SEX 19 DE JULHO DE 2019 - 13:14hs.
Uelton Lima, presidente da CBTH

“A meta é dobrar o número de adeptos do poker nos próximos três anos”

(Exclusivo GMB) – Se aproximando do final do seu primeiro ano de mandato, Uelton Lima, presidente da Confederação Brasileira de Texas Holden, lança uma campanha de reposicionamento com objetivo de conquistar novos adeptos. Em conversa com o GMB, ele fala um pouco mais sobre o projeto, o ano de 2017 para a modalidade e a posição da comunidade do poker na luta pela legalização de todos os jogos no Brasil.

GMB - Fale um pouco sobre o que é o reposicionamento que você está preparando para a CBTH e porque percebeu a necessidade de fazê-lo agora?
Uelton Lima -
A gente passou dez anos da nossa história defendendo que o poker é um jogo de habilidade, um jogo mental, colocando ele como um esporte. Uma questão muito dura, muita séria pra gente e não porque queríamos dizer que é, mas, porque ele realmente é um dos jogos mentais e de habilidade como é o gamão, xadrez e etc. Então, tivemos que fazer isso durante dez anos até por conta da necessidade de se fazer isso no Brasil; em outros lugares não se tem a necessidade de fazer isso, em muitos lugares o poker acontece inclusive dentro dos cassinos e como o jogo em outros lugares é legalizado não há necessidade de se debater se o poker é ou não um jogo de habilidade. A pessoa pode escolher jogar poker, jogar no cassino e isso não o faz melhor nem pior que ninguém. Aqui no Brasil, diferente dos outros lugares, era necessário comprovar que o jogo de poker era de habilidade porque os jogos de azar são proibidos e nós passamos dez anos fazendo isso. Passado todo esse período, hoje nós estamos muito mais bem estabelecidos, respeitados no conjunto da sociedade, do poder público e estamos muito bem posicionados. Então, a gente vê que hoje é possível falar de poker de uma forma bem mais leve do que a gente falava anteriormente. O poker é jogo de habilidade, é um esporte mental, mas, também é um esporte muito divertido, um entretenimento muito gostoso de praticar, um evento social, uma forma de reunir amigos, uma forma de você fazer networking, de empresários bem-sucedidos se encontrarem para jogar entre eles, para que universitários se encontrem, etc. O poker vai além de um esporte mental praticado por profissionais, ele é pra todo mundo. Essa campanha tem a ideia de primeiro mostrar que o poker é para todos, divertido, bacana, gostoso e ele é para se fazer amigos. A hashtag é #joguepokerfaçaamigos porque nós achamos que debaixo de #joguepokerfaçaamigos tem tudo e a ideia é essa, é o grande mote da campanha.

Qual o maior objetivo deseja alcançar com esse novo posicionamento da confederação?
O objetivo é trazer para o nosso meio o máximo de novos adeptos possível. Se nós estamos falando que hoje se estima que o poker tenha 7 ou 8 milhões de praticantes no Brasil porque não dizer em dobrar esse número nos próximos três anos? É uma meta difícil, mas, é uma meta viável, possível, o tanto que o poker cresce hoje no Brasil, então, a gente acredita nisso. Tomando esse assunto de uma forma muito leve, mostrando para as pessoas que todo mundo pode praticar poker, entrar no nosso meio, participar de um grande evento, conhecer um clube para jogar, abrir uma conta e jogar online nas horas vagas, ou seja, quanto mais a gente consiga tornar esse assunto leve mais adeptos nós vamos trazer para o nosso esporte, para o nosso mercado. Essa também é a grande intenção.

Tendo assumido a presidência da CBTH em Março deste ano, chegando ao final de 2017, qual a avaliação faz até agora da sua gestão? Acredita que já conseguiu dar a sua cara à CBTH? Qual a maior conquista até agora e o principal objetivo a ser alcançado?
Faço uma avaliação mega positiva desse primeiro ano. Tem varias coisas que a gente podia falar, mas, eu vou dividir em dois grandes pontos centrais. O primeiro deles é a questão da legalização. A gente continua muito ativo nessa discussão, já tínhamos uma vitória na Câmara dos Deputados; o projeto que foi aprovado na comissão especial dos jogos ele tem um capítulo a parte para os jogos de habilidade e a grande batalha desse momento é que se faça o mesmo no projeto do senado. No projeto que está caminhando na Comissão de Constituição e Justiça do Senado nós estamos lutando para que seja incluído um capítulo a parte sobre os jogos de habilidade. Nós estamos encabeçando essa luta, em nome até de outras modalidades como xadrez, como e-sports, lutando por todo mundo e liderando esse momento. A gente vem sendo bem sucedido nisso e continuamos na batalha, é uma batalha de todo o dia e o próximo passo é esse: que projeto de lei que esta no senado incluía também um capítulo a parte para os jogos de habilidade.
O segundo ponto central da gestão neste ano é o novo posicionamento da CBTH, o reposicionamento do produto poker em si. Essa coisa do poker divertido, mais bacana, de entretenimento, recreativo, etc. Nós estamos fazendo isso, acho que com maestria, estamos conversando com clubes, com federações estaduais, impulsionando essa discussão e pedindo que a porta de entrada para novos praticantes do poker seja aberta de uma forma muito leve, não pode ser um bicho de sete cabeças a pessoa começar a praticar poker. Então,a gente vem pedindo que as pessoas sejam muito bem recebidas pra tentar fazer com que pessoas entrem em um site, jogue num clube e participem de torneios. Eu acho que esse é o caminho, receber as pessoas de forma leve e mostrar que o poker pode ser muito mais divertido. Faço uma avaliação muito positiva desse ano. O desfecho de tudo que pensamos acabou sendo no BSOP Millions, fizemos uma ação promocional com dois meninos do interior de Goias, Cidade Ocidental de Goias,e nós vamos tornar o vídeo dessa ação uma coisa viral que retrate e que faça propaganda desse novo momento da CBTH.

Na nossa conversa no começo de sua gestão, vocês disse que gostaria de olhar com mais carinho para os circuitos no interior dos estados. O que você já conseguiu fazer referente a esse tema?
Eu me lembro dessa conversa no começo gestão. Do ponto de vista esportivo, nós estamos com um projeto para 2018 que é tentar organizar pelo país alguns free rolls.Ou seja, trazer gente que não está acostumada a dar buy-in, jogar torneio, entrar em clube, trazer essas pessoas para jogar um torneio de graça, organizado e subsidiado por nós e que a pessoa vai ter o prazer de jogar de uma forma profissional numa mesa com dealer, com diretor de torneio, etc. Isso vai demandar parceria, patrocínio,mas, nós vamos buscar, já esta na pauta para ser conversado na primeira assembleia do ano de 2018 com as federações. Isso mostra um pouco do que estamos pensando. É segredo ainda? É, mas, você esta perguntando e eu acho importante saberem que estamos planejando isso para o ano que vem.

O calendário do poker de 2017 contou com grandes eventos como as etapas do BSOP e a edição do WSOP. Como você avalia os eventos que aconteceram durante o ano em termos esportivos e econômicos tanto para a confederação quanto para as cidades que receberam essas competições?
O calendário de 2017 contou com eventos enormes pelo país, não só eventos internacionais como o WSOP, mas, também eventos organizados por clubes, por federações regionais, BSOP, Master Minds. Esse ano nós tivemos o Master Minds tanto em Curitiba quanto em Goiânia, tivemos o calendário do BSOP, o BSOP Millions que foi gigante, foi impressionante, não temos todos os números, mas, o Millions com certeza alcançou números recordes do ponto de vista de premiação, de número de pessoas, foi impressionantes o que aconteceu. Nós tivemos o WSOP, que aconteceu na Bienal do Parque do Ibirapuera, o que foi de um simbolismo enorme e foi um evento lindo que aconteceu. O calendário de 2017 foi maravilhoso.

O que podemos esperar para o calendário de eventos para 2018? Novos eventos internacionais como o WSOP podem desembarcar no Brasil?
Acho que o calendário de 2018 vem ai com mais coisas ainda. Mais marcas, mais eventos de peso vão estar no Brasil. Eu não posso falar em nome desses eventos, mas, a expectativa da federação é ter mais parceiros ainda na nossa causa. É mais gente visitando o Brasil e percebendo cada vez mais o potencial de mercado, jogadores, de poker que o Brasil tem atualmente. O próximo ano promete mais ainda.

Uma grande noticia para a comunidade do poker em 2017 foi a possibilidade da modalidade se tornar esporte olímpico, passando a figurar para o COI (Comitê Olímpico Internacional) como “Observador Olímpico”. Como vocês receberam essa notícia e como pretendem que essa conquista ajude o esporte a chegar a mais pessoas?
Eu acho que o Comitê Olímpico ter alçado algumas modalidades ao status de observador olímpico, isso mostra um mudança de perfil, uma mudança social, na comunidade esportiva mundial que passa a reconhecer e abrir os olhos para outras modalidades que fogem um pouco daquela característica esportiva antiga e começa a reconhecer outras modalidades que vem tomando conta do cenário mundial com milhões e milhões de adeptos pelo mundo, como os e-sports. Eu acho que é mais um passo, mais um reconhecimento para a nossa comunidade assim como tantas ouotras que a gente já teve nesses últimos anos e faz parte dessas vitórias que viemos tento ao longo dos últimos tempos reconhecendo o poker como um esporte, como no caso, um esporte mental.

Com relação ao processo de legalização do jogo no país. Qual sua avaliação dos últimos acontecimentos com relação a tramitação dos projetos que tratam do tema no Congresso? Acredita que a comunidade do poker pode contribuir com mais alguma movimentação para acelerar o processo?
Falando sobre o mercado de jogos, eu acho que vai depender muito da maturidade e da vontade dos políticos do nosso país. Não é simples, a nossa política é muito volátil. Então, se em um momento foi está em um clima positivo para uma regulamentação, uma legalização e passa um dia ou dois, você olha e tem um sentimento negativo, um pessimismo, com relação a essa legalização. A nossa política é muito volátil, mas, a gente torce que as forças progressistas que discutem esse tema sejam a maioria e superem essas forças conservadoras que não querem a legalização dos jogos e tem um debate muito atrasado sobre isso. A gente espera que as forças progressistas sejam maioria e que os jogos sejam legalizados no Brasil que a gente consiga posicionar o poker mostrando que ele não é um jogo de azar. Isso não significa que somos contra os jogos, nós somos favoráveis à legalização dos jogos, é bom para o país, inclusive para o controle. Empresários de que tem interesse de atuar nesse mercado vão poder empreender com segurança. A gente espera que a maioria progressista consiga superar essa minoria conservadora que é contra a legalização dos jogos, que a gente avance nisso e que o mercado de jogos cresça como um todo no Brasil. E o poker esteja bem posicionado,até porque, em um país que não tem o jogo legalizado; o poker hoje como jogo de habilidade é gigantesco e tenho certeza que vai impulsionar o mercado de jogos como um todo a partir de uma legalização.

Para encerrar, gostaria que fizesse uma projeção para o poker como um todo no Brasil em 2018?
No mercado de poker o objetivo nosso é o crescimento do número de praticantes, fundamentalmente, fazer com que os praticantes se tornem mais envolvidos e que eles se relacionem mais com o poker em si. Aqueles que, as vezes, só estão acostumados a ver na televisão, fazer com que esses caras passem a jogar, praticar com os amigos, os que joguem com amigos passem a frequentar clubes, torneios; os que vão em clubes venham participar de eventos grandes, ou seja, é um ciclo de envolvimento das pessoas que nós queremos aumentar. Não digo para 2018, mas, pensar para o próximos três ou quatro anos tentar dobrar o número de praticantes e de amantes do poker pelo país. Eu acho que é possível e a nossa campanha é com esse objetivo.

Fonte: Exclusivo GMB