QUI 19 DE SETEMBRO DE 2019 - 09:39hs.
Pedro Trengrouse, advogado especialista em legislação esportiva

“Os estádios podem gerar R$ 20 mi por ano com os bingos que a nova lei do jogo autoriza”

O Governo do Rio de Janeiro aceitou a proposta protocolada por Flamengo e Fluminense para serem os novos gestores do Maracanã pelos próximos seis meses. Em entrevista a CBN Rio, Pedro Trengrouse, advogado especialista em legislação esportiva e VP da Comissão Especial de Direito dos Jogos (OAB), afirma que “o Marco Regulatório que está pronto para ser votado na Câmara dos Deputados pode trazer receitas superiores a R$ 20 milhões por ano com a possibilidade de bingos nos estádios de todo o Brasil”.

 

 

O convite para entrevista a CBN Rio foi motivado pela decisão do governo estadual de aceitar a proposta de Flamengo e Fluminense de que os clubes administrem o estadio do Maracanã de forma temporaria durante 6 meses. Pedro Trengrouse apoiou a ideia e afirmou que seria uma decisão natural.

"Vejo de uma forma muito positiva. A única razão que explica a Odebrecht administrando o Maracanã é a corrupção. Uma empreiteira que constroe estádio não tem a menor condição de administrar. Enxergar o Maracanã na mão dos clubes é algo natural que já devia ter acontecido a muito tempo”.

Seguindo a entrevista e comentando a polêmica gerada pela decisão, quando assunto foi as receitas que poderiam ser geradas pelos estadios, o professor lembrou o projeto de lei do Marco Regulatório dos Jogos no Brasil, que está para ser votado no plenário da Câmara dos Deputados, dizendo que os estadios poderiam ter mais uma boa fonte de renda por meio dos bingos.

"Nessa lei tem um dispositivo que diz que todo estádio pode ter um bingo com pelo menos 300 máquinas. Isso significa dizer que os estádios podem ter uma receita de pelo menos R$ 20 milhões por ano, só com essa possibilidade que pode ser votada a qualquer momento".

Pedro Trengrouse afirmou que a aprovação da lei do jogo junto com a administração dos estadios pelos clubes pode significar uma tranformação nas arenas pelo país, não só com o aumento de receitas, mas, também com redução de custos.

"Acho que é preciso levar em consideração que a administração inteligente dos estádios, melhorando a situação, nesse caso do Maracanã, e até pensando nessa possibilidade que está pronta pra ser votada a qualquer momento, pode transformar os estádios e consequentemente baixar muito os custos para os clubes de futebol. “A indústria precisa enxergar o esporte como aliado e o esporte precisa enxergar as oportunidades que podem aproveitar com a regulamentação do jogo no Brasil”, assegura Trengrouse.

Finalizando a entrevista, o Professor voltou a afirmar que os estadios serem geridos por clubes é um processo natural. Ele citou o exemplo do Arsenal com o Emirates Stadium, na Inglaterra, e afirmou esperar que a decisão do Rio de Janeiro seja seguida por todo o país.

"No mundo inteiro os estádios bem sucedidos tem vinculação direta com os clubes, é o caso da Inglaterra em que o estádio do Arsenal representa quase a metade a da receita do clube. Eu tenho muita esperança nisso. E é natural, o estranho é que a construtora administre o estádio, isso só se explica por corrupção. É um passo importante que pode ser seguido pelo Brasil inteiro”, conclui Trengrouse.

Fonte: GMB