DOM 18 DE NOVEMBRO DE 2018 - 10:20hs.
Lutando contra preconceitos

Jogadoras brasileiras buscam espaço e também estabilidade no eSports

As mulheres estão buscando e conseguindo espaço no eSports. Assim como em outros esportes tradicionais, equipes e jogadores do sexo feminino encontram diferentes dificuldades para se consolidarem no cenário brasileiro e mundial. Porém, recentemente o Brasil tem visto mudanças. Jogadoras estão lutando contra preconceitos e a falta de investimentos para se tornarem protagonistas de vários games diferentes.

Em pesquisa realizada no ano de 2016, um número curioso chamou a atenção de muitos especialistas do mercado de games, sejam comerciantes ou competidores. Cerca de 52,6% do público que está jogando games no Brasil é do sexo feminino. Ou seja, um pouco mais que a metade dos jogadores são mulheres, algo difícil de se imaginar pelo estereótipo criado de que games são coisas de homem.

Porém, no cenário profissional é raro encontrar mulheres se destacando. Games como o CS:GO e League of Legends possuem basicamente pro players do sexo masculino. Como não existe uma divisão de gênero nas equipes, é preciso tentar entender a falta de mulheres em tal situação. Em entrevista recente a TechTudo, a jogadora de CS:GO Amanda Abreu, a AMD, comentou que existe muito preconceito contra as mulheres na área. Além de assédios, as jogadoras precisam lidar com ofensas e intimidações constantes, seja na partida online ou então em LAN.

Amanda Abreu é um dos destaques das mulheres no CS:GO. Atualmente na equipe Bar Sem Lona, ela tem sido colocada como uma das principais representantes femininas no eSports. Outra jogadora em destaque é Beatriz Terra, a Bea, que representa a Xperience eSports. Bea já jogou por equipes internacionais, como a GDD eSports e a SulKings Gaming. No entanto, as jogadoras passam dificuldades nesses times, já que a troca de equipes é algo comum. Só nos dois anos recentes, muitas equipes femininas encerraram atividades e deixaram jogadoras sem um patrocínio.
 


Essa é a situação vivida pela equipe Time das Lindas, a antiga OpTic Brasil, que tem uma rivalidade intensa com a Bar Sem Lona, que já foi da BootKamp Gaming. Os dois times estão sempre a disputar as finais da Liga Feminina, porém sem estabilidade. Bruna Marvila, a Bizinha, Gabriela Maldonado, a GaBi, Pamella Shibuya, a Pan, Camila Natale, a cAmyy, e Juliana Maransaldi, a Showliana, estão sempre entre as melhores do Brasil que são prejudicadas. Os problemas de administração já fizeram essas jogadoras passarem por diferentes nomes e patrocinadores. É um dos motivos que impedem o eSport feminino de decolar.

Brasileiros são destaques no cenário mundial masculino do CS:GO

Com estabilidade, Gabriel Toledo, o Fallen, é um dos maiores nomes do Brasil no game. Com quase três milhões de reais já conquistados na carreira em premiação, ele é considerado por muitos o principal nome do CS:GO no Brasil. Passando por uma fase ruim com a MIBR, o jogador acabou de ser ultrapassado por um antigo companheiro.
 


Epitácio de Melo, o TACO, foi um dos grandes nomes da SK Gaming, junto com Fallen, Fer e Coldzera. Hoje, na Liquid, é o brasileiro que mais conquistou prêmios com CS:GO. E também continua disputando títulos importantes. No final do ano, a equipe entra como favorita para o campeonato SuperNova Malta. No dia 5 de novembro, segundo os números do portal da Betway, a Team Liquid tem 48,8% de chance de vencer a competição. A equipe tem como principais adversários a HellRaisers e a BIG, que estão com porcentagens longe da Liquid, cerca de 18% cada. A MIBR ficou fora da disputa do torneio.

Mulheres também buscam espaço no cenário internacional

Fora do Brasil a situação para as jogadoras é melhor, porém longe de ser o ideal. Ainda são poucas as mulheres que conseguem destaques e viram pro players. Ainda no cenário do CS:GO, o maior nome é a russa Ksenia Klyuenkova, a Vilga. Ela já conquistou diferentes títulos, principalmente em 2016 e 2017, como o Intel Challenge Katowice e o ESWC. A jogadora já conseguiu uma premiação total no valor de cerca de 43 mil dólares na carreira. Um número alto no cenário feminino, porém baixo comparado com os homens.

Fora do CS:GO, o grande nome é com certeza Sasha Hostyn, a Scarlett. Ela joga o game StarCraft II e já conseguiu muito sucesso no cenário mundial. Ela tem mais de um milhão de reais em premiações na carreira. Apesar disso, já sofreu muitos problemas de assédio e também críticas.

Esses exemplos de sucesso no eSports é uma forma de mostrar onde algumas jogadoras brasileiras podem chegar. Mesmo com dificuldades e diversos problemas, é possível que futuramente, principalmente em cenários que já aparecem oportunidades, teremos cada vez mais pro players femininas no Brasil.