SEG 25 DE MAIO DE 2020 - 08:01hs.
De acordo com informações da Folha de S. Paulo

Verba publicitária de Bolsonaro abasteceu sites de jogos de azar e fake news

O governo de Jair Bolsonaro veiculou publicidade sobre a reforma da previdência em sites de fake news, de jogo do bicho, infantis, em russo e em canais do YouTube que promove o presidente da República, de acordo com artigo da Folha de S. Paulo. As informações constam nas planilhas enviadas pela Secom (Secretária Especial de Comunicação da Presidência) por determinação da Controladoria Geral da União, por conta de um pedido por meio do Serviço de Informação ao Cidadão.

Ainda segundo a Folha, a Secom contrata agências de publicidade que compram espaços por meio do GoogleAdsense para veicular campanhas em sites, canais do YouTube e aplicativos para celular. O anunciante escolhe que tipo de público quer atingir, em que tipos de sites não quer que sua campanha seja veiculada e quais palavras-chave devem ser vetadas. Então o Google distribui os anúncios para sites ou canais do YouTube que cumpram os critérios estabelecidos pelo anunciante.

O montante pago pela Secom é dividido entre o Google e o site ou canal do YouTube. As porcentagens do Google variam, de 40% a 20% ou menos, dependendo da negociação entre os sites e a plataforma. No final, o anunciante recebe um relatório sobre todos os seus anúncios, onde foram veiculados, quantas impressões e outros dados.

Neste sábado (9), após a publicação da reportagem da Folha de S. Paulo, o senador Alessandro Vieira, da bancada do Cidadania e outros senadores do grupo chamado Muda Senado entraram com uma representação por improbidade contra a Secom. O grupo ainda apresenta um pedido de convocação do secretário Fábio Wajngarten para esclarecimentos.

De acordo com as planilhas do Secom, que são disponibilizadas no site de Acesso à Informação do governo federal, dos 20 canais do YouTube que mais veicularam impressões da campanha da Nova Presidência, 14 são primordialmente destinados ao público infantojuvenil.

Em novembro de 2019, foi pedido à Secom, por meio do Serviço de Informação ao Cidadão, um relatório de canais nos quais os anúncios do governo federal contratados através da plataforma Google Ads foram exibidos. A Secom chegou a negar duas vezes o pedido. Porém, após recursos, o CGU determinou que a Secom deveria disponibilizar o relatório pedido no prazo de 60 dias, a partir da notificação da decisão.

Segundo a Folha de S. Paulo ainda as planilhas devem ser encaminhadas à CPMI das Fake News nos próximos dias. Os documentos não especificam o total gasto pela Secom os anúncios. Em maio do ano passado, a secretaria informou que gastaria R$ 37 milhões em inserções publicitárias sobre a reforma da Previdência, em televisão, internet, jornais, rádio, mídias sociais e painéis em aeroportos.

Outra publicação que recebeu valores de anúncios com dinheiro público foi um site de resultados do jogo do bicho, que é ilegal no Brasil e que teria recebido 319.082 anúncios, segundo planinha da Secom. Sites de fake news também receberam muitos cliques, além de verba de anúncios do governo. Um deles recebeu 66.431 anúncios.

A Secom relata nas planilhas também gastos com anúncios veiculados em sites e canais que promovem o presidente da República Jair Bolsonaro. No Bolsonaro TV, por exemplo, que se descreve como “canal dedicado em apoiar o presidente da República, Jair Messias Bolsonaro”, houve 5.067 impressões, segundo a planilha.

O canal de YouTube ‘Terça Livre TV’, que pertence ao blogueiro Allan dos Santos, consta também na planilha da Secom de veículos que receberam anúncios do governo. Segundo o documento, foram 1.447 anúncios no canal.

A Folha informa que para Manoel Galdino, diretor executivo da Transparência Brasil, o “governo está remunerando atividades criminosas”. “segundo a Constituição, a propaganda do governo precisa seguir a moralidade, o que não inclui incentivas atividades antiéticas, como fake news, ou ilegais, como o jogo do bicho”, disse.

Por fim, o jornal diz que o senador Angelo Coronel (PSD-BA), presidente da CPMI das Fake News, por meio de sua assessoria, afirmou que não iria comentar o assunto porque “não recebeu e não conhece as informações”.

Fonte: GMB