DOM 29 DE NOVIEMBRE DE 2020 - 12:52hs.
Ludovico Calvi, presidente do GLMS

“A digitalização pode apresentar uma grande inovação das loterias no Brasil”

Durante o webinar do GMB LiveSeries sobre o futuro do mercado das loterias no Brasil, Ludovico Calvi, presidente da Global Lottery Monitoring System (GLMS), trouxe sua experiência para o encontro, destacando que um dos grandes avanços na atividade de jogos é a digitalização que vem crescendo. “Em 2020 temos possibilidade tecnológica para criar uma combinação entre o físico e o digital para conhecer melhor o cliente e atende-lo em suas necessidades e Brasil deve aproveitar essa oportunidade”, explicou Calvi.

“Todas as operações podem ser feitas de um celular e a segurança cibernética nos oferece tudo que precisamos para que todos tenham um relacionamento adequado diante da diversificação de canais. Temos de unir nossos clientes”, afirmou, lembrando que até mesmo a OMS - Organização Mundial de Saúde tem recomendado que os meios de pagamento digitais sejam incentivados e facilitados.

“Eles têm dito que uma das formas de transmissão da COVID-19 é por meio de notas. Assim, os governos estão tomando medidas para reduzir a circulação de caixa. A digitalização pode apresentar uma grande inovação das loterias e do jogo em geral”, comentou Calvi.

De acordo com o executivo italiano, hoje as empresas privadas estão entrando num mundo até pouco tempo atrás dominado pelos governos, o que tem promovido avanços das loterias, com a privatização de algumas atividades, e por isso os processos de pagamento vão se incorporar a esses avanços. Outro fato importante, segundo ele, é que os empresários de jogo busquem conhecer melhor os clientes e diversificar os canais de distribuição de seus produtos.

 

 

A inovação, de acordo com o executivo do GLMS, demorou, pois, as loterias tradicionalmente tinham alta rentabilidade por não ter concorrência. “As empresas privadas estão entrando no setor das loterias e do jogo público. Não podemos ficar parados para aproveitar as oportunidades que a tecnologia oferece. Se as loterias estiverem complacentes, isso não funcionará, pois não inovando, nada mudará. O jogo online em no canal móvel pode oferecer a solução, pois é possível segmentar os clientes existentes e atrair jovens jogadores, talvez a partir das apostas esportivas e até começar a jogar raspadinha e mega-sena”, analisou.

A inteligência artificial, segundo ele, pode ser uma ferramenta. “Modelos preditivos podem ajudar a satisfazer as necessidades dos clientes. Várias loterias não conhecem os métodos para conhecer seus clientes. Podem saber apenas quem ganhou um grande prêmio. Isto é uma grande oportunidade para empresas privadas e públicas de jogo. O vírus está acelerando o processo de transformação digital e é imperativo que as loterias comecem a adquirir dados e executar processos de conhecer seus clientes de forma eficaz”, defendeu.

Ludovico comentou que não é preciso identificar um cliente em uma loja física, por exemplo, que vai jogar uma raspadinha, mas podem ser criados códigos para acompanhar o comportamento do jogador a partir desses códigos gerados para que ele valide alguma informação no site do provedor. “Em 2020 temos possibilidade tecnológica para criar uma combinação entre o físico e o digital para conhecer melhor o cliente e atende-lo em suas necessidades”, disse.

 

 

Na sua opinião, um fator preponderante para o sucesso da indústria é trazer para a legalidade o mercado ilegal, como forma de tornar a atividade mais competitiva, séria e segura. “Operadores que hoje não têm licença precisam receber a oferta do governo para que entrem no mercado legal, a partir da regulamentação da atividade. O mercado ilegal surgiu e é atrativo para os apostadores. O mercado deve garantir ofertas atrativas para que os jogadores apostem em jogo legal. O payout é um assunto importante. Na Itália, sempre existiram apostas esportivas e quando legalizamos a atividade, a taxa era alta e o mercado ilegal continuou crescendo. Se o payout for adequado, o mercado legal se torna atrativo para os apostadores, como foi feito por lá. Hoje o mercado ilegal representa apenas 5% das ofertas de jogo na Itália, graças à ação do governo no sentido de melhorar o payout para as operações”, contou.

O próximo ano, com a entrada em operação das apostas esportivas, poderá ser um marco para o Brasil, na sua avaliação.

Fonte: Exclusivo Games Magazine Brasil