QUI 15 DE NOVEMBRO DE 2018 - 20:02hs.
Fabián Bataglia
OPINIÃO-FABIAN BATAGLIA, JORNALISTA ESPECIALIZADO NO SETOR DE JOGOS

Apostas esportivas: O fenômeno mundial na indústria do jogo

No ano da Copa do mundo, as apostas esportivas estão sendo regulamentadas em alguns países na região da América do Sul e se convertendo numa alternativa de negócio para as empresas de jogos de azar, fazendo com que as pessoas que gostam do esporte possam vivê-lo com mais intensidade. Só na Espanha, as apostas superam os 5 bilhões de euros ao ano, isso representa 50% de todo o dinheiro que os espanhóis gastam em jogos de azar.

Apostas esportivas: O fenômeno mundial na indústria do jogo

O fenômeno mundial das apostas esportivas está unido a muitos fatores que vão desde a paixão das pessoas pelo futebol, basquete ou tênis, até o desejo dos apostadores por competição, além dos bons trabalhos de divulgação que as empresas estão fazendo de maneira constante. As promoções e ofertas que as companhias de apostas lançam no mercado todas as semanas, atraem os jogadores mais experimentados e somam novos entusiastas. É, enfim, um negócio que promete altos investimentos nos países onde está regulamentado.

Na Colômbia, apenas um ano depois da legalização do jogo pela Internet em todas as suas categorias, já há sete empresas oferecendo este tipo de aposta e os empresários colombianos do setor estão trabalhando para oferecer esta modalidade em seus salões. Esse é um evento que não está só se unido à soma de ofertas e com isso aumentando os ingressos, mas também é uma maneira para que os mais jovens se aproximem dos salões de jogos, onde no geral, o público pertence a uma faixa etária maior.

Todos os componentes relacionados às apostas esportivas apontam ser positivos para os setores empresariais e, por tanto, aos cofres do Estado. Voltando ao caso da Espanha, talvez o mais paradigmático, desde 2012, ano em que regulamentaram os jogos de azar online, as apostas esportivas cresceram de 1 bilhão de euros durante o primeiro ano, para 5.4 bilhões em 2017. As empresas de apostas esportivas espanholas encontraram na publicidade uma maneira de ter onipresença que, somada ao entusiasmo do público amante do futebol, cria um cenário perfeito para seu crescimento graças as ligas europeias, com a Premier Legue sendo a principal delas.

Os potenciais negócios latino-americanos, região onde o futebol é reverenciado, estão sendo observados pelas empresas internacionais como um amplo espaço onde tudo está por se fazer. As regulações já postas a caminho e as que estão sendo elaboradas, deixam vislumbrar um enorme comércio repleto de oportunidades. No Brasil, onde a liberação do jogo está à volta de página, as estimativas mais conservadoras calculam um mercado de apostas esportivas que chega perto dos 3 bilhões de reais. Apesar de não haver regulamentação, já há uma quantidade considerável de páginas webs e tutoriais em português destinados a ensinar os benefícios das apostas para o público brasileiro, o motivando a jogar. As empresas almejam à exploração de um mercado que ainda não mostrou o seu autêntico poderio. 

Quando forem regulamentadas, com um aparato de marketing em ação e os investimentos podendo se multiplicar, segundo os analistas mais entusiastas, viriam a geração de empregos e de novos paradigmas de negócios. Desta forma, as novas regras do jogo deverão não só estabelecer questões de como serão distribuídas as arrecadações de impostos, como os operadores poderão atuar e quais serão as formas para se conceder licenças, mas, também como serão os cuidados com os usuários no sentido de proteção a menores, prevenção de fraudes e respeito aos princípios do jogo responsável.

Na Argentina há somente dois sites legais de apostas esportivas, MisionBet, o qual foi fechado por uma ordem judicial em junho do ano passado e reabriu suas operações no início de 2018, e o site aprovado pela Caixa Popular do Aforros de Tucumán, Pálpitos24.Todos as tentativas e consequentes projetos de lei federal para regulamentar o jogo online nesse país foram demorados ou diretamente rejeitados por questões políticas. Porém, a realidade mostra que os argentinos jogam em qualquer plataforma a seu alcance e, embora não existam estatísticas, calcula-se que no país as apostas esportivas representam 7 por cento de toda a massa de dinheiro do jogo, de aproximadamente 330 milhões de dólares anuais. Um mercado a margem da legalidade, milionário e que muitos clubes de futebol argentinos veem como a salvação de seus problemas financeiros.

Um Estudo do Observatório Económico do Esporte da Universidade de Oviedo, na Espanha, mostra que as apostas esportivas e sua incidência na economia social, teve como resultado a constatação de que os mercados regulados se beneficiam mais do que aqueles onde este tipo de apostas está proibido ou margem da lei. Desta maneira, a proibição às apostas esportivas nos Estados Unidos, hoje em debate, fez com que a indústria aumentasse na Europa, tendo o Reino Unido como o líder do mercado. Algo similar pode ocorrer na América Latina, com alguns países com os jogos e apostas online legais e outros onde os governos não estão decididos a liberá-lo.

Os analistas acreditam que a regulação da indústria de apostas esportivas, esta se transformando não somente numa oportunidade de negócios para os empresários vinculados ao setor, mas, também uma nova fonte de arrecadação de recursos para os Governos por meio de impostos. Além disso, acompanhada de uma fiscalização eficiente, a regulamentação pode servir para mitigar os efeitos negativos que possam acarretar o jogo patológico e afastar crianças e adolescentes das apostas, assim estas normas deverão considerar também possíveis instrumentos de prevenção.

Na Europa, grupos que trabalham em contra a ludopatia, afirmam que a publicidade irrestrita dos jogos e apostas online é nociva para saúde da população. Eles estão estudando regulamentações para promover uma restrição sobre quantidade de publicidade e seus horários de transmissão, já que consideram que as pessoas estão em risco, principalmente menores de idade, ao estar expostos a um bombardeio publicitário constante, e muitas vezes sendo protagonizados por ídolos esportivos. Sem um marco normativo específico isto não seria possível.

Não podemos esquecer, também, que no mundo das apostas existem muitas ocasiões de arranjos de resultados de partidas, até mesmo em ligas que estão reguladas. Um caso recente é do jogador da bundesliga austríaca, Dominique Taboga, que foi proibido de jogar por toda a vida pelo arranjo de partidos. Taboga disse que foi vítima de chantagem da máfia das apostas esportivas na Áustria, mas, a justiça desse país afirma que o jogador é suspeito de manipular 19 partidas. Esse problema coexiste com as apostas esportivas e as autoridades deverão ter conhecimento das maneiras de controlar e combater estas organizações clandestinas aos jogos esportivos, principalmente as do futebol.

Regular as apostas esportivas em todas as suas modalidades representa um avanço notável na América do Sul e acompanha as tendências atuais do mundo, porém, os benefícios do dinheiro não deve fazer com que se perca de vista qualquer perigo que este grande negócio possa vir a trazer.

FABIAN BATAGLIA

 
Fabián Bataglia. Jornalista especializado na indústria dos jogos de azar; formado em Comunicação Social na Universidade CAECE de Buenos Aires e professor de Jornalismo e Comunicação nesta universidade. Especialista em produção de informação e em comunicação digital; atualmente trabalha no Diario del Juego de Buenos Aires, Argentina.