LUN 26 DE OCTUBRE DE 2020 - 12:25hs.
Após a COVID-19

Recuperação do setor de jogo em Macau vai ser “mais rápida” do que em Las Vegas

A reabertura de fronteiras com a província de Guangdong e a capacidade de Macau recuperar receitas com o mercado chinês colocam o território em vantagem para uma recuperação do setor de jogo a médio e longo prazo. Apesar das medidas de restrição impostas pelas autoridades nos cassinos, Glenn McCartney, professor de Gestão Internacional de Resorts Integrados da Universidade de Macau, acredita que a recuperação de Macau “será mais rápida” do que em Las Vegas.

Glenn McCartney considerou que a recuperação da indústria do jogo local irá superar a de Las Vegas devido a vários fatores, nomeadamente o número de casos diários registrados em Nevada em comparação com a ausência de casos em Macau há várias semanas.

Em declarações aos jornalistas, o especialista de turismo da Universidade de Macau assinalou que o setor de jogo local tem condições para se recuperar mais rapidamente do que Las Vegas. “Macau vai recuperar. O estado de Nevada tem imensos problemas devido a surtos da COVID-19 que obrigaram ao encerramento de muitas áreas de hotelaria. Macau tem demonstrado imensas cautelas no seu processo gradual de recuperação e penso que isso terá retorno a médio e a longo prazo. Nesse aspecto, considero que a recuperação do setor de jogo de Macau será mais rápida do que a de Las Vegas”, disse Glenn McCartney depois de participar de uma palestra realizada pela Câmara do Comércio Britânica de Macau.

Questionado sobre a capacidade de Macau para recuperar receitas de jogo, Glenn McCartney assinalou que, na última década, o mercado chinês tem sido fundamental para os cassinos locais. “Se há algo que os dados dos cassinos de Macau indicam na última década, é a enorme capacidade de recuperar receitas rapidamente graças ao mercado chinês. Poderá demorar alguns meses, mas brevemente iremos observar subidas acentuadas na receita”, frisou.

Os cassinos de Las Vegas foram autorizados a reabrir com restrições em 4 de junho, mas as autoridades locais tiveram de interromper os planos de reabertura por fases devido ao registo de 1000 casos diários de COVID-19 no estado de Nevada. No primeiro mês após a reabertura dos cassinos de Las Vegas, as receitas de jogo do estado de Nevada caíram 45,5%.

Em Macau, os cassinos estiveram encerrados por 15 dias por indicação do governo e reabriram após implementação de medidas de saúde com um número muito reduzido de visitantes na cidade. As restrições na fronteira com a província de Guangdong foram suspensas em junho e o território não regista novos casos de COVID-19 há mais de um mês. Para entrar no território, os visitantes de Guangdong têm de apresentar um teste negativo de ácido nucleico válido por sete dias. Para Glenn McCartney, estas medidas podem ter levado a um aumento de 88% na receita bruta do jogo em Macau no mês de julho, em relação ao mês anterior, atingindo cerca de US$ 10 bilhões, um valor ainda muito distante dos US$ 195 bilhões registrados no mesmo período em 2019.

Segundo Glenn McCartney, a recuperação do setor de jogo em Macau está dependente da reemissão dos vistos individuais de turismo por parte da China. “Acho que, se Guangdong começar a emitir vistos individuais de turismo, será um bom começo pois passa um sinal muito positivo ao setor dos cassinos e da hotelaria. Seria uma luz no fim do túnel. Também será uma boa decisão política, pois poderemos conhecer o histórico das pessoas que entram em Macau, tanto mais que queremos ter um número prudente [de turistas]”, afirmou o especialista.

“Não acredito que a indústria de jogo, o governo e a própria comunidade queiram ver novos casos, porque isso iria implicar um recomeço do zero. Guangdong é um bom começo e, em seguida, poderemos olhar para outras províncias e cidades do interior da China para termos esses corredores em que podemos rastrear e aplicar todo o tipo de medidas preventivas”, acrescentou Glenn McCartney, em declarações publicadas no portal da agência Macau News.

Na opinião do especialista, os cassinos de Macau têm de se adaptar às medidas implementadas no território pelos Serviços de Saúde, nomeadamente a obrigação do uso de máscaras ou a medição de temperatura. Para Glenn McCartney, o fundamental é garantir que os visitantes sintam que estão num espaço seguro.

“Se a indústria do jogo local vai mudar em termos de clientes? Acho que não. Algumas das ações que implementamos dentro dos cassinos serão alteradas em termos de precauções, mas não acho que isso venha a atrapalhar a experiência de jogo. Há muitas trocas de cartas, dados e fichas. Isso faz parte da experiência do cassino e não desaparece. Haverá mais cuidados com a higiene e a limpeza dos cassinos”, considerou Glenn McCartney, frisando que as alterações no futuro não vão diminuir a vontade das pessoas de visitarem Macau para jogar.

Fonte: GMB / Ponto Final