o que nós vamos ter que aguardar a partir de fevereiro ou março para que nós possamos entender qual é o perfil desse novo cenário, esse novo deputado, novo senador que está chegando lá.

Acredita que nos primeiros seis meses de legislatura já teremos esses perfis desenhados?
Com certeza, nos primeiros seis meses as pessoas já se identificam, é só levantar o tema no plenário e nas comissões que você já vê a movimentação. E falei no evento que circulando pelo congresso, você sente a temperatura e fica muito claro como se sentem, até porque a renovação foi muito grande.

Qual a sua avaliação do trabalho da Frente Parlamentar Pró-Jogo que está instalada na Câmara e qual projeção podemos fazer para ela nesse cenário de renovação da casa?
A frente parlamentar é comandada pelo Deputado Cesar Halun, do Tocantins, muito atuante, presente e que tem realmente o desejo de legalizar a atividade. Eu só discordo da situação de tem que ser aprovado tudo ou nada; acredito que temos que fragmentar. Como agora aprovamos as apostas esportivas, vamos partir para outras aprovações também conforme for a movimentação da própria sociedade que trabalha e do interesse do Brasil. Então, eu diria que nós temos que repensar no sentido de fragmentar as aprovações e assim vamos conseguir avançar, porque se nós quisermos tudo ou nada, provavelmente, nós vamos ficar com o nada.

 Fonte: Exclusivo GMB