VIE 25 DE SEPTIEMBRE DE 2020 - 17:43hs.
Paulo Fernando Costa, do Movimento Brasil Sem Azar

Opositores admitem que a legalização dos jogos tem grandes chances de avançar na Câmara este ano

O advogado Paulo Fernando Costa, do Movimento Brasil Sem Azar, disse ao site O Antagonista que o terreno está sendo preparado para a legalização dos jogos no país. “Flávio (Bolsonaro, Senador) em Las Vegas acendeu o sinal para os cassinos no Brasil e a batalha será grande”, acredita ele, que também é assessor especial da ministra Damares Alves, igualmente contrária a bingos, cassinos e afins.

Na semana passada, o senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente da República, se reuniu em Las Vegas, em viagem paga pelo Senado, com as autoridades do Grupo Las Vegas Sands.

Para Paulo Fernando, que monitora os movimentos no Congresso a favor da jogatina, há “grande chance” do assunto avançar na Câmara este ano, principalmente onde há um projeto pronto para ser levado ao plenário.

“A batalha será grande. O jogo nunca vem sozinho. Mas o lobby é pesado, há muito dinheiro envolvido”, comentou o advogado.

As negociações estão sendo encabeçadas pelos deputados Elmar Nascimento (DEM) e Paulinho da Força (Solidariedade). Flávio e lideranças do Centrão tentam convencer ao presidente Jair Bolsonaro e trabalham para que projetos avancem neste ano.

Nascimento é o relator de um projeto sobre a legalização dos jogos de azar no Brasil que está pronto para ser votado no plenário da Câmara. Ele disse que ser contra a legalização é uma “hipocrisia”.

“Somos a única democracia do mundo que não tem o jogo legalizado. O que queremos é apenas autorizar algo que já existe. Ou não existem 500 mil máquinas de caça-níquel instaladas nas favelas, sem qualquer tipo de controle, atendendo justamente à clientela das igrejas evangélicas, que são contra o jogo?”, argumentou o deputado.

Para Nascimento, “é mais fácil lavar dinheiro no sistema financeiro do que no jogo” e atualmente, sem a legalização, a polícia está 'comendo bola' nas mãos dos contraventores. O debate é irracional. A milícia explora as máquinas de caça-níquel nas favelas. As igrejas teriam que ser contra isso, não?”.

Para o próprio site O Antagonista, o debate sobre a legalização dos jogos de azar, no retorno do recesso parlamentar, tende a ser acirrado no Congresso.

Fonte: GMB / O Antagonista