MAR 25 DE ENERO DE 2022 - 03:04hs.
Igor “Federal” Trafane, CEO do BSOP e do Grupo H2

“Junção do SuperPoker com Playmaker abre oportunidades para explorar novos jogos no Brasil”

No final de 2021, o mercado brasileiro foi sacudido com a espetacular aquisição do SuperPoker pela empresa internacional de mídia esportiva digital Playmaker, por US$ 4,25 milhões. Para conhecer mais sobre essa operação, o GMB entrevistou com exclusividade Igor “Federal” Trafane, fundador e diretor do SuperPoker. Ele assegura que ter um grupo gigante de mídia como seu parceiro é sensacional para explorar os novos jogos que logo serão legalizados no Brasil. 'Criamos um fundo para investir em cassinos no Brasil e já temos R$ 1,2 bilhões para essa nova etapa”, revelou Trafane.

Além de CEO do Brazilian Series of Poker (BSOP) e do Grupo H2 Brasil, Igor é presidente da Confederação Panamericana de Poker Desportivo (CPPD) e da Associação Brasileira de Jogos de Habilidade (ABJH), além de vice-presidente da Associação Brasileira dos Esportes Intelectuais (ABESPI). Ex-CEO do SuperPoker Media Group até a aquisição pela Playmaker, ainda não está definido o cargo que ocupará na empresa.
 

Games Magazine Brasil - Você vinha à frente do SuperPoker e numa jogada de mestre se uniu à Playmaker, em um negócio de US$ 4,25 milhões. Foi uma estratégia mirando a futura regulamentação dos jogos no Brasil?
Igor “Federal” Trafane -
A junção com a Playmaker foi fundamental para os planos futuros do meu braço de negócio que atuava na área de mídia (o SuperPoker).

Hoje a Playmaker é o terceiro maior grupo de mídia esportiva da América Latina; e isso se casou perfeitamente com a necessidade de crescimento que todos meus negócios tinham de ter um parceiro de mídia maior, mais sólido, mais abrangente e mais preparado para o explorar as oportunidades do mercado de novos jogos no Brasil.

Os negócios cresceram muito. O Brasil prepara a legalização de novos jogos (apostas esportivas, cassinos, bingos, mercado online, fantasy etc.). E ter um grupo gigante de mídia como seu parceiro para explorar as oportunidades futuras em conjunto é sensacional para ambos os lados.
 

Ou seja, a união levou em consideração não apenas o poker, mas as outras verticais de jogos de azar. A sinergia entre diferentes modalidades impulsionou a concretização do negócio!
O interesse do jogador de poker por outros jogos e outros esportes já existe naturalmente. É óbvio. Indissociável. Está ali, pronto para ser explorado.

Com a Playmaker e sua atuação multinacional, o que faremos é explorar essa sinergia e divulgar novos jogos de forma mais abrangente, mais profissional e muito mais eficiente para os nossos clientes atuais.

Essa foi uma das grandes razões pela qual eu quis me juntar à Playmaker.
 

Como se deu a negociação? O SuperPoker foi absorvido pela Playmaker?
A Playmaker adquiriu 100% do SuperPoker Media, mas nós recebemos cerca de 1/3 desse valor em ações da própria empresa, por acreditarmos piamente no sucesso de um projeto que visa juntar a audiência de jogadores de poker com um grupo multinacional de mídia esportiva; ainda mais num país que está às portas da regulamentação das apostas esportivas.

 

Jordan Gnat (CEO da Playmaker)

 

Por que acredita que a Playmaker escolheu o SuperPoker para uni-lo à enorme rede de sites da empresa?
O SuperPoker gera 15 milhões de visitas anuais e 1,25 milhão de usuários anuais únicos em todas as suas propriedades, e é um dos grupos de mídia de pôquer mais populares do mundo. Sou apaixonado por poker e sou apaixonado por futebol. Esta associação une essas paixões. Conheço Jordan Gnat (CEO da Playmaker) há muitos anos, desde seus dias no Stars Group e temos grande respeito e admiração mútuos, e esta oportunidade agora nos permite trabalhar juntos novamente como parceiros. Meu grupo de negócios tem mais de dez empresas, de torneios de pôquer a clubes de pôquer ao vivo, suprimentos de pôquer e muito mais. Nosso negócio de mídia precisava de um relacionamento estratégico para o futuro. A Playmaker é esse parceiro e, a longo prazo, vou ajudar a fazer crescer este negócio como acionista.
 

Quais são os planos da empresa para o futuro e como está o processo de integração do grupo líder na área de poker e jogos de habilidade no país, com os novos jogos que provavelmente serão legalizados em breve no Brasil?
É claro que meu grupo está preparado para os novos jogos que virão. Somos líderes de mercado em jogadores Real Money (live e on-line) no país no momento. E isso é algo que não pode ser desperdiçado.

Para se ter uma ideia, quando lançamos nosso App pra jogar poker on-line tivemos 120.000 downloads num único dia. Um recorde absoluto na história do jogo no país. E talvez fato inédito no mundo.

Temos mais de 500 clubes on-line afiliados ao nosso sistema de jogo on-line.

Temos o segundo maior torneio de poker presencial do mundo: o BSOP.

Temos três clubes físicos enormes no país, prontos para explorar operações de apostas e bingos presencialmente.

Temos mais de 300 clubes presenciais com quem temos ligação histórica para parcerias.

Para se ter uma ideia, criamos um fundo para investir em cassinos no Brasil e já temos R$ 1,2 bilhões para essa nova etapa.

Já temos conversas avançadas com os maiores players da indústria de jogos do mundo para fazermos parcerias de negócios para essa nova etapa que virá. Ainda não fechamos nada, pois enquanto a lei não vier, não podemos firmar nada, pois as regras ainda não estão estabelecidas, mas já temos muitas conversas bastante avançadas para o futuro.

Enfim, estamos absolutamente preparados para essa nova etapa. Que venham os novos jogos!!
 

Agora falando no poker, que avaliação você faz da atividade no Brasil em 2021? A pandemia de covid-19 vem impulsionando o jogo online, mas como ficaram os eventos presenciais?
Os anos de 2020 e 2021 foram extremamente difíceis não só para o poker, mas para diversas atividades presenciais ao redor do mundo. É claro que alguns segmentos sentiram mais que outros. E esse foi o caso do poker ao vivo, pois ele depende de grande concentração de pessoas, interagindo com proximidade entre elas e em um ambiente fechado. Fomos os primeiros a sermos fechados e os últimos a poder reabrir.

 

 

Foram meses bastante duros para o BSOP (Campeonato Brasileiro de Poker) e o H2 Club (maior clube de prática do país - com três unidades), mas conseguimos passar por isso e voltamos com força total recentemente.

O poker online ajudou muito, pois aumentamos mais de 500% nossa operação nesse período. Enfim, uma coisa compensou a outra e agora voltamos com duas frentes (live e on-line) bastante maiores e mais fortalecidas.

No final de 2021 fizemos a volta do BSOP LIFE e batemos todos os recordes da história da série:

- Mais de R$ 40.000.000,00 em premiação

- Mais de 25.000 entradas

- Jogadores de 28 países diferentes

- 32% de jogadores novos

Ou seja, nosso grupo mostrou força e musculatura para resistir a essa adversidade gigantesca e retomou com o on-line muito maior e o live já reestabelecido e com desempenho atualmente acima de 100% do período pré-pandêmico.
 

Como o Brasil se posiciona no ranking mundial do poker, tanto quanto ao número de jogadores, quanto em volumes de apostas, campeonatos e negócios?
O Brasil lidera com folga a indústria de poker na América Latina, tanto em termos de tamanho de mercado, volume de apostas, quanto em termos de número de jogadores. O Brasil sozinho representa a somatória de todos os demais países da América Latina no faturamento da indústria do poker. Isso demonstra o trabalho diferenciado que foi feito por aqui para desenvolver essa atividade.

Já no mundo, o Brasil é top 10, variando entre a 6ª e a 8ª posição mundial.

Em termos de Campeonato, o BSOP é o maior torneio do Hemisfério Sul e é a Maior Série Nacional de Poker do Mundo, muito à frente do segundo colocado.

O Brasil é extremamente respeitado mundialmente pelo estágio de desenvolvimento que o poker tem por aqui.

 

 

Mesmo sendo reconhecido como um jogo de habilidade, muitas pessoas confundem o poker com jogos de azar. Como dar uma nova “cara” ao poker?
O Poker no Brasil já tem essa cara. Somos um jogo de habilidade emocionante, apaixonante, competitivo, inteligente, matemático, estratégico, que gera enorme engajamento, divertido, socializante e com MILHÕES de adeptos.

Não queremos uma nova cara. Somos apaixonados exatamente pela cara que temos. Somos o que somos; e somos muito orgulhosos daquilo que somos.

Já vencemos mais de 100 ações na justiça sobre esse tema, temos uma atividade consolidada e uma jurisprudência muito sólida a este respeito.

O fato de algumas pessoas ainda confundirem é “meio” normal. Tem gente que ainda confunde o direito do negro, o direito da mulher, o direito à liberdade religiosa, a igualdade de raças. Tem gente que confunde ou não se conforma com tanta coisa.

O ponto não é esse. Não é quem confunde ou quem não confunde. Não é quem aceita ou quem não aceita. O ponto é outro. É o nosso direito inequívoco de existir como jogo de habilidade. E isso já é inquestionável a esta altura da evolução da sociedade brasileira e do Estado Democrático de Direito em que vivemos no nosso país.
 

Como você analisa as discussões do marco regulatório dos jogos e a aprovação do pedido de urgência para discussão do tema? Por que os jogos de habilidade não foram contemplados no relatório final do deputado Felipe Carreras?
As discussões estão num ótimo nível e timing. Pela expressiva votação na aprovação do pedido de urgência do fim do ano (293 votos favoráveis x 138 contrários), parece que dessa vez a legalização dos jogos de azar / fortuna / chance será finalmente aprovada no Brasil.

Os Jogos de Habilidade não foram comtemplados no Relatório Final por um pedido da nossa categoria, via executivo, prontamente atendido pelo Relator. Tanto é que no penúltimo relatório, texto de 24 horas antes da última versão, ainda existia a menção aos Jogos de Habilidade. Mas a definição e os termos de funcionamento não atendiam aos anseios da nossa categoria (eSport + Fantasy Games + Jogos Mentais + Poker + demais Jogos de Habilidade), por isso o trecho foi retirado e eu já falei pessoalmente com o Felipe Carreras que prontamente assumiu o compromisso de trabalhar junto à nossa categoria para incluir um texto que nos atenda.

O Felipe está fazendo um trabalho fantástico, dialogando com todos os segmentos de forma democrática e republicana; e está brilhantemente conseguindo congregar apoio massivo ao texto que ele propõe.
 

Em fevereiro os deputados voltarão a discutir o marco regulatório. Que contribuições o setor de poker pode dar aos congressistas para que o projeto avance?
Os Jogos de Habilidade serão decisivos para a aprovação da Lei de Jogos de Azar no Brasil, pois o lobby do jogo de azar tem recursos financeiros, potencial de trazida de investimento, geração de empregos, força política, trânsito etc etc etc, ou seja, tem muita coisa importante, mas não tem apoio popular.

No passado a legalização dos jogos de azar tinha reprovação popular. Hoje não tem mais. Mas não ter mais a reprovação da sociedade é muito diferente de ter apoio da sociedade para que ele exista. Nenhuma parte significativa da sociedade brasileira saíra a campo lutando socialmente pela legalização dos jogos de azar como causa da sua vida. Não vai acontecer.

Quem tem apoio social massivo, de dezenas de milhões de pessoas são os jogos de habilidade. E estes, se forem atendidos na forma como pretendem, se transformarão na única força social e popular motriz desse processo, capaz de gerar o apoio populacional necessário para legitimar socialmente este processo legislativo.
 

Fonte: Exclusivo GMB