DOM 17 DE NOVEMBRO DE 2019 - 10:35hs.
Uma queda de 1% face ao primeiro semestre de 2018

Receitas dos cassinos em Portugal perdem para jogo online e raspadinha

As receitas brutas com a exploração do jogo dos onze cassinos operando no país somaram 150 milhões de euros, uma queda de 1% face ao primeiro semestre de 2018, segundo os números da Associação Portuguesa de Casinos. O grupo Estoril-Sol, detido pelo macaense Stanley Ho, é o mais afetado. O crescimento do jogo online e da raspadinha estão abalando o negócio dos cassinos, numa altura em que está em cima da mesa o fim dos contratos de concessão.

O jogo online apresentou, no ano passado, receitas de 152 milhões e gerou um volume de apostas de 2,4 bilhões; os jogos sociais da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa registraram vendas brutas superiores a três bilhões de euros, com a Raspadinha a valer mais de metade. Com estas cartas na mesa, grupos como a Estoril-Sol, que têm o fim do prazo da concessão da zona de jogo à vista, optam por não ir a jogo, limitando-se a uma “gestão cautelosa” e com poucos investimentos.

Grandes caindo

O grupo Estoril Sol, detido pelo macaense Stanley Ho, que vale por si só 63% do negócio em Portugal, vive um momento adverso, acabando por arrastar as receitas globais dos cassinos. As salas de Lisboa, Estoril e Póvoa de Varzim apresentaram uma queda nas receitas de 2% (ou 1,9 milhões), totalizando 94 milhões na primeira metade deste ano. O Casino Lisboa, que gera mais receitas a nível nacional, ficou pelos 42 milhões, menos 0,6%.

A Solverde, que explora os cassinos de Espinho, Chaves e os três do Algarve (Vilamoura, Praia da Rocha e Monte Gordo), também não escapou. O negócio do jogo de Manuel Violas rendeu 42,3 milhões de euros no semestre, menos 1,8% (ou 800 mil euros) que no homólogo de 2018. A sala de Espinho, a mais relevante, viu os proveitos caírem 2,5% para 23 milhões.

O Algarve teve uma descida marginal do negócio (0,5%), fixando-se nos 15,4 milhões nos primeiros seis meses do ano. Só as zonas de jogo da Figueira, Troia e Madeira ganharam a mão. O cassino da Figueira da Foz apresentou proveitos de 7,5 milhões (+3,5%), Troia terminou com dois milhões de receitas (+21%) e a Madeira com 4,5 milhões (+11%).

Roleta no jogo

As regras do jogo em Portugal e respetivos impostos e obrigações são distintas entre operadores. Segundo a Associação Portuguesa de Casinos (APC), as salas que representa venderam, no ano passado, 2,2 bilhões de euros em fichas de jogo, tendo sido devolvidos mais de 80% em prémios.

No fim do exercício, os cassinos responderam por receitas brutas de 318,8 milhões de euros, sobre as quais recaíram as contrapartidas anuais da concessão que, em casos como a zona do Estoril ou de Espinho, são de 50% sobre o valor apurado no ano. A APC lembra que a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa totalizou, em 2018, mais de três bihões de euros de apostas e devolveu 60% em prémios (1881 milhões de euros).

Do remanescente, a SCML tem de pagar o imposto de selo e outras deduções, sendo que as vendas totalizaram 836 milhões em 2018. Também o jogo online teve receitas brutas de 152 milhões e gerou um volume de apostas de 2,4 mil milhões, sendo que o grande volume do dinheiro das apostas serve para pagar prémios.

Fonte: GMB / dinheirovivo.pt