SÁB 19 DE OUTUBRO DE 2019 - 11:35hs.
Vanessa Morales, candidata à presidência da ABIH-Nacional

"Todos os anos o Governo deixa de arrecadar cerca de R$ 29 bilhões ao não legalizar apostas"

Vanessa Morales é candidata à presidência da ABIH-Nacional, Associação Brasileira da Indústria de Hotéis. A eleição está marcada para hoje, dia 1º de outubro. Vanessa defende a legalização do bingo e dos cassinos. 'A liberação dos jogos no Brasil deve impulsionar principalmente o setor hoteleiro, que está se recuperando a passos lentos da crise iniciada em 2014', acredita. Para gerir a ABIH, a candidata traz debates para impulsionar o setor hoteleiro e, com ele, a liberação de cassinos em resorts no Brasil.

GMB - Por que decidiu concorrer à presidência da ABIH?
Vanessa Morales -
O que me faz querer chegar à presidência da ABIH é a certeza de que é preciso experiência em gestão, humildade para escutar as demandas de todos os estados brasileiros, articulação política, determinação e foco. E isso eu adquiri ao longo de uma década no mercado hoteleiro.

Quais são as suas principais propostas para a ABIH?
Temos 29 propostas e entre elas destaco o desafio de regulamentar o Airbnb. Nós conseguimos regulamentar a plataforma em Caldas Novas, no interior de Goiás. Foi a primeira cidade do Brasil a fazer isso. Nosso objetivo é fazer o mesmo em âmbito federal, contemplando todos os municípios. Outros desafios são a alteração da Lei Brasileira de Inclusão, ajustes na cobrança do ECAD e liberação dos jogos. A liberação dos jogos no Brasil deve impulsionar principalmente o setor hoteleiro, que está se recuperando a passos lentos da crise iniciada em 2014. Defendo também a criação de um conselho entre todas as entidades que representam a Hotelaria no Brasil para que todas as demandas do setor sejam discutidas e acionadas em conjunto. 

Como você avalia sua gestão na ABIH – GO?
É uma gestão que vai deixar um grande legado e que foi de grandes entregas para os associados: de regulamentação do Airbnb em Caldas Novas (GO); de realização de cinco censos hoteleiros em Goiânia, Anápolis, Pirenópolis, Trindade e Caldas Novas; de realização do Congresso Nacional de Hotéis (Conotel), em 2019, o maior evento de hotelaria do país; implementação do Circuito do Conhecimento, no qual foi realizada uma palestra mensal para os associados, inclusive no interior do Estado. Foi uma gestão de integração, com a realização de eventos sociais que, por diversas vezes, reuniram os associados para ricas trocas de ideias, visando o avanço do setor e também o network entre os associados.

Qual é sua posição frente à legalização dos cassinos no Brasil? E sobre o resto dos jogos de azar?
Nossa chapa “Renovação e União” defende a liberação dos jogos de bingo e cassinos. O projeto que já está em fase adiantada de discussão no Senado Federal, deve ser analisado pelo Plenário e seguir para a sanção presidencial ainda este ano. A não-regulamentação favorece o crime e a ilegalidade. Todos os anos o Governo Federal deixa de arrecadar cerca de R$ 29 bilhões ao não legalizar apostas. Isso num período de três anos.

Acredita que os cassinos poderiam beneficiar o turismo do Brasil? E do seu Estado? Como?
Acredito que a liberação dos jogos no Brasil, além de aumentar a arrecadação de tributos para o governo, seria ainda uma forma de impulsionar a geração de empregos, podendo chegar em torno de 700 mil vagas. É mais um atrativo turístico para reforçar o turismo no nosso país, além de trazer mais investidores para o mercado hoteleiro no Brasil. Em Goiás, o município de Caldas Novas, por exemplo, espera se tornar a Las Vegas brasileira.

Na sua opinião, apenas cassinos em resorts devem ser permitidos ou crê que deveria haver cassinos físicos independentes dos grandes hotéis?
Nós defendemos a liberação dos cassinos dentro de resorts porque acreditamos que esse modelo movimentaria muito mais a economia, todo o setor hoteleiro com o incremento da venda de alimentos, bebidas e entretenimento e, o que também é importante, dentro de um ambiente mais seguro. 

Tem acompanhado o que ocorre na Câmara de Deputados e Senadores com as leis de legalização do jogo? Acredita que este ano haverá novidades?
No Senado, as discussões são controversas. De um lado, a bancada defende a legalização sobre o viés econômico. Nessa perspectiva, parlamentares defendem que o dinheiro arrecadado poderia ser um ‘respiro’ em tempos de vacas magras provocados pela crise financeira. Do outro lado, no entanto, está a bancada mais conservadora que é contrária à legalização por questões morais. O tema é controverso, mas deve ser regulamentado. Os jogos do bicho, bingo e cassino estão proibidos no país desde 1946. A possibilidade de liberação por meio da PLS 186/2014 que tramita no Senado já fez surtir o interesse de grandes redes internacionais de cassinos.

Qual o papel da ABIH nessa discussão sobre a legalização de jogos no Brasil?
A ABIH é uma entidade forte, que deve participar ativamente de todas as decisões que afetam o turismo no Brasil, seja as de origem no Legislativo como no Executivo. Acredito que cabe às entidades não só articular politicamente a aprovação de projetos que beneficiem o setor, como também comandar esse debate para que ele seja promovido dentro dos principais aspectos que realmente interessam ao país e ao setor privado, o avanço econômico no turismo.


Fonte: Exclusiva Games Magazine Brasil