VIE 1 DE JULIO DE 2022 - 01:48hs.
Pressão da bancada evangélica

Bolsonaro atrasa assinatura do decreto para regular as apostas esportivas por questões políticas

As discussões em torno da regulamentação das apostas esportivas no Brasil continua movimentando o meio político brasileiro. Temendo que uma medida a ser adotada pelo presidente Jair Bolsonaro poderia abrir as portas para a legalização de outras verticais, o deputado evangélico Marco Feliciano disse explicitamente ao presidente que é contra uma MP sobre o tema, conforme revela o jornalista Lauro Jardim em sua coluna no O Globo.

Deu ruim na edição da Medida Provisória que o governo editaria na semana passada para regulamentar o setor de apostas feitas por meio digital — e que o obrigaria a pagar impostos”, abre a coluna de Lauro Jardim.

Segundo ele, depois de uma costura feita por Ciro Nogueira com líderes evangélicos para explicar o teor da MP, ou seja, que essa medida não significa a legalização dos jogos de azar, Jair Bolsonaro travou o envio da proposta ao Congresso.

A iminente regulamentação das apostas esportivas continua no foco do setor, mas a defesa do tema de costumes continua se superando e dominando a cena política em Brasília, a ponto de colocar o presidente Jair Bolsonaro como refém do bloco evangélico do Congresso Nacional.

A minuta do decreto presidencial que regulamenta as apostas esportivas no Brasil divulgada pelo GMB ainda é a única sinalização de que o setor poderia ser implementado de imediato para o país passar a receber os impostos sobre a atividade.

Mas a agenda eleitoral, como sempre acontece no Brasil, é o farol que está norteando o vai e vem da regulamentação. Em 2 de outubro acontecerá a eleição para presidente, governadores de estados, deputados e senadores. Se o candidato a presidente não alcançar 50% de votos mais um, acontecerá o segundo turno, em 30 de outubro.

O presidente, candidato à reeleição, está se sentindo cada vez mais pressionado pelas pesquisas eleitorais. O principal candidato de oposição, Luís Inácio Lula da Silva, aparece em primeiro em todas as pesquisas e pode até vencer no primeiro turno. Na mais recente pesquisa, divulgada nesta quarta-feira, aponta Lula com 52,87%.

Como Bolsonaro tem forte apoio na parte mais conservadora da população, está reafirmando suas posições em relação aos costumes, contra os jogos e contra a comunidade LGBTQIA+.

Com isso, a bancada evangélica ainda o apoia e por isso ele tem de seguir a cartilha do que determina essa parcela de parlamentares. Até o momento em que mesmo eles decolarão para o apoio ao candidato da oposição para tentar garantir cargos no futuro governo.

Fonte: GMB / Lauro Jardim/O Globo