QUI 15 DE NOVEMBRO DE 2018 - 20:02hs.
Fabián Bataglia
OPINIÃO-FABIAN BATAGLIA, JORNALISTA ESPECIALIZADO NO SETOR DE JOGOS

O jogo online poderia fazer do Brasil o maior mercado regulamentado

O país está sendo visto como um dos maiores mercados virtuais para o Jogo online. De acordo com estatísticas recentes, o Brasil tem um enorme potencial social e econômico para o desenvolvimento dos jogos pela Internet, num momento em que seu crescimento não parece ter um teto.

Enquanto os mais importantes empresários do mundo visitam as terras brasileiras para entrevistar as autoridades e tentar fazer lobby de seu setor industrial, o país está sendo visto como um dos maiores mercados virtuais para o Jogo online. De acordo com estatísticas recentes, o Brasil tem um enorme potencial social e econômico para o desenvolvimento dos jogos pela Internet, num momento em que seu crescimento não parece ter um teto.

No final de maio, Sheldon Adelson, presidente e fundador do Las Vegas Sands, se reuniu com o prefeito do Rio de Janeiro para comunicar suas intenções de fazer investimentos em hotéis e cassinos naquela região. Outro de seus alvos é São Paulo também pela sua infraestrutura hoteleira e aeroportos internacionais. Essa foi a segunda visita do magnata do jogo em um ano, um dos 20 homens mais ricos do mundo e o proprietário de um império de jogo com cassinos em Nevada e Macau. Adelson não vai ao Brasil para meras questões românticas, ele conhece o potencial do país e quer ser o primeiro da fila quando se abrir o portão para os jogos.

Entretanto, se o país quer se transformar em um dos maiores mercados do jogo, os especialistas no campo acreditam que com o mero jogo presencial não alcançará. O Brasil é o país sul-americano com a maior população e, para os especialistas, esta pode ser uma das condições que irão catapultar o crescimento do mercado de jogos. Uma população que em grande maioria está ligada às redes, com grandes cidades e com uma alta percentagem de telefones móveis nas mãos de seus habitantes, é uma questão de interesse para muitos operadores de jogos online e empresas de apostas.

De acordo com dados publicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com uma população total de pouco mais de 208 milhões habitantes, o país tem cerca de 116 milhões de pessoas com acesso à Internet, o que equivale a 64,7% da população acima de 10 anos. Desse universo, mais de 85% são jovens têm entre 18 e 24 anos, e de acordo com a pesquisa do IBGE, 63,3% das famílias têm acesso às redes. Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínuos, revelaram que em 92,6% dos lares brasileiros há pelo menos um telefone celular, que são usados em 99,7% dos casos para acessar à rede.

Essas informações revelam um panorama que os operadores das grandes empresas de jogos online não vão ignorar. A telefonia móvel tem contribuído consistentemente para o crescimento exponencial do desenvolvimento de jogos em rede; e na região latino-americana o nível de penetração das redes sociais e jogos na Internet é um dos maiores em tempo investido pelos usuários. Os operadores online estão desenvolvendo novas ferramentas e plataformas modernas facilmente acessíveis ao mercado latino-americano, fazendo funcionar toda a sua maquinaria de marketing.

Uma pesquisa conduzida pela University da Califórnia, Los Angeles (UCLA) examinou as diferenças demográficas e de comportamento dos jogadores online com dinheiro real. Um dos resultados determinou que os jogadores online tendem a ser majoritariamente homens jovens, de renda média e mais escolarizados que os jogadores em sistemas presenciais, como slots. Pesquisas adicionais indicaram também que os jogadores online têm menos probabilidade de se casar e mais probabilidades de serem estudantes que os jogadores que não usam a internet.

No que diz respeito à divisão por gênero em comportamentos e preferências de jogo, a pesquisa da UCLA concluiu que os homens preferem apostas esportivas, apostas de corrida de cavalos e jogos de habilidade como o Pôquer, enquanto as mulheres escolhem predominantemente jogos como slots e bingo online. O estudo também mostra que, enquanto no grupo das mulheres a idade da maioria das jogadoras em casinos online e slots variam de 46 a 55 anos, no grupo masculino a idade diminui, porque eles concluíram que a maior parte dos jogadores na Internet com dinheiro real esta na faixa de 20 a 35 anos, sendo as apostas esportivas e jogos de pôquer online os de maior penetração.

No Brasil, de acordo com dados do IBGE, 81,2% dos estudantes do país estão conectados à Internet por telefones celulares e em níveis mais elevados de escolaridade a porcentagem aumenta. Assim, enquanto no ensino fundamental 11,2 % dos alunos utilizam a rede; nos grupos de ensino superior este número chega a 95,7%. Enquanto o jogo é proibido no Brasil e, portanto, não se pode mensurar com exatidão, os usuários da rede afirmaram que o segmento de entretenimento online é usado por 76,4% dos internautas.

Embora já tenha sido comentado vale a pena mencionar que, a questão de um regulamento moderno e confortável para os operadores não deve ser deixado de lado, porque para que a equação funcione deve ter certas peculiaridades. Em princípio, um regulamento exitoso terá de ser simples e eficaz, evitando os riscos mais comuns, tais como taxas de imposto elevadas sobre receitas líquidas de jogos e prêmios, o que não torna o mercado inteiramente acessível aos operadores e aos jogadores.

O volume apresentado pelo mercado virtual de jogo brasileiro convida os futuros reguladores a não impor restrições inúteis aos operadores com a aparente fundamentação de proteger aos jogadores. Em regulamentos modernos e exitosos, o cuidado dos jogadores passa por restrições às crianças e adolescentes, aos jogadores compulsivos e a outros grupos de risco. Sem descuidar a saúde da população ou anular qualquer questão que seja considerada prejudicial, os reguladores têm que evitar levar aos operadores para um canal de labirintos burocráticos ou exigências extremas e pouco práticas para o licenciamento, porque as experiências que existem dão conta que, em tais casos, a única coisa que realmente próspera é o jogo ilegal.


FABIAN BATTAGLIA

Fabián Bataglia. Jornalista especializado na indústria dos jogos de azar; formado em Comunicação Social na Universidade CAECE de Buenos Aires e professor de Jornalismo e Comunicação nesta universidade. Especialista em produção de informação e em comunicação digital; atualmente trabalha no Diario del Juego de Buenos Aires, Argentina.