SÁB 26 DE SEPTIEMBRE DE 2020 - 21:53hs.
Grandes prêmios no nordeste foram adiados

Em atividade, comunidade do turfe apoia páreos em SP e reabertura do Jockey no Rio

Na contramão do que está acontecendo no esporte mundial em decorrência à pandemia de coronavírus, as corridas de cavalo continuam acontecendo no Jockey Clube de São Paulo. Mesmo sem a presença de público, oito páreos foram realizados domingo, com transmissão e apostas pela internet. No Rio de Janeiro, o Jockey Club Brasileiro se prepara para retomar as corridas dia 03 de maio - também sem público. Mas, no nordeste, grandes prêmios foram adiados.

Em contato com o Globo Esporte, boa parte da comunidade turfística mostrou apoio à manutenção das atividades.

Apesar do decreto de calamidade pública nos dois estados, jóqueis, diretores, treinadores e veterinários garantem que existe a necessidade de dar continuidade à rotina não apenas das pessoas envolvidas no esporte, mas também dos cavalos.

"Nós nos antecipamos, tomamos todas as medidas de prevenção à pandemia antes e por isso estamos muito tranquilos. Tanto que não existe um só caso de coronavírus no Jockey Clube de São Paulo”, explica José Pires, o diretor e turfe da entidade.

Segundo ele, todas as recomendações da Organização Mundial de Saúde estão sendo adotadas. A entrada para visitantes está proibida. “A higienização de todos os locais foi aumentada. Todo mundo precisa usar máscaras obrigatoriamente, e não existe aglomeração. Temos álcool em gel disponível em todos os lugares, estamos cumprindo todas as recomendações da Organização Mundial de Saúde”, emenda Pires.

A joqueta Jeane Alves ressalta o número de pessoas que circula em dias de páreo é muito menor do que em dias de atividade normal no local. “Quando acontecem as corridas, tem muito menos gente circulando do que nos dias normais, em que os cavalos são cuidados. Os páreos são realizados com intervalos de meia hora, mais ou menos, e a gente corre em lugar amplo e aberto. Me sinto segura”, garantiu Jeane.

Outro ponto bastante defendido pela comunidade do turfe é que não se podem deixar de tratar dos cavalos. “Os cavalos atletas de corrida, puro sangue inglês, são mais sensíveis que a maioria dos equinos. Eles requerem cuidados especiais diários e treinamentos para que não tenham nenhuma enfermidade que podem causar óbitos - casos como cólica ou laminite. São cerca de 700 cavalos que precisam de cuidados diariamente”, explica Bruno Alexandre, treinador e veterinário que trabalha nos clubes tanto do Rio de Janeiro quanto de São Paulo.

Bruno repete as palavras de Jeane e apoia a decisão de as atividades continuarem. “Na verdade, eu sou agradecido. O Jockey tem proibido a entrada de todas as pessoas externas, só entram os profissionais, que estão tomando todas as precauções possíveis. Diversas famílias agradecem a manutenção das atividades”, conclui o treinador e veterinário.

No nordeste

Seleto grupo de criadores da raça Quarto de Milha e o Jockey Club Cearense informaram, nesta terça-feira (21), que dois grandes eventos de turfe, programados para datas próximas, foram reprogramados em atenção às recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e aos decretos dos governos estaduais do Nordeste. O XI Grande Prêmio Fortaleza Quarter Horse Show, que ocorreria de 10 a 12 de julho, foi reposicionado para o dia 12 de setembro. 

Também foi adiado o VI Grande Prêmio Nordeste - Pernambuco, que ocorreria de 15 a 17 de maio e que, agora, acontece dia 12 de julho. Dentre os promotores do XI GP Quarter Horse Show, estão os criadores e proprietários de animais da raça Quarto de Milha, Cláudio Rocha, da Fazenda Haras Claro, e Rafael Leal, do Haras Primavera.

Fonte: Globo Esporte/ Diário do Nordeste