SEG 10 DE DEZEMBRO DE 2018 - 06:41hs.
De 14 e 21 de Janeiro, em Macau

Grow uP eSports organiza seminário sobre criptomoedas

A Associação Grow uP eSports de Macau vai organizar um seminário que terá como tema a tecnologia e a mineração de criptomoedas. Frederico Rosário, dirigente da associação local, vai apresentar um estudo de caso que concluiu que é possível uma empresa de jogos eletrônicos se sustentar através de moedas virtuais.

Frederico Rosário quer mostrar aos que praticam e-sports em Macau que existem formas alternativas para se sustentarem quando se atrevem à difícil tarefa de fazer dos jogos eletrônicos o seu sustento. No seminário intitulado “Cryptocurrency Tech and Mining”, o dirigente da Associação Grow uP eSports de Macau não vai promover a criptomoeda, mas vai explicar um tema que tem tido projeção internacional e tem preocupado as autoridades de vários países.

O seminário, que acontece nos dias 14 e 21 deste mês na sede da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), terá como orador Frederico Rosário que, além de ter preparado uma apresentação sobre a associação e sobre o que são os e-sports, pretende “mostrar às pessoas um case study [estudo de caso] de uma empresa parceira de Hong Kong, a Forger eSports, que está se sustentando utilizando a criptomoeda”.

Em entrevista ao site PONTO FINAL, o licenciado em Matemática Financeira explicou que o tema não será abordado de “uma forma técnica”, mas que o evento acaba por responder ao interesse “crescente” no território. “As pessoas – principalmente a nova geração – gostam de perceber coisas novas e a criptomoeda está nas notícias e está em todo o lado”, afirmou.

“[O seminário] é tipo uma introdução, não estamos promovendo a venda da moeda nem estamos falando de bitcoins nem nada”, frisou, apontando que “é muito difícil sustentar um negócio de e-sports porque é um mercado novo, especialmente em Macau e em Hong Kong”, e, por isso, se justifica dar o espaço.

Apesar de nunca ter investido, Frederico assume que faz ‘trade’ (troca, em português) de moedas virtuais. Há cerca de três anos, “quando a bitcoin ainda estava a centenas de dólares norte-americanos”, procurou saber mais. “É um mercado muito interessante”, considera, apontando que “já existem mais de mil moedas”.

Em Macau, porém, “o mercado é muito difícil”. “Macau tem um mercado conhecido por cassinos e é um mercado um pouco sensível em termos de logística de dinheiro – com estas moedas não se consegue fazer bem o ‘tracking’ [acompanhamento] das pessoas e pode se tornar uma forma de lavagem de dinheiro. Por isso, acho que o Governo nunca vai aprovar isso em Macau”, indicou Frederico Rosário.

O dirigente da Associação Grow uP eSports de Macau destaca que “em outras partes do mundo isto está sendo muito bem utilizado porque na verdade isto dá mais segurança às pessoas. Na China temos um bom exemplo do ‘WeChat Pay’ ou ‘Alipay’. As pessoas andam com menos notas na rua, então isso facilita muito (a vida das pessoas) e já está facilitando também a própria (vida na) China. Tudo isto, em países com menos segurança, facilita a vida das pessoas”.

AUTORIDADES EM ALERTA

As autoridades chinesas planejam reduzir o fornecimento de eletricidade às empresas que produzem moedas criptografadas, sobretudo a Bitcoin, num primeiro passo para reduzir a atividade do setor. O Banco do Povo Chinês (banco central do país) pediu às autoridades provinciais e locais que controlem o fornecimento de eletricidade às empresas, designadas de “mineiras”, na gíria da indústria.

O banco chinês não pode regular o consumo de eletricidade das empresas, mas pode pedir às autoridades locais que o façam. A produção de moedas virtuais requer o uso de grandes quantidades de equipamento informático, visando realizar os complexos cálculos necessários para a geração de divisas, o que supõe um grande consumo de eletricidade.

As autoridades chinesas planeiam eliminar gradualmente as políticas que favoreceram as empresas que produzem moedas virtuais, incluindo medidas fiscais, afirmou o portal de informação financeira Caixin. Estas empresas se instalaram perto de grandes centrais de produção de eletricidade, para assegurar o acesso a energia barata, mas o seu alto consumo está a suscitar preocupações.

A China é o maior consumidor e produtor mundial de bitcoins.

GROW UP ESPORTS ATRAI INTERESSE INTERNACIONAL

Depois de ter atingido os 55 milhões de visualizações on-line com a organização do “GIRL GAMER”, um festival de jogos eletrônicos que decorreu no início de Setembro no Studio City, a Associação Grow uP eSports de Macau está a planear os próximos eventos, cuja agenda atira para depois do Verão. “É preciso tempo para planear cada bom evento, pelo menos entre seis a oito meses para conversar com os patrocinadores ou organizar a equipa. O e-sports é um evento que exige muita preparação técnica”, disse ao PONTO FINAL. 

“Ainda estamos a estudar as possibilidades, os projectos mais sustentáveis. o próximo evento ‘GIRL GAMER’ pode acontecer em Macau, em Hong Kong, na China Continental, Médio Oriente ou até nos Estados Unidos. Após aquele evento tivemos muitas pessoas e empresas com muito interesse no nosso projecto.”

Um grupo de agências imobiliárias de Xangai, o Governo do Bahrain é outro dos exemplos de partes interessadas no projecto da associação dirigida também por Fernando Pereira. “O Governo do Bahrain pode ajudar-nos a trazer mais capital ou investimento ou até empresas, porque eles não percebem de e-sports, eles querem aprender. Gostaram muito do nosso evento, da nossa conferência totalmente focada no e-sports – ainda por cima no e-sports do sector feminino, que nem muitos fazem”, afirmou Frederico Rosário.

Fonte: GMB/ Ponto Final